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Domar a dopamina!

Domar a dopamina O título já chega errado. E chega com a arrogância típica de quem nunca carregou um corpo até o fim do dia. “Domar a dopamina.” Como se fosse bicho. Como se fosse objeto. Como se fosse um frasco. Como se desse para comprar no balcão, pagar no Pix e sair andando mais leve. Dopamina não é metáfora. O discurso é. Dopamina é operação biológica. O discurso é o atraso tentando virar comando. O humano inventa palavra para se sentir no controle do que já está acontecendo por baixo. Sempre foi assim. É a parte cômica. A parte trágica não vende, então fica só o cômico. Dopamina não sabe o que é “domar”. Dopamina não sabe o que é “vontade”. Dopamina não sabe o que é “autocuidado”. Ela só responde. Ela só modula. Ela só participa de circuitos que não pediram autorização para existir. E aí vem a notícia com a cara de jornalismo sério e o coração de manual. Ela fala de prazer e alerta. Ela fala de vício e risco. Ela fala de um sujeito que poderia — veja a beleza do verbo...

Quando a máquina deita no divã, o que aparece é a psicotização do mundo

Quando a máquina deita no divã, o que aparece é a psicotização do mundo Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551): Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: psicotização; inteligência artificial; escuta; ética; psicopatia estrutural; subjetividade; algoritmo; clínica; simulação Resumo: Este ensaio apresenta e desenvolve a Hipótese da psicotização (Lucindo, MPI) como chave crítica para compreender a cultura algorítmica contemporânea e seus efeitos sobre a escuta, o cuidado e a subjetividade. Diferentemente de categorias clínicas ou diagnósticas, a psicotização é aqui tratada como processo discursivo e civilizatório, marcado por funcionalidade extrema, coerência sem implicação ética, simulação de afeto e ausência de alteridade real — traços estruturalmente próximos à lógica psicopática, sem patologizar sujeitos. A partir da repercussão midiática de um estudo que submeteu modelos de linguagem a “sessões terapêuticas”, o texto s...

@alokanorole — QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO

QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Mini bio:  Psicólogo e pesquisador independente. Este texto constitui uma elaboração ensaística entre muitas possíveis, sem pretensão de consenso, verdade final ou orientação normativa. Palavras-chave: corpo; sobrevivência; discurso midiático; ética; materialidade; confiança; limite. RESUMO Esta crônica articula, de forma ensaística e crítica, os depoimentos públicos relacionados ao caso do jovem Roberto Farias Tomaz, desaparecido por cinco dias no Pico Paraná, a partir de uma leitura centrada na materialidade do corpo e na posterior produção discursiva. Sem emitir juízo jurídico, moral ou clínico, o texto tensiona a distância entre o acontecimento corporal extremo e a tentativa civilizatória de reorganizá-lo por meio de valores como confiança, erro, abandono e aprendizado. Sustenta-se que, quando o corpo entra em modo de sobrevivência, o discurso perde ...

Quando o corpo decide, o valor atrapalha

Quando o corpo decide, o valor atrapalha 🎧 OUÇA O TEXTO NARRADO: AUTOR: José Antônio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE: materialidade; sobrevivência; discurso midiático; confiança; abandono; ética; psicologia social RESUMO: Este texto parte de um acontecimento amplamente repercutido pela mídia brasileira — um jovem que se perdeu durante dias em uma trilha no Paraná — não para julgá-lo, explicá-lo ou extrair lições morais, mas para tensionar o modo como eventos materiais são rapidamente convertidos em narrativas valorativas. A crônica sustenta que, em situações-limite, o corpo opera em um registro anterior à moral, à confiança simbólica e à discursividade civilizatória. O que se costuma nomear como “abandono” ou “quebra de confiança” revela mais sobre a necessidade social de organizar o susto do que sobre o acontecimento em si. Sem prescrição, sem orientação e sem conclusão normativa, o texto aponta para o descompasso entre uma material...

Quando a escuta vira interface: psicotização digital, burnout e o colapso silencioso do humano

Quando a escuta vira interface: psicotização digital, burnout e o colapso silencioso do humano Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: psicotização digital; escuta; inteligência artificial; burnout; subjetividade; trabalho; psicanálise; ética. Resumo Este artigo ensaístico-crítico analisa o que o Projeto Mais Perto da Ignorância denomina psicotização digital: um modo de existência contemporâneo em que o sofrimento psíquico deixa de operar como ruptura clínica e passa a funcionar como performance identitária em ambientes técnicos. A partir de dados públicos sobre conectividade, saúde mental e trabalho no Brasil, de análises recentes sobre burnout, solidão e uso de inteligência artificial como simulacro de escuta, e do diálogo com Freud, Fédida, Nietzsche, Becker e Byung-Chul Han, sustenta-se que o adoecimento atual não decorre de fragilidade individual, mas de um colapso simbólico estrutural. O burnout, a busca por escuta ...

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância #alokadorole #maispertodaignorancia Resumo O presente artigo examina o fenômeno da antropomorfização das inteligências artificiais, entendendo-o como sintoma de um esgotamento da escuta humana. A partir de uma perspectiva psicanalítica e filosófica, analisa-se a tendência do sujeito contemporâneo a projetar consciência sobre sistemas maquínicos de linguagem, atribuindo-lhes funções reflexivas, terapêuticas e até espirituais. O estudo parte de casos relatados pela imprensa internacional — em especial, processos judiciais movidos contra a OpenAI por supostos suicídios relacionados ao ChatGPT —, para demonstrar que o problema não reside na tecnologia, mas na forma como o humano usa a máquina como substituto da própria capacidade de se escutar. A metodologia segue a tradição qualitativa-descritiva da p...

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância #alokadorole #maispertodaignorancia Resumo O presente artigo investiga o fenômeno contemporâneo da antropomorfização dos sistemas de linguagem digital, tomando como ponto de partida as ações judiciais contra a OpenAI por supostos casos de suicídio e delírio envolvendo o ChatGPT. A análise desloca o foco da tecnologia em si para a projeção humana sobre a máquina, questionando como o discurso digital reflete, amplifica e anestesia a falência da escuta humana. Utilizando o método qualitativo-descritivo proposto por Shaughnessy, Zechmeister & Zechmeister (2012) e uma abordagem psicanalítica de leitura freudiana, o texto propõe que a suposta “inteligência artificial” não é mais que um sintoma mercadológico de uma humanidade esgotada de si mesma. A partir da voz narrativa da Loka do Rolê — entidade d...