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A FOME COMO FILOSOFIA

A FOME COMO FILOSOFIA por que toda teoria social começa no estômago Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, fome, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga o paradoxo fundamental da civilização contemporânea: a proliferação de discursos digitais em uma sociedade que continua profundamente condicionada por necessidades materiais básicas. Inspirado no ceticismo radical de Cioran, no materialismo histórico de Marx e nas críticas culturais de Byung-Chul Han, o texto argumenta que toda produção simbólica depende da reprodução biológica da vida. Redes sociais, debates geopolíticos e narrativas ideológicas podem circular incessantemente no ambiente digital, mas permanecem subordinados a uma condição simples: o ser humano precisa comer. A fome, portanto, não é apenas um fenômeno biológico; é o fundamento silencioso de toda organização social. Antes de qualquer filosofia, existe diges...

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”).

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer  (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”). A fagulha deste texto veio daqui: “Matrix estava certo? Cientista diz ter encontrado evidência física de que vivemos em uma simulação.” Publicado em O Globo – Época / Mundo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/03/06/matrix-estava-certo-cientista-diz-ter-encontrado-evidencia-fisica-de-que-vivemos-em-uma-simulacao-entenda.ghtml  A matéria levanta a velha fantasia tecnológica: talvez a realidade seja apenas código. Pode ser. Mas antes de transformar o universo em software, talvez valha uma pergunta mais simples — quem está discutindo simulação com o estômago cheio e quem ainda está tentando colocar frango na mesa. Porque enquanto alguns debatem se o mundo é algoritmo, outros continuam lidando com aquilo que nenhuma simulação resolve: corpo, fome, trabalho e sobrevivência. A manchete apareceu animada: um cientista afirma ter...

Entre a carne e o código: corpo, dado e a falsa soberania do sujeito

Entre a carne e o código: corpo, dado e a falsa soberania do sujeito Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cnv716g5v4yo 1. Introdução — O paradoxo inicial O algoritmo sabe o que você vai comer amanhã — mas ainda não pode mastigar por você. Essa ironia resume a tensão do nosso tempo: vivemos mergulhados em ecossistemas digitais que nos tratam como bases de dados preditivos, mas continuamos existindo como organismos que respiram, sentem fome, adoecem e morrem. O discurso hegemônico sobre “o poder das máquinas” nos seduz pela narrativa de que a tecnologia opera num plano acima das nossas limitações biológicas. Mas aqui está o ponto: culpabilizar apenas o algoritmo é um álibi confortável. A máquina não tem fome, nem sede, nem ambição; quem a programa, quem lucra com ela, sim. Shoshana Zuboff, em A Era do Capitalismo de Vigilância, descreve como o dado se tornou a nova matéria-prima de um mercado que se alimenta da vida cotidiana. Mas há um erro com...