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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE

ENTRE A IMAGEM E O ALGORITMO: QUANDO O LIMITE DEIXA DE SER RECONHECIDO E A REALIDADE VIRA INTERFACE José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo Clínico — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Data: 25 mar. 2026 RESUMO: O presente artigo examina a circulação de imagens em ambientes digitais, a padronização discursiva mediada por sistemas de inteligência artificial e seus efeitos na organização da experiência contemporânea. Parte-se da hipótese de que não se trata de um aumento quantitativo do uso tecnológico, mas de uma reorganização das condições materiais de existência. A imagem deixa de operar como registro e passa a funcionar como dado circulante; a linguagem deixa de se constituir como elaboração e passa a ser antecipada por sistemas técnicos; o limite, embora ainda operante no corpo, deixa de ser reconhecido como referência organizadora. Sustenta-se que o sujeito não perde o real, mas deixa de se orientar por ele. Palavras-chave: materialidade; mediação; in...
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Você ainda acredita que está pensando por conta própria?

Você ainda acredita que está pensando por conta própria? Resumo: O avanço da inteligência artificial tem sido frequentemente descrito como uma revolução tecnológica voltada à otimização de tarefas cognitivas. No entanto, sua incidência ultrapassa o campo instrumental, atingindo diretamente a forma como o sujeito organiza linguagem, pensamento e elaboração. Este ensaio propõe que a padronização discursiva observada no uso crescente de IA não constitui um fenômeno isolado, mas um desdobramento de transformações estruturais já descritas por Freud, Bauman e Byung-Chul Han. A IA não inaugura o problema, mas o intensifica, ao ocupar o espaço anteriormente sustentado pelo esforço psíquico de elaboração. Introdução: A recente discussão sobre os efeitos da inteligência artificial na linguagem e no pensamento humano tem se concentrado na ideia de padronização. De acordo com matéria publicada pelo G1, pesquisadores e profissionais da área de saúde mental alertam que o uso frequente de...

Eles não perderam o limite — eles não o experimentaram

Eles não perderam o limite — eles não o experimentaram Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê Palavras-chave: limite; infância; materialidade; algoritmo; socialização; violência; discurso; regulação Resumo Este artigo propõe uma análise crítico-ensaística sobre a ausência de experiência de limite na formação contemporânea de crianças e adolescentes. A hipótese central sustenta que o problema não se reduz à transgressão de normas, mas à insuficiência de condições materiais e relacionais que possibilitem o reconhecimento dessas normas como limite. A partir de uma estrutura analítica que privilegia corpo, condição material, organização social, técnica e discurso, o texto argumenta que a crescente regulação normativa — especialmente no ambiente digital — opera de forma dissociada da experiência concreta de interdição. Tal dissociação tende a produzir intensificação do controle externo sem cor...

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: red-pill; corpo; materialidade; ressentimento; discurso; desejo; algoritmo; subjetividade Resumo: Vocês juram que acordaram. Engraçado. Porque continuam com fome, continuam trabalhando, continuam precisando de alguém que não os escolha. A tal pílula vermelha não revela o real — ela reorganiza o desconforto em discurso. Este texto não discute a red-pill como teoria, mas como sintoma: uma tentativa de dar forma à frustração quando o corpo já não sustenta o que a cabeça insiste em explicar. O que aparece como lucidez é apenas ressentimento bem organizado, embalado para circular em plataformas que lucram com repetição. Aqui não há promessa de saída. Há apenas a exposição de um impasse: quando o sujeito não suporta o não do outro, ele inventa um sistema onde o outro passa a ser o problema. No fim, não é sobre verdad...

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU RESSENTIMENTO ORGANIZADO

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU RESSENTIMENTO ORGANIZADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: Redpill; machosfera; ressentimento; desejo; Freud; Lacan; Melanie Klein; violência de gênero; discurso; ilusão de controle Resumo Este texto é um ensaio narrativo construído a partir de uma posição autoral explícita: eu, José Antônio, psicólogo, sustento a escrita como campo de análise e elaboração crítica. A chamada “voz da Loka do Rolê” não é entidade autônoma nem identidade paralela, mas um operador discursivo — uma forma estética e filosófica de tensionar o real, inspirada em tradições como Freud, Lacan, Klein e Cioran. A Redpill aparece aqui não como fenômeno isolado, mas como arranjo simbólico que tenta organizar o ressentimento diante do não do outro. O que se apresenta como “despertar” é lido como defesa psíquica: simplificação do desejo, redução do outro e tentativa de estabilizar o que é estrutu...

O FUTURO É SEMANA QUE VEM. O FRACASSO JÁ CHEGOU.

O FUTURO É SEMANA QUE VEM. O FRACASSO JÁ CHEGOU. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê 🎬 ASSISTA O VÍDEO NO CANAL DO YOUTUBE: Palavras-chave: tempo, algoritmo, desempenho, futuro, subjetividade, consumo, IA, cansaço, exclusão Resumo: O discurso de que “o futuro é semana que vem” não descreve o tempo — ele reorganiza a experiência do sujeito dentro dele. Ao comprimir o intervalo entre possibilidade e exigência, o presente deixa de ser vivido e passa a ser cobrado. Essa antecipação cria uma dívida subjetiva contínua, onde o sujeito se percebe sempre atrasado diante de um futuro que ainda não existe. Em um ambiente orientado por engajamento e retenção, essa tensão não é erro do sistema — é seu combustível. A tecnologia, nesse cenário, deixa de ser ferramenta e passa a operar como ambiente que organiza comportamento, desejo e percepção. O resultado não é apenas aceleração, mas uma forma estrutural de insuficiência permanente, o...

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA A frase circula com facilidade:  “o futuro é semana que vem”. Ela aparece limpa, objetiva, quase elegante. Não exige esforço para ser entendida. Não pede tempo. Não pede elaboração. Ela se instala. E talvez seja exatamente isso que a torna eficiente. Porque não se trata de uma descrição do tempo. Trata-se de uma reorganização dele. Quando o futuro é colocado tão próximo assim, o presente deixa de funcionar como espaço de experiência e passa a operar como espaço de resposta. Não é mais onde algo acontece — é onde algo precisa ser entregue. O tempo deixa de ser vivido e passa a ser cobrado. O problema é que essa cobrança não nasce da materialidade. Ela nasce do discurso. Os dados que sustentam essa narrativa existem. E são reais. Relatórios do INEP, cruzados com dados do PISA da OCDE, mostram queda no desempenho em matemática, leitura e ciências em diversos contextos, inclusive no Brasil. Estudos recentes as...