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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI  Palavras-chave; vítima invisível; violência de gênero; dados estatísticos; discurso mediático; capitalismo de vigilância; Leviatã; limite simbólico. Resumo: A internet adora um monstro. Sempre adorou. O monstro gera clique, gera audiência, gera vídeo de análise, thread explicativa, podcast investigativo e comentário indignado. A vítima, curiosamente, quase sempre aparece menos. Não porque ela não exista — os dados estão aí, empilhados em relatórios, anuários e estatísticas oficiais. O problema é outro. Quanto mais dados surgem sobre violência, mais abstrata a vítima se torna. Ela vira taxa. Vira gráfico. Vira número. Enquanto isso, o agressor vira personagem. O presente ensaio observa esse curioso deslocamento narrativo: a transformação da experiência humana em dado estatístico e a conversão da violência ...
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A civilização começou com um “não”, (e alguns discursos ainda não aprenderam a lidar com isso).

A civilização começou com um “não”, (e alguns discursos ainda não aprenderam a lidar com isso). Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave limite simbólico, ressentimento social, misoginia digital, violência de gênero, cultura algorítmica, discurso contemporâneo, masculinidade ferida. Resumo: Existe um detalhe pequeno na história da civilização que costuma passar despercebido: a palavra “não”. Antes de leis, contratos ou Estados, sociedades precisaram aprender a lidar com limites. O problema começa quando certos discursos contemporâneos tratam esse limite como afronta pessoal. Nas redes digitais, frustração afetiva, ressentimento masculino e economia algorítmica passam a se misturar. O resultado é um circuito discursivo curioso: rejeições individuais são reinterpretadas como teoria social, comunidades digitais transformam ressentimento em identidade coletiva e plataformas monetizam indignação. Ao mesmo tempo, dados institucionais ...

Manifesto da Loka do Rolê ou por que a civilização ainda depende de ouvir “não”

Manifesto da Loka do Rolê ou por que a civilização ainda depende de ouvir “não” Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: violência contra a mulher; misoginia contemporânea; cultura digital; ressentimento masculino; civilização; discurso social Resumo: Este manifesto apresenta os fundamentos analíticos do projeto Mais Perto da Ignorância (MPI), cuja proposta consiste em examinar criticamente discursos contemporâneos relacionados à violência simbólica e material contra mulheres no contexto brasileiro. A análise parte da observação de que determinadas narrativas difundidas em ambientes digitais buscam reorganizar frustrações individuais transformando-as em explicações ideológicas sobre o lugar do feminino na sociedade. Ao confrontar essas narrativas com dados institucionais produzidos por órgãos públicos brasileiros — como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Conselho Nacional de Justiça e o Observatório da Mulher contra a Violência — t...

#ocivilizacaocomecacomnao Quando o “não” vira problema:

#ocivilizacaocomecacomnao Quando o “não” vira problema: a estranha dificuldade de alguns homens com a autonomia feminina Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave violência contra a mulher; misoginia digital; cultura contemporânea; violência de gênero; discurso masculino; civilização Resumo Este artigo analisa criticamente discursos contemporâneos que tentam redefinir a posição social das mulheres a partir de narrativas ressentidas amplamente difundidas em ambientes digitais. Tais narrativas frequentemente descrevem a autonomia feminina — especialmente sua participação no mercado de trabalho e sua capacidade de escolha nas relações — como ameaça civilizacional. Entretanto, quando confrontadas com dados institucionais produzidos no Brasil por órgãos como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Conselho Nacional de Justiça e o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, essas narrativas revelam um contraste sign...

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples”

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples” Palavras-gírias: rolê, garrafa, algoritmo, coping líquido, cansaço social, marketing emocional, consumo escondido, sofrimento silencioso Interlúdio da Loka A garrafa não fala. O algoritmo também não. Mas os dois vendem a mesma coisa: alívio rápido para uma dor que ninguém quer ouvir. 1. O que os números dizem antes da promessa Antes de qualquer manual de solução rápida aparecer na prateleira, existe um detalhe incômodo: os dados epidemiológicos não cabem em fórmulas simples. Levantamentos citados por veículos como CNN Brasil e pelo IBGE indicam aumento do consumo de álcool entre mulheres nas últimas décadas. Estudos citados pela Fiocruz apontam que o álcool gera cerca de 18 bilhões de reais de impacto econômico anual no Brasil e está associado a aproximadamente 12 mortes por hora no país. A literatura epidemiológica brasileira também mostr...