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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

O fígado, a ressaca moral e o país que prefere não saber

O fígado, a ressaca moral e o país que prefere não saber Autor: A Loka do Rolê Projeto: MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: álcool, saúde pública, negacionismo cotidiano, fígado, cultura do consumo, psicologia social, crítica discursiva. Entre os discursos aparentemente neutros que circulam em portais de saúde e conteúdos informativos sobre álcool, frequentemente aparece uma narrativa que parece simples: beber em excesso faz mal ao fígado. A informação é correta. O problema começa quando essa frase atravessa uma cultura que transformou o álcool em elemento estruturante da sociabilidade cotidiana. Neste ensaio crítico, a personagem A Loka do Rolê observa o contraste entre o discurso médico, os dados epidemiológicos e o comportamento coletivo diante deles. O texto examina a distância entre informação disponível e reconhecimento social do problema, destacando a forma como a banalização do consumo e a normalização cultural do álcool operam como mecanismos...
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A máquina não inventou nadaSó aprendeu rápido demais

A máquina não inventou nada Só aprendeu rápido demais Autor: Projeto Mais Perto da Ignorância / A Loka do Rolê Palavras-chave: trabalho, inteligência artificial, pejotização, STF, escala 6x1, capitalismo de dados, corpo, civilização produtiva Resumo: De repente surgiu um medo coletivo: a inteligência artificial vai destruir o trabalho humano. Curioso. Porque a história mostra que o trabalho humano já vinha sendo destruído com bastante eficiência muito antes de qualquer algoritmo aprender a escrever código. Entre decisões judiciais sobre pejotização, jornadas 6x1 normalizadas e o surgimento de movimentos como o Vida Além do Trabalho, talvez a questão não seja exatamente o avanço tecnológico. Talvez o problema seja outro: a tecnologia apenas automatizou uma lógica muito mais antiga — a de transformar corpos em peças substituíveis dentro de sistemas produtivos que sempre trataram gente como recurso. Introdução: A Loka do Rolê entra na sala A cena é semp...

A pílula vermelha e o espelho quebrado

A pílula vermelha e o espelho quebrado Machosfera, ressentimento e o homem que fala sozinho na internet Por A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: machosfera; redpill; reconhecimento; masculinidade; discurso digital. Resumo: Nos últimos anos, comunidades digitais masculinas passaram a organizar narrativas sobre relações de gênero sob nomes como redpill, incel e machosfera. Esses discursos afirmam revelar uma suposta “verdade” sobre mulheres, relacionamentos e poder social masculino. O presente ensaio analisa esse fenômeno a partir de uma perspectiva crítica inspirada em Freud, Hegel e Lacan, observando como frustrações individuais são reorganizadas em narrativas coletivas dentro da infraestrutura algorítmica das redes sociais. O argumento central é que tais discursos não são apenas ideologias misóginas isoladas, mas sintomas de uma transformação mais ampla nas formas de reconhecimento social da masculinidade. 1. A promessa da...

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI  Palavras-chave; vítima invisível; violência de gênero; dados estatísticos; discurso mediático; capitalismo de vigilância; Leviatã; limite simbólico. Resumo: A internet adora um monstro. Sempre adorou. O monstro gera clique, gera audiência, gera vídeo de análise, thread explicativa, podcast investigativo e comentário indignado. A vítima, curiosamente, quase sempre aparece menos. Não porque ela não exista — os dados estão aí, empilhados em relatórios, anuários e estatísticas oficiais. O problema é outro. Quanto mais dados surgem sobre violência, mais abstrata a vítima se torna. Ela vira taxa. Vira gráfico. Vira número. Enquanto isso, o agressor vira personagem. O presente ensaio observa esse curioso deslocamento narrativo: a transformação da experiência humana em dado estatístico e a conversão da violência ...

A civilização começou com um “não”, (e alguns discursos ainda não aprenderam a lidar com isso).

A civilização começou com um “não”, (e alguns discursos ainda não aprenderam a lidar com isso). Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave limite simbólico, ressentimento social, misoginia digital, violência de gênero, cultura algorítmica, discurso contemporâneo, masculinidade ferida. Resumo: Existe um detalhe pequeno na história da civilização que costuma passar despercebido: a palavra “não”. Antes de leis, contratos ou Estados, sociedades precisaram aprender a lidar com limites. O problema começa quando certos discursos contemporâneos tratam esse limite como afronta pessoal. Nas redes digitais, frustração afetiva, ressentimento masculino e economia algorítmica passam a se misturar. O resultado é um circuito discursivo curioso: rejeições individuais são reinterpretadas como teoria social, comunidades digitais transformam ressentimento em identidade coletiva e plataformas monetizam indignação. Ao mesmo tempo, dados institucionais ...