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A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO

A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO 30/03/2026 — America/Sao_Paulo 📽️ CANAL NO YOUTUBE: Introdução — ninguém está escutando, só respondendo: Eu não começo pelo conceito. Eu começo pelo corpo. O corpo que não aguenta mais sustentar nada por muito tempo. O dedo que sobe a tela antes da frase terminar. O olho que já está na próxima coisa antes de entender a anterior. Isso não é distração. É condição. E dessa condição nasce uma coisa estranha: Todo mundo fala como se tivesse certeza. Ninguém trava. Ninguém recua. Ninguém diz “não sei”. E não é porque sabem. É porque não tem mais o que segure. Freud já tinha avisado — e ninguém quis escutar: Sigmund Freud não falou de clareza. Falou de conflito. O desejo não aponta caminho. Não organiza. Não resolve. Ele insiste. Ele escapa. Ele não fecha. E por isso precisava de limite. Lei. Outro. Corte. Sem isso, o desejo não vira liberdade. Vira dispersão. Durkheim entra onde Freud já tinha deixado a...

O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA

O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA Eu começo pelo corpo. Porque, se não começa aí, já começou errado. O corpo cansado, o sono quebrado, a atenção fragmentada, o sujeito que não sustenta mais uma leitura longa sem abrir outra aba — isso não é opinião. É condição. E não começou hoje. 🎥 CANAL NO YOUTUBE 👇: INTRODUÇÃO — O PROBLEMA NÃO É A CULTURA. É A ESCUTA QUE NÃO EXISTE Dizem que o mundo virou espetáculo. Que tudo ficou raso. Que ninguém mais pensa. Bonito. Organiza bem o incômodo. Mas explica mal o que está acontecendo. Porque quando você diz “o problema é cultural”, você desloca o problema para o campo da escolha. Como se fosse gosto. Como se fosse preferência. Não é. O que colapsou não foi o interesse. Foi a possibilidade de sustentar algo que não responde imediatamente. Não é falta de conteúdo. É excesso de estímulo. E excesso não produz pensamento. Produz saturação. FUNDAMENTAÇÃO — ENTRE FREUD, BAUMAN E HAN: O CORPO NÃO AGUENTA...

Você ainda acredita que está pensando por conta própria?

Você ainda acredita que está pensando por conta própria? Resumo: O avanço da inteligência artificial tem sido frequentemente descrito como uma revolução tecnológica voltada à otimização de tarefas cognitivas. No entanto, sua incidência ultrapassa o campo instrumental, atingindo diretamente a forma como o sujeito organiza linguagem, pensamento e elaboração. Este ensaio propõe que a padronização discursiva observada no uso crescente de IA não constitui um fenômeno isolado, mas um desdobramento de transformações estruturais já descritas por Freud, Bauman e Byung-Chul Han. A IA não inaugura o problema, mas o intensifica, ao ocupar o espaço anteriormente sustentado pelo esforço psíquico de elaboração. Introdução: A recente discussão sobre os efeitos da inteligência artificial na linguagem e no pensamento humano tem se concentrado na ideia de padronização. De acordo com matéria publicada pelo G1, pesquisadores e profissionais da área de saúde mental alertam que o uso frequente de...

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA A frase circula com facilidade:  “o futuro é semana que vem”. Ela aparece limpa, objetiva, quase elegante. Não exige esforço para ser entendida. Não pede tempo. Não pede elaboração. Ela se instala. E talvez seja exatamente isso que a torna eficiente. Porque não se trata de uma descrição do tempo. Trata-se de uma reorganização dele. Quando o futuro é colocado tão próximo assim, o presente deixa de funcionar como espaço de experiência e passa a operar como espaço de resposta. Não é mais onde algo acontece — é onde algo precisa ser entregue. O tempo deixa de ser vivido e passa a ser cobrado. O problema é que essa cobrança não nasce da materialidade. Ela nasce do discurso. Os dados que sustentam essa narrativa existem. E são reais. Relatórios do INEP, cruzados com dados do PISA da OCDE, mostram queda no desempenho em matemática, leitura e ciências em diversos contextos, inclusive no Brasil. Estudos recentes as...

A mente virou código, mas o corpo continua pagando a conta

A mente virou código, mas o corpo continua pagando a conta Introdução — a falha da escuta: A cena se repete: fala-se de saúde mental como se fosse um problema de interpretação, de discurso, de narrativa individual. Mas o que aparece não é falta de explicação — é excesso de mediação. A escuta falha não porque ninguém fala. Falha porque tudo já chega organizado, classificado, nomeado antes de ser vivido. O sujeito não fala. Ele preenche categorias. E quando tudo vira categoria, ninguém escuta mais nada. Fundamentação teórica: Descrição factual: Os sistemas diagnósticos contemporâneos, como o DSM-5, organizam o sofrimento psíquico em classificações estruturadas por critérios observáveis, padronizados e replicáveis . Na neurociência, o funcionamento mental é associado a circuitos, neurotransmissores e padrões de ativação cerebral, articulando comportamento e biologia . Na psicanálise, por outro lado, o sofrimento não se reduz a categorias fixas: ele emerge da singularidade da e...

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância Eu passei tempo demais olhando para a internet como quem olha para o céu. Não por encanto. Por erro de escala. A tela sempre ajuda a produzir esse engano. Ela achata tudo. Uma guerra é um meme. Um colapso logístico e um comentário espirituoso. Um caminhão carregado de arroz e uma análise sobre o futuro da civilização. Tudo do mesmo tamanho. Tudo cabendo no mesmo retângulo luminoso. Tudo fingindo equivalência. Foi aí que o truque ficou evidente. Não imediatamente. Essas coisas nunca ficam evidentes imediatamente. Primeiro elas circulam. Depois ganham nome. Depois viram opinião. Depois parecem realidade. Só muito mais tarde aparece o detalhe constrangedor: aquilo que sustenta o mundo quase nunca aparece com a mesma força daquilo que se comenta. Eu fiquei olhando para isso como quem encosta o ouvido numa parede para escutar o enc...

A VACINA NÃO SALVA O SUJEITO

A VACINA NÃO SALVA O SUJEITO Corpo, promessa biomédica e o mercado da abstinência 1. Introdução — O corpo não é o discurso O corpo não lê manchetes. O corpo responde a estímulos químicos. Antes de qualquer debate moral, jurídico ou motivacional, existe um dado material: a dependência química envolve alterações neurobiológicas mensuráveis. Alterações no sistema dopaminérgico mesolímbico, no circuito de recompensa, na plasticidade sináptica. O corpo aprende. O corpo repete. O corpo registra. Quando surge a proposta de uma vacina contra substâncias psicoativas — como cocaína ou opioides — estamos diante de uma intervenção que atua diretamente na interface entre molécula e receptor. Não é discurso. É bioquímica. Mas o problema começa quando a intervenção biológica é convertida em promessa de reorganização subjetiva. É aqui que o MPI interrompe a euforia. 2. Descrição Factual — O que a vacina faz (e o que não faz) Pesquisas conduzidas por centros como a UNIFESP e ins...