O BAR DO TIKTOK ESTAVA LOTADO, MAS NINGUÉM TINHA TEMPO PARA FICAR Uma crônica da Loka do Rolê sobre felicidade, sucesso, desejo, cansaço e os cadáveres discursivos que continuam bebendo depois de mortos Eu entrei no bar do TikTok porque aparentemente agora até o boteco precisa de algoritmo. Não tinha placa. Não tinha endereço. Não tinha garçom. Tinha uma tela. Uma tela enorme, brilhando no fundo do balcão, mostrando gente feliz em pedaços de quinze segundos. Uma gargalhada. Um carro. Uma viagem. Uma academia. Uma conquista. Uma criança. Um casal. Uma casa. Um corpo. Um prato bonito. Uma frase sobre vencer. Outra sobre prosperidade. Outra sobre felicidade. Outra sobre gratidão. Outra sobre disciplina. Outra sobre levantar cedo. Outra sobre não desistir. Outra sobre acreditar. Outra sobre trabalhar enquanto os outros dormem. Outra sobre descansar para produzir melhor. Outra sobre produzir enquanto descansa. Outra sobre descansar porque você merece. Outra sobre merecer porque produziu. Eu...
A LOKA DO ROLÊ ENTROU NA LIVE E DESCOBRIU QUE O DESEJO NÃO CABE NUM STORY Crônica de final de domingo sobre uma curtida, uma live, o desejo que ninguém vê e a necessidade humana de explicar aquilo que talvez não tenha explicação imediata Era domingo. Final de domingo. Aquele horário meio indecente em que o sujeito já começa a sentir a segunda-feira entrando pela fresta da porta, mas ainda tenta fingir que não viu. O café já não resolve. O sofá já virou extensão anatômica do corpo. O celular está na mão. E a humanidade, como sempre, está tentando descobrir alguma coisa sobre o amor através de uma tela de seis polegadas. Foi nesse cenário absolutamente promissor para a inteligência humana que a Loka do Rolê entrou numa live. Não entrou para procurar resposta. Não entrou para procurar namorado. Não entrou para investigar o próprio destino afetivo. Entrou porque estava ali. E porque, aparentemente, domingo à noite ainda permite que uma pessoa assista a desconhecidos discutindo relaci...