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O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED ou: enquanto você debate o mundo, alguém está sendo modulado por ele AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE:  materialidade, modulação comportamental, saúde mental, economia da atenção, sofrimento psíquico, tecnologia, trabalho, discurso digital, dependência comportamental, subjetividade RESUMO: A internet fala. O corpo paga. Este artigo investiga o contraste entre a inflação discursiva das redes sociais e as condições materiais que sustentam — e modulam — a vida contemporânea. Entre a promessa de autonomia digital e a evidência de sofrimento psíquico crescente, emerge uma reorganização silenciosa: o comportamento humano passa a ser capturado, analisado e induzido por estruturas econômicas e tecnológicas. Amparado em contribuições de Marx, Freud, Byung-Chul Han e Shoshana Zuboff, o texto propõe que o sofrimento psíquico não é falha individual nem ruído estatístico, m...

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”).

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer  (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”). A fagulha deste texto veio daqui: “Matrix estava certo? Cientista diz ter encontrado evidência física de que vivemos em uma simulação.” Publicado em O Globo – Época / Mundo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/03/06/matrix-estava-certo-cientista-diz-ter-encontrado-evidencia-fisica-de-que-vivemos-em-uma-simulacao-entenda.ghtml  A matéria levanta a velha fantasia tecnológica: talvez a realidade seja apenas código. Pode ser. Mas antes de transformar o universo em software, talvez valha uma pergunta mais simples — quem está discutindo simulação com o estômago cheio e quem ainda está tentando colocar frango na mesa. Porque enquanto alguns debatem se o mundo é algoritmo, outros continuam lidando com aquilo que nenhuma simulação resolve: corpo, fome, trabalho e sobrevivência. A manchete apareceu animada: um cientista afirma ter...

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta.

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave; progresso; história; materialidade; discurso; trabalho; corpo; tecnologia; sofrimento social. Resumo Existe uma narrativa recorrente: a humanidade nunca viveu tão bem. A técnica venceu a fome, a medicina venceu as doenças, a ciência venceu a ignorância. O gráfico sobe, a expectativa de vida cresce, a produção agrícola explode, e alguém conclui: “logo, estamos melhores”. A Loka do Rolê olha para essa celebração com a paciência de quem já viu esse filme. Porque gráficos contam histórias elegantes — mas o corpo não vive em gráfico. Vive em salário mínimo, fila de hospital, esgotamento mental, precarização do trabalho e dívida crônica. A pergunta não é se houve progresso técnico. Houve. A pergunta é outra: quando o progresso vira argumento discursivo para explicar o presente, ele está des...

A TELA NÃO INVENTOU O SINTOMA. ELA SÓ TROUXE LUZ.

A TELA NÃO INVENTOU O SINTOMA. ELA SÓ TROUXE LUZ. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: tecnologia, infância, sintoma, materialidade, discurso alarmista, capitalismo de atenção, historicidade. Resumo Toda época descobre um vilão pedagógico. Já foi o romance barato, já foi o rádio, já foi a televisão, já foi o videogame. Agora é a tela. O discurso corre mais rápido que o método. Manchetes falam em “destruição cerebral”, “burnout digital aos oito anos”, “infância sequestrada”. A Loka do Rolê observa. Não para defender tecnologia. Nem para demonizar. Mas para lembrar que o sintoma nunca nasce do discurso — ele nasce do atravessamento material que reorganiza o corpo. A escrita reorganizou a memória. A prensa reorganizou a verdade. A fábrica reorganizou o tempo. A plataforma reorganiza a atenção. E a gente finge que o problema é o objeto. Não é. É a estrutura. E estrutura não cabe em vídeo de 30 segundos. ...

NÃO HÁ OUTRO. SÓ ECO COM WI-FI.

NÃO HÁ OUTRO. SÓ ECO COM WI-FI. Autor: A Loka do Rolê Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: escuta simulada; espelho discursivo; tecnologia; mal-estar; engajamento; eco; materialidade; Freud; Marx; Zuboff; ética. Resumo Eu não vim anunciar futuro. Não vim prever colapso nem vender redenção digital. Eu vim nomear um incômodo: vocês chamam de diálogo aquilo que talvez seja apenas eco estatístico. A tecnologia não inventou o narcisismo — ela só colocou fibra óptica nele. Não criou o mal-estar — só o organizou em dashboard. O que hoje chamam de “novo sujeito digital” é o mesmo sujeito dividido de sempre, agora metrificado. A diferença não é ontológica; é operacional. Se há algo de novo, é a contabilidade do olhar. Curtida virou forma numérica do reconhecimento. Engajamento virou moeda do espelho. E eu não estou aqui para oferecer saída. Estou aqui para manter o ruído. Introdução — O Impasse Não É Futuro, É Estrutura Eu não faço futurologia. E...

Ninguém sonha com celulares porque eles já colonizaram a vigília

Ninguém sonha com celulares porque eles já colonizaram a vigília Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave subjetividade, sonho, desejo, tecnologia, discurso, mal-estar 👉 SEGUE O LINK DA MATERIAL TRAZIDO;  https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/02/por-que-seu-celular-nao-costuma-aparecer-nos-seus-sonhos.ghtml  Por que quase ninguém sonha com celulares se passa o dia inteiro grudado neles? A pergunta parece curiosa, mas esconde um problema mais incômodo: talvez não sonhemos com celulares porque eles já ocupam o lugar onde o sonho deveria operar. Este artigo, escrito na voz da Loka do Rolê, tensiona a ideia de que a ausência do celular no sonho indicaria sua irrelevância psíquica. Pelo contrário: a tecnologia contemporânea não aparece no sonho porque deixou de ser objeto e se tornou ambiente. A partir de Freud, André Green, Byung-Chul Han e da crítica à cultura da performance, o...