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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar

#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar Palavras-gírias: rage-click, algoritmo-raiva, macho-beta-premium, audiência-de-ódio, economia-do-escândalo, feed-ressentimento, conteúdo-isca, guerra-de-engajamento Interlúdio da Loka Eu fico olhando vocês brigando na tela. Chamam isso de debate. Chamam isso de liberdade. Mas o que eu vejo é só gente gritando para um algoritmo que aprende rápido o que dá lucro. Sai um levantamento do NetLab UFRJ analisando canais misóginos no YouTube. Dois números chamam atenção. Há alguns anos existiam 137 canais produzindo conteúdos de desprezo ou controle sobre mulheres. Eles acumulavam 19 milhões de inscritos. Agora existem 1, 2 e 3... canais. Menos produtores. Mas 23 milhões de inscritos. O que diminuiu foi o número de canais. O que cresceu foi o público. Esse pequeno detalhe revela algo importante sobre a estrutura das plataformas. O ódio não desaparece. Ele se concentra. E quando se concentr...
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O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo

O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, trabalho no Brasil, inteligência artificial, subjetividade, capitalismo digital, robótica, economia política da tecnologia, sofrimento psíquico no trabalho Resumo: Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como demonstração de inovação tecnológica. No entanto, quando analisada à luz da economia política do trabalho e da psicologia social, a narrativa revela uma transformação estrutural mais profunda. A automação industrial sempre esteve associada à reorganização das relações de produção. Desde a análise de Karl Marx sobre a maquinaria industrial até as interpretações contemporâneas de Shoshana Zuboff sobre o capitalismo de vigilância, a tecnologia não aparece apenas c...

Quando o estagiário não é humano: robôs na fábrica e o futuro do trabalho no Brasil

Quando o estagiário não é humano: robôs na fábrica e o futuro do trabalho no Brasil Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, robótica, trabalho no Brasil, inteligência artificial, economia política da tecnologia, subjetividade, indústria, precarização, discurso tecnológico Resumo Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como mais um episódio do entusiasmo tecnológico contemporâneo. Porém, quando observada à luz das condições materiais do trabalho — especialmente em países como o Brasil — a narrativa adquire outra densidade. O discurso tecnológico tende a apresentar a automação como progresso inevitável. Entretanto, quando inserimos esse processo na estrutura econômica, social e psicológica brasileira, emergem questões mais complexas. O Brasil ainda convive com alta informalidade laboral, desigualdade ...

Estagiário de silício: quando o robô aprende rápido demais e o humano vira peça de reposição

Estagiário de silício: quando o robô aprende rápido demais e o humano vira peça de reposição Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave trabalho industrial, automação, robôs humanoides, inteligência artificial, discurso tecnológico, economia política da tecnologia, subjetividade, algoritmo, trabalho e máquina Resumo: Em maio de 2026, uma notícia circulou com um entusiasmo curioso: a Xiaomi começou a testar robôs humanoides como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A linguagem usada na reportagem parecia leve, quase simpática. Máquinas aprendendo, ajudando, colaborando. Mas talvez a questão não seja exatamente essa. Talvez a pergunta mais incômoda seja outra: o que significa quando uma empresa descreve um robô como estagiário dentro de uma linha de produção? Esse tipo de formulação não é apenas técnica. Ela é discursiva. Ela organiza a maneira como imaginamos o futuro do trabalho. Ao chamar a máquina de est...

Da impotência ao medo de falhar

Da impotência ao medo de falhar A farmacologia da performance sexual na sociedade contemporânea   Palavras chaves: pulsão, sexualidade humana, teoria freudiana, dinâmica pulsional, fonte da pulsão, pressão pulsional, meta da pulsão, objeto da pulsão, aparelho psíquico, economia psíquica, satisfação pulsional, deslocamento do objeto, contingência do objeto, psicanálise freudiana, metapsicologia.  Nos últimos anos, reportagens sobre o uso recreativo de medicamentos para disfunção erétil passaram a aparecer com maior frequência na imprensa brasileira. Uma matéria publicada pelo portal Metrópoles chamou atenção para um fenômeno crescente: homens jovens, sem diagnóstico clínico de disfunção erétil, utilizando tadalafila como forma de garantir desempenho sexual. À primeira vista, o fenômeno pode ser interpretado apenas como comportamento de risco ou modismo farmacológico. Entretanto, quando observado a partir de uma perspectiva mais ampla — envolvendo corpo, cultura e or...

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave; educação superior, inflação de diplomas, sociedade do cansaço, capitalismo de vigilância, disciplinamento do trabalho, angústia, absurdo, produtividade acadêmica Durante décadas, o ensino superior foi apresentado como o caminho mais seguro para mobilidade social. Estudar significava melhorar de vida, conquistar estabilidade e acessar posições mais valorizadas no mercado de trabalho. No entanto, a própria expansão massiva das universidades produziu um efeito paradoxal: quando milhões de pessoas passam a possuir diploma universitário, o valor diferencial dessa credencial diminui. Paralelamente, empresas ampliam sistemas de vigilância institucional, formalizam códigos de conduta e intensificam mecanismos de monitoramento do comportamento dos trabalhadores. Nesse cenário emerg...