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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

A máquina não começou no metal — e já não precisa mais aparecer

A máquina não começou no metal — e já não precisa mais aparecer Introdução — a falha da escuta começa antes da tecnologia: Eu começo pelo corpo. Porque, se não começa aí, já começou errado. O corpo cansado, o sono interrompido, a atenção fragmentada, a incapacidade de sustentar uma leitura contínua sem abrir outra aba — isso não é efeito colateral da tecnologia. Isso é condição. E não começou com aplicativo, nem com algoritmo. Começou quando a organização da vida passou a exigir repetição antes mesmo de exigir sentido. É nesse ponto que Lewis Mumford entra — não como previsão futurista, mas como descrição estrutural. A técnica não surge como ferramenta. Ela surge como forma de organizar o humano. E quando essa organização se estabiliza, a escuta desaparece. Fica só funcionamento. Fundamentação — a técnica como organização da vida: Em Art and Technics, Mumford não trata a técnica como objeto. Ele trata como sistema.  — A maior invenção técnica da humanidade n...
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O QUE NÃO SE LIGA: cannabis, cortisol e a ruptura entre tensão e resposta na contemporaneidade

O QUE NÃO SE LIGA: cannabis, cortisol e a ruptura entre tensão e resposta na contemporaneidade José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê Palavras-chave: Corpo; Tempo; Estresse; Cortisol; Cannabis; Ansiedade; Funcionamento; Limite. Resumo: Não é sobre a substância. Não é sobre escolha. Não é sobre erro individual. É sobre corpo em funcionamento diante de uma exigência que não cessa. O que aparece como ansiedade não é excesso isolado, mas sinal de um circuito que não se fecha. A cannabis entra nesse ponto como interferência, não como solução. Ela altera a dinâmica entre percepção, ativação e resposta, produzindo continuidade sem resolução. O corpo segue ativado, mas não organiza ação. O que se chama de vazio não é ausência, mas excesso sem integração. O texto sustenta que a ruptura não está no sujeito, mas na ligação entre tensão e resposta, mantendo o funcionamento onde não há mais sustentação. ...

A CONFIANÇA QUE NÃO ENCONTRA RESPOSTA: FUNCIONAMENTO, NARCISISMO E AUSÊNCIA DE OUTRO NA ERA DO DESEMPENHO

A CONFIANÇA QUE NÃO ENCONTRA RESPOSTA: FUNCIONAMENTO, NARCISISMO E AUSÊNCIA DE OUTRO NA ERA DO DESEMPENHO Resumo: Este artigo analisa a emergência de uma forma contemporânea de autoconfiança marcada não pela consolidação subjetiva, mas pela ausência de mediação simbólica e relacional. Partindo da noção de “confiança tóxica” difundida no discurso midiático, propõe-se que tal fenômeno não representa fortalecimento do eu, mas expressão de um funcionamento psíquico esvaziado de alteridade. Articulam-se as contribuições de Freud, Durkheim, Bauman, Han, Zuboff e André Green para demonstrar que o declínio da dúvida e da hesitação não indica resolução de conflitos, mas colapso das referências que sustentavam o vínculo e o pensamento. O sujeito contemporâneo não afirma porque sabe, mas porque não encontra resistência suficiente para duvidar. Nesse cenário, a repetição substitui a elaboração, a exposição substitui o encontro e o outro é reduzido a métrica. A confiança, assim, não cre...

A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO

A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO 30/03/2026 — America/Sao_Paulo Introdução — ninguém está escutando, só respondendo: Eu não começo pelo conceito. Eu começo pelo corpo. O corpo que não aguenta mais sustentar nada por muito tempo. O dedo que sobe a tela antes da frase terminar. O olho que já está na próxima coisa antes de entender a anterior. Isso não é distração. É condição. E dessa condição nasce uma coisa estranha: Todo mundo fala como se tivesse certeza. Ninguém trava. Ninguém recua. Ninguém diz “não sei”. E não é porque sabem. É porque não tem mais o que segure. Freud já tinha avisado — e ninguém quis escutar: Sigmund Freud não falou de clareza. Falou de conflito. O desejo não aponta caminho. Não organiza. Não resolve. Ele insiste. Ele escapa. Ele não fecha. E por isso precisava de limite. Lei. Outro. Corte. Sem isso, o desejo não vira liberdade. Vira dispersão. Durkheim entra onde Freud já tinha deixado aberto: Émile Durkheim ...