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Quando Até a Dor Vira Conteúdo: A Psicologia Superficial Como Produto de Engajamento

Quando Até a Dor Vira Conteúdo: A Psicologia Superficial Como Produto de Engajamento INTRODUÇÃO — NÃO HÁ ESCUTA, SÓ ALGORITMO A circulação massiva de discursos “psicológicos” nas redes sociais produz a ilusão de que vivemos uma era de maior sensibilidade, maior autoconhecimento e maior preocupação pública com saúde mental. A realidade, porém, é menos nobre: não há escuta — há apenas algoritmos otimizando a aparência da escuta. A subjetividade não encontrou acolhimento; ela encontrou um mercado. O fenômeno observado é simples: a psicologia superficial se espalha porque entrega, de forma rápida e esteticamente palatável, uma explicação emocional para um sofrimento que ela mesma ajuda a formatar. Não se trata de ignorância conceitual, mas de funcionalidade — como afirma Bauman, vivemos em uma sociedade que prefere “sentidos rápidos” a significados duradouros. O usuário não busca verdade, busca alívio imediato: uma narrativa que organize o caos interno, ainda que de forma ilusó...

Suicídio Algorítmico: estatística, infância sequestrada e a falência civilizatória

Suicídio Algorítmico: estatística, infância sequestrada e a falência civilizatória O suicídio nunca foi apenas um ato individual. Durkheim já dizia que se trata de um “fato social”, reflexo da fragilidade ou da força dos laços que sustentam a vida. O problema é que, em pleno século XXI, os laços não desapareceram: multiplicaram-se em telas, mas tornaram-se líquidos, descartáveis, descartados antes mesmo de se tornarem vínculos. O que temos não é ausência de conexão, mas excesso de conexões frágeis — e é nesse paradoxo que o sujeito implode. O discurso do Setembro Amarelo parece trazer alívio: estatísticas, campanhas, números organizados. Mas como Freud advertiu em O mal-estar na civilização, cada cultura gera seu próprio sintoma. O que chamamos de “conscientização” talvez seja apenas a captura mercadológica do sofrimento. A depressão virou identidade discursiva; o suicídio, dado performativo. Surge a dúvida incômoda: criamos sintomas para justificar remédios ou criamos remé...