NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO A materialidade sempre vem antes da verborragia. Muito antes de qualquer elaboração sofisticada sobre “luto antecipatório”, existia um dado bruto: algo estava ali. Um corpo. Uma presença. Um objeto investido. Até animais demonstram alteração comportamental quando perdem aquilo que organizava sua circunscrição no mundo. Não há metáfora nisso. Há estrutura. O que me inquieta não é o luto. O luto é compreensível. O que me inquieta é a tentativa de sofrer por algo que ainda não foi perdido. Há três tensões estruturais que atravessam o sujeito: entre ele e o mundo, entre ele e os outros, entre ele e suas próprias pulsões. Quando há perda concreta, o investimento precisa ser retirado. Há trabalho psíquico. Há reorganização. Mas quando se antecipa o luto de algo que ainda não desapareceu, não há retirada real. Não há objeto perdido. Há imaginação operando sobre o vazio. A caneta que eu uso para escreve...
NÃO É O FIM DO HUMANO. É O ECO DO PRÓPRIO MEDO. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: inteligência artificial, afetação discursiva, índice de miséria, subjetividade, materialidade, assistentes virtuais, performance. Resumo O discurso apocalíptico afirma que inteligências artificiais irão substituir o humano, instaurando uma nova era de desemprego estrutural e miséria ampliada. Paralelamente, indicadores macroeconômicos como o chamado “Índice de Miséria” projetam queda histórica. Este ensaio tensiona essa contradição: enquanto a narrativa tecnológica anuncia colapso, a materialidade econômica aponta reorganização. A análise parte do princípio da afetação discursiva — o assistente virtual não substitui; reorganiza linguagem. Quem se afeta é o sujeito. A ameaça de substituição revela menos sobre máquinas e mais sobre insegurança cognitiva, performance e interpretação. O impasse não está na ferramenta...