O DESESPERO CLIMÁTICO JÁ VIROU PROJETO DE GESTÃO PLANETÁRIA José Antônio Lucindo da Silva Projeto: MAIS PERTO DA IGNORÂNCIA — MPI Existe uma cena silenciosa acontecendo no presente. A humanidade sabe exatamente o que produz o aquecimento global. Sabe exatamente o que deveria fazer. Sabe exatamente quais interesses impedem a mudança. E mesmo assim continua queimando o planeta como quem fuma dentro de um quarto fechado esperando que a fumaça peça desculpas antes do colapso respiratório. O dado mais perturbador não é o avanço climático. É o fato de que o capitalismo contemporâneo conseguiu transformar até o fim do mundo em problema administrável. Não se fala mais em interromper a destruição. Fala-se em modular os danos. Regular temperatura. Calibrar partículas. Gerenciar insolação. Controlar a luz solar como quem ajusta brilho de tela. A solução proposta pelos projetos de engenharia planetária é quase delirante na sua sinceridade estrutural: ao invés de interromper a emissão d...
O sujeito funcionalmente exausto: tecnologia, dívida, trabalho e sofrimento na administração contemporânea da vida
O sujeito funcionalmente exausto: tecnologia, dívida, trabalho e sofrimento na administração contemporânea da vida. José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: sofrimento psíquico, trabalho digital, inteligência artificial, subjetividade contemporânea, economia da atenção, endividamento, medicalização, precarização, vigilância algorítmica, psico-bio-social . Resumo O presente ensaio crítico-discursivo analisa transformações contemporâneas relacionadas ao trabalho, à inteligência artificial, à economia da atenção, à medicalização da vida, ao endividamento e à reorganização tecnológica da subjetividade no Brasil contemporâneo. A análise parte de uma perspectiva psico-bio-social e tecnológico-discursiva, sustentada pelo princípio materialista de que toda experiência subjetiva emerge inicialmente do corpo, das condições materiais de existência e das estruturas econômicas e sociais que organizam o cotidiano. O texto argumenta que o...