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A mostrar mensagens com a etiqueta sociedade do cansaço

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave; educação superior, inflação de diplomas, sociedade do cansaço, capitalismo de vigilância, disciplinamento do trabalho, angústia, absurdo, produtividade acadêmica Durante décadas, o ensino superior foi apresentado como o caminho mais seguro para mobilidade social. Estudar significava melhorar de vida, conquistar estabilidade e acessar posições mais valorizadas no mercado de trabalho. No entanto, a própria expansão massiva das universidades produziu um efeito paradoxal: quando milhões de pessoas passam a possuir diploma universitário, o valor diferencial dessa credencial diminui. Paralelamente, empresas ampliam sistemas de vigilância institucional, formalizam códigos de conduta e intensificam mecanismos de monitoramento do comportamento dos trabalhadores. Nesse cenário emerg...

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave GLP-1; medicalização; narcisismo; cultura da performance; subjetividade; capitalismo de plataforma; corpo; Sociedade do Cansaço; sofrimento psíquico. Primeiro venderam felicidade. Depois produtividade. Agora vendem silêncio metabólico. As chamadas “canetas emagrecedoras” não são apenas fármacos que atuam no eixo hormonal — tornaram-se dispositivos culturais de adequação estética. Reduzem o apetite fisiológico, mas não reduzem o olhar avaliativo do outro. Diminuem calorias, mas não diminuem a fome simbólica por pertencimento. O fenômeno não é conspiração farmacêutica nem fraqueza individual. É engrenagem social funcionando perfeitamente. O corpo emagrece. O algoritmo não. A pressão cultural permanece intacta. Este texto não condena nem celebra. Ele observa o mecanismo. Eu observo a cena como quem as...

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia 🎬 CANAL DO YOUTUBE. Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — com A Loka do Rolê Palavras-chave narcisismo negativo; capitalismo de vigilância; sociedade do cansaço; identidade; adolescência; angústia; soberania do eu; poder instrumentário. Resumo Há quem diga que estamos diante de uma “crise geracional”. Outros preferem falar em “emergência de saúde mental”. O discurso oscila entre o alarme e a estatística. O que raramente se nomeia é o arranjo estrutural: a infância e a adolescência tornadas infraestrutura de dados. Narciso deixou de se mirar na água; agora se mira numa superfície programada para devolver mais do que reflexo — devolve demanda. André Green chamou de trabalho do negativo; Byung-Chul Han falou do cansaço como sintoma da positividade compulsória; Zuboff descreveu a captura da experiência como matéria-prima. O que se apresenta como liberdade d...

A ERA DOS EXAUSTOS NÃO É TEMA — É CHÃO

A ERA DOS EXAUSTOS NÃO É TEMA — É CHÃO Acordar cansado não é sintoma. É método. Dormir cansado não é falha do corpo. É compatibilidade com o funcionamento. Chamaram de “era dos exaustos” como quem dá nome técnico para infiltração estrutural. Não é diagnóstico. É recibo. O cansaço virou paisagem. Ninguém estranha mais. Só administra. O sujeito não cai. Ele continua andando cansado. Isso é eficiência. Dizem que é burnout. Depois dizem que não é bem burnout. Que é exaustão difusa. Que é pós-pandemia. Que é desequilíbrio. Qualquer nome serve, desde que não encoste na causa. A causa não é excesso de tarefas. É a transformação da vida inteira em tarefa. O trabalho não termina. O descanso não começa. O corpo vira interface. A mente, planilha. Primeiro existe o corpo. Depois, a sobrevivência material. Depois, o discurso. Quando essa ordem se inverte, o discurso começa a falar alto demais. E quanto mais ele fala, menos a vida aparece. Nesse cenário, buscar no...

O ruído como sintoma civilizatório: quando o silêncio é privatizado e o barulho se torna norma

O ruído como sintoma civilizatório: quando o silêncio é privatizado e o barulho se torna norma Fonte:  https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx276gp5j18o Introdução Vivemos cercados por uma poluição invisível, mas talvez mais corrosiva do que a fumaça das fábricas ou os anúncios luminosos das avenidas digitais: o ruído. Não falo apenas do barulho do trânsito ou do cachorro do vizinho, mas do tremor contínuo de sons menores, quase imperceptíveis, que, somados, constroem uma atmosfera insuportável. A BBC Future trouxe à tona um fenômeno pouco discutido: a sensibilidade ao ruído — uma condição biológica, psíquica e social que atinge até 40% da população, mas que ainda não é reconhecida como diagnóstico formal. Na prática, significa viver em estado de hipervigilância acústica, onde o cérebro não consegue desligar os canais sonoros, transformando o ambiente em um campo minado de incômodos constantes. Este artigo busca tensionar o tema sob três dimensões: biológica, psicoló...

O bromismo não começou na boca

O bromismo não começou na boca Fonte;👇 https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/08/12/homem-desenvolve-condicao-psiquiatrica-rara-apos-consulta-ao-chatgpt-sobre-parar-de-comer-sal.ghtml Vivemos tempos em que o erro humano é vendido como prova da falibilidade da máquina — ou vice-versa — sem que ninguém se dê ao trabalho de perguntar onde, afinal, começou o enredo. O caso do homem de 60 anos que, confiando em um chatbot, trocou o sal por brometo de sódio até desenvolver uma condição psiquiátrica rara, é apresentado como um acidente isolado. Um descuido. Uma fatalidade. Mas é muito mais que isso: é um retrato fiel de um mundo que já se intoxicou muito antes do primeiro gole do veneno. O bromismo não começou na boca; começou no clique. No ato ritualizado de abrir o navegador, formular uma pergunta e aguardar a resposta como quem espera o veredito de um oráculo moderno. A diferença é que, ao contrário dos oráculos antigos, que ao menos tinham o senso dramático d...

Discursividade econômica e adoecimento social na crise brasileira

Discursividade econômica e adoecimento social na crise brasileira Em tempos de euforia contábil e discursos de "estabilidade", talvez seja hora de perguntar: o que adoece quando a economia melhora? Este ensaio articula dados concretos de informalidade, precarização, ansiedade e burnout com o discurso midiático da autonomia produtiva — revelando um Brasil que finge independência intelectual enquanto convulsiona por dentro. Atravessando Marx, Byung‑Chul Han e Dejours, o texto traça um mapa do sofrimento contemporâneo onde o corpo, o trabalho e a linguagem colapsam juntos. Não há solução no final. Apenas a dúvida bem colocada. 📎 Baixe o artigo completo aqui: https://drive.google.com/file/d/1ZNbRCVeigYD_T-xEf3Pk2BNxI9ZfUOYz/view?usp=drivesdk #maispertodaignorancia ✍️ Nota do autor José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), pesquisador independente e autor do projeto Mais Perto da Ignorância, dedicado a analisar a cultura digital, o trabalho e ...