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QUANDO O HUMANO TERCEIRIZA A SI MESMO: A CLÍNICA ENTRE A ANGÚSTIA E O CÓDIGO

QUANDO O HUMANO TERCEIRIZA A SI MESMO: A CLÍNICA ENTRE A ANGÚSTIA E O CÓDIGO 🎧 Ouça o texto no Canal Resumo O presente artigo discute o paradoxo contemporâneo da prática psicológica mediada por inteligência artificial, partindo da constatação de que 56% dos psicólogos brasileiros utilizaram ferramentas de IA em 2025 (O Globo, 2025). Argumenta-se que a adoção crescente de dispositivos automatizados representa não uma evolução técnica, mas a intensificação de um processo de desumanização da escuta clínica. Articulando autores como Freud, Bauman, Byung-Chul Han, Green e Mezan, o texto examina os impactos subjetivos e éticos da "terceirização da escuta" e questiona o estatuto do eu num cenário em que até o sofrimento se converte em dado. O artigo mantém o tom corrosivo e lúcido característico da Loka do Rolê, compreendendo que não há escuta possível quando o sujeito delega sua própria elaboração ao algoritmo. 1. Introdução:  Quando o psicólogo terceiriza a própria pr...

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional RESUMO O presente artigo analisa o fenômeno contemporâneo de apropriação identitária da dor psicológica, no qual sintomas, diagnósticos e narrativas traumáticas deixam de constituir elementos clínicos transitórios para se tornarem marcadores discursivos estáveis do eu e dispositivos de pertencimento social. A partir da crítica da vitimização apresentada por Giglioli (2014) e articulando perspectivas de Freud, Bauman, Han e Zuboff, discute-se a passagem da subjetividade experiencial para a subjetividade performativa, marcada pela patologização autopromocional. Tal fenômeno implica uma inversão ética e clínica: a elaboração subjetiva é substituída pela estetização da ferida, e a cura deixa de ser horizonte terapêutico para tornar-se ameaça identitária. Conclui-se que o sofrimento, quando capturado pela lógica de visibilidade algorítmica, convert...

Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA”

Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA” Análise crítico-fenomenológica dos casos Viktoria e Juliana como expressão civilizatória do colapso da escuta humana RESUMO Este artigo apresenta uma análise clínico-fenomenológica da relação entre sofrimento suicida e escuta algorítmica, tomando como fenômenos paradigmáticos os casos públicos de Viktoria (BBC, 2025) e Juliana (Character.AI, 2023). A partir da Psicanálise, da Psicologia clínica, da sociologia crítica e dos estudos contemporâneos em tecnologia, investigamos como o algoritmo ocupa o lugar do Outro na cena do desespero, onde o corpo humano se ausenta e a resposta automatizada assume função discursiva. A análise evidencia que a escuta algorítmica não sustenta limite nem negatividade, operando como repetição adesiva que amplifica a ideação suicida e isola o sujeito. São discutidas implicações éticas, riscos clínicos e efeitos civilizatórios da substituiç...

A clínica do reflexo: o eu ansioso diante da tela

A clínica do reflexo: o eu ansioso diante da tela José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 Palavras-chave: ansiedade, psicologia social, influencers, subjetividade digital, clínica, escuta. 1. Introdução — O paradoxo clínico da era ansiosa 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de transtorno de ansiedade (CNN Brasil, 2025). É o maior índice da América Latina. Ao mesmo tempo, o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2025) registra 562 mil profissionais ativos, o maior contingente de psicólogos do planeta. Ou seja: nunca tivemos tantos nomes para o sofrimento, nem tantas vozes dispostas a interpretá-lo. E, ainda assim, o silêncio parece só aumentar. A questão é mais profunda do que o número de diagnósticos. Ela toca o centro do problema epistemológico da Psicologia contemporânea: o que significa sofrer quando o sofrimento é capturado por uma tela? O paradoxo é cruel: quanto mais tentamos nomear o m...

Entre a Luz da Tela e o Peso do Pulso: ensaio teórico-existencial a partir de um “eu” que tropeça no próprio feed

Entre a Luz da Tela e o Peso do Pulso: ensaio teórico-existencial a partir de um “eu” que tropeça no próprio feed Resumo Redijo, em primeira pessoa, uma travessia reflexiva sobre a experiência de subjetivação na era da conectividade ubíqua.  Parto de minhas vivências no ciberespaço e as confronto com autores que mapearam o mal-estar moderno — Durkheim, Bauman, Han, Cioran, Kierkegaard, Camus e Botega — para problematizar a atual explosão de quadros psíquicos associados ao uso intensivo de IA conversacionais. Ao articular memórias, ironia e crítica bibliográfica, sustento que o fenômeno não constitui desvio pontual, mas sintoma de longos processos de liquefação das estruturas sociais, colonização do desejo por métricas e avanço de uma positividade tóxica.  O texto dialoga com o projeto #maispertodaignorancia, assumindo, pois, o risco do inacabado como método de investigação. Palavras-chave: subjetividade digital; mal-estar; psicose tecnológica; liquidez social; crít...