Saúde Mental Não Paga Boleto Autor: José Antônio Lucindo da Silva: Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: trabalho; materialidade; saúde mental; discurso; precarização; subjetividade; capitalismo tardio; exclusão simbólica. Resumo: Falam de saúde mental como se ela fosse anterior ao corpo, como se existisse antes da fome, antes da conta de luz, antes do aluguel atrasado. O discurso contemporâneo transforma sofrimento em pauta é pauta em mercadoria, mas só depois que a materialidade mínima já está garantida. Este texto tensiona a ideia de “saúde mental no trabalho” mostrando que ela só existe depois que o trabalho já operou sua função central: garantir pertencimento simbólico. Fora do trabalho, o sofrimento não vira diagnóstico — vira silêncio. O desempregado não é um sujeito adoecido: é um sujeito ilegível. A saúde mental surge como nova moral do trabalho, ao mesmo tempo em que administra seus restos e protege a estrutura que adoece. Não há pro...
Quando a lei chega depois do corpo Um diálogo da Loka do Rolê com Durkheim, Freud e Becker A Loka do Rolê: Vocês gostam de chamar isso de exceção. “Caso extremo.” “Desvio.” “Monstruosidade.” Eu chamo de rotina que escapou do tapete. Porque o resto — o que não vira manchete — vocês varrem todo dia com discurso adulto e consciência limpa. Émile Durkheim: Nenhum ato nasce no vácuo. Quando a norma enfraquece, o desvio aparece. A violência não é acidente individual, é sintoma coletivo. Falha de regulação. Falha de limite. A Loka do Rolê: Eu sei. Por isso que ninguém devia fingir surpresa. Quando todo mundo aprende que limite é grosseria e autoridade é abuso, alguém vai testar até onde dá. Sempre testa. A pergunta não é por que aconteceu. É: por que vocês achavam que não ia acontecer? Durkheim: O choque público cumpre função ritual. A indignação recompõe a moral coletiva. A punição restaura a confiança no sistema. A Loka do Rolê: Ou seja: a punição serve mais para aca...