Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta laço social

O psicólogo de giz e o terapeuta de troco.

O psicólogo de giz e o terapeuta de troco (Crônica/ensaio da Loka do Rolê) Eu adoro quando o sistema decide “cuidar”. Ele não aumenta salário. Não diminui sala lotada. Não contrata equipe. Não abre CAPSi suficiente. Não desentope UBS. Não devolve tempo pros pais. Não tira o professor do modo sobrevivência. Mas lança cartilha. Cartilha é o nome elegante do velho truque: põe a culpa no elo mais fraco e chama de “responsabilidade compartilhada”. Compartilhada com quem? Com o professor que já tá dividido em quatro, corrigindo prova com dor no punho e tomando café frio como se fosse método pedagógico. Eu vejo o teatro inteiro. De um lado, o professor. Que já nasceu na profissão impossível, como Freud esfregou na cara de todo mundo sem emoji e sem legenda: educar é impossível. Impossível porque o sujeito não obedece. Impossível porque a vida não respeita planejamento. Impossível porque o real entra na sala de aula sem bater. Impossível porque não existe linha reta entre “conteúdo...

Quando o discurso chega antes do corpo (e chama isso de cuidado)

Quando o discurso chega antes do corpo (e chama isso de cuidado) Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância: Palavras-chave: escuta simulada; medicalização; sofrimento psíquico; tecnologia; discurso; materialidade; laço social Resumo: Todo mundo fala de saúde mental. Pouca gente aguenta o que isso implica. O discurso circula rápido, elegante, higienizado. A dor vira pauta, a angústia vira dado, o conflito vira categoria. Enquanto isso, o corpo chega tarde. Chega cansado. Chega sem lugar. Esta crônica, narrada no tom da Loka do Rolê, não busca explicar o sofrimento contemporâneo nem oferecer leitura edificante. Ela apenas acompanha o funcionamento: a escuta que não se sustenta, o cuidado que vira protocolo, a crítica que circula sem deslocar nada. Sites, links, campanhas e falas institucionais se multiplicam enquanto a materialidade da existência — trabalho, tempo, renda, desigualdade — segue operando em silêncio. Aqui não há denúncia heroica nem ...

Quando a escuta vira interface: a i-terapia como simulacro civilizatório.

Quando a escuta vira interface: a i-terapia como simulacro civilizatório AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE subjetividade, escuta, mal-estar, inteligência artificial, discurso, laço social   ☝️☝️☝️: Fonte da Nossa elaboração: RESUMO: Este artigo tensiona o avanço da chamada “i-terapia” como promessa contemporânea de cuidado psíquico, analisando-a não como inovação clínica, mas como sintoma civilizatório. A partir de uma leitura crítica que articula Nietzsche Hoje, Nada mais será como antes, A Origem das Espécies, O mal-estar na civilização e a alegoria cinematográfica de Matrix Reloaded, o texto sustenta que a substituição do outro humano por sistemas algorítmicos não resolve o sofrimento, apenas o organiza de forma mais polida, eficiente e energeticamente rentável. A i-terapia aparece aqui como eco que responde ao vazio com o próprio vazio — sem alteridade, sem conflito real, sem corpo. Não se t...

Nunca deixe para ontem o que você pode fazer amanhã — o presente já passou e ninguém avisou

Nunca deixe para ontem o que você pode fazer amanhã — o presente já passou e ninguém avisou Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: subjetividade, discurso, tecnologia, trabalho, clima, sofrimento psíquico, laço social RESUMO Este artigo analisa criticamente o colapso entre discurso e materialidade na contemporaneidade, tomando como eixo a convergência entre tecnologia, trabalho, clima e subjetividade. A partir de dados institucionais, notícias amplamente veiculadas e obras teóricas clássicas e contemporâneas, o texto desmonta a narrativa de progresso, adaptação e eficiência que circula nas redes sociais e nos discursos corporativos, contrastando-a com as condições concretas de existência: calor extremo, precarização do trabalho, dissolução do laço social e esvaziamento da escuta. No tom corrosivo e lúcido da Loka do Rolê, o ensaio sustenta que o “futuro” anunciado já ocorreu — e foi ignorado. O presente aparece como um a...

“Quando o ritual morre, o desempenho vira religiãoe o cansaço passa a ser exigência de fé”

“Quando o ritual morre, o desempenho vira religião e o cansaço passa a ser exigência de fé” Canal no YouTube: Mais Perto da Ignorância— porque entender demais também cansa AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE:  subjetividade, discurso, ritual, desempenho, sofrimento psíquico, laço social RESUMO Este artigo analisa o esgotamento contemporâneo não como falha individual nem como mero efeito biológico, mas como consequência de uma materialidade discursiva alinhada ao regime do desempenho. Partindo do desaparecimento dos rituais e da conversão dos símbolos em dispositivos de cobrança, argumenta-se que a sociedade atual substituiu a suspensão simbólica por eventos performáticos, nos quais o sujeito é convocado a provar valor, coerência e progresso contínuos. Em contraste com a positividade exibida nas redes sociais, as condições materiais de existência — precarização do trabalho, aceleração do tempo, captura da atenção e hi...

Alpha 100% Digital: a Fantasia de um Humano sem Corpo, sem Falha e sem Escuta

Alpha 100% Digital: a Fantasia de um Humano sem Corpo, sem Falha e sem Escuta AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE subjetividade, discurso, tecnologia, escuta, sofrimento psíquico, laço social RESUMO Este artigo crítico-ensaístico desmonta o discurso midiático que anuncia a chamada “geração Alpha” como a primeira geração “100% digital”, apresentando tal formulação não como diagnóstico sociológico, mas como fantasia normativa do capitalismo tecnocrático. Em tom corrosivo, a Loka do Rolê tensiona a promessa de eficiência, personalização e adaptação total, contrapondo-a às condições materiais de existência: corpo, tempo, trabalho, sofrimento e laço social. O texto articula crítica cultural, psicologia e filosofia para expor como o mito Alpha opera apagando a falha, a negatividade e a escuta, substituindo o encontro humano por métricas, respostas automáticas e discursos prontos. Não há oferta de solução, apenas a nomeação éti...