Quais permanências psicobiossociais tornam diferentes formas de dependência historicamente possíveis? PARTE 1 — O acontecimento nunca chega sozinho Toda investigação começa com um acontecimento. Essa talvez seja a afirmação mais simples do Método Editorial do Mais Perto da Ignorância (MPI). Ao mesmo tempo, é uma das mais difíceis de sustentar. Vivemos em uma época que exige interpretações imediatas, diagnósticos rápidos e respostas instantâneas. Antes mesmo de compreendermos o que aconteceu, alguém já explicou suas causas, apontou culpados e apresentou soluções. O acontecimento mal emerge e já é coberto por camadas de discursos que disputam seu significado. O MPI propõe o caminho inverso. Não porque desconfie do conhecimento produzido até aqui, mas porque reconhece que o conhecimento também possui história, interesses, limites e condições de produção. Antes de perguntar o que um acontecimento significa, torna-se necessário perguntar o que, de fato, aconteceu. Essa mudança p...
Quando a conversa se torna um problema PODCAST DRAMATURGICO 01: Parte I — O problema começa antes das palavras Há fenômenos que passam despercebidos justamente porque continuam acontecendo todos os dias. Não desaparecem de uma vez. Reorganizam-se lentamente até que a nova forma de existir pareça natural. É somente quando alguém afirma que "as pessoas já não conversam como antes" que aquilo que parecia invisível volta a chamar atenção. A afirmação não é recente. Em diferentes épocas, intelectuais, educadores, religiosos e pesquisadores registraram preocupação com transformações nas formas de convivência humana. Mudam os objetos — o rádio, a televisão, a internet, os telefones celulares, as plataformas digitais, a inteligência artificial —, mas permanece a impressão de que alguma dimensão da experiência compartilhada estaria sendo perdida. Uma dessas interpretatações foi recentemente apresentada no artigo "A geração que desaprendeu a conversa...