O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, trabalho no Brasil, inteligência artificial, subjetividade, capitalismo digital, robótica, economia política da tecnologia, sofrimento psíquico no trabalho Resumo: Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como demonstração de inovação tecnológica. No entanto, quando analisada à luz da economia política do trabalho e da psicologia social, a narrativa revela uma transformação estrutural mais profunda. A automação industrial sempre esteve associada à reorganização das relações de produção. Desde a análise de Karl Marx sobre a maquinaria industrial até as interpretações contemporâneas de Shoshana Zuboff sobre o capitalismo de vigilância, a tecnologia não aparece apenas c...
Quando o estagiário não é humano: robôs na fábrica e o futuro do trabalho no Brasil Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, robótica, trabalho no Brasil, inteligência artificial, economia política da tecnologia, subjetividade, indústria, precarização, discurso tecnológico Resumo Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como mais um episódio do entusiasmo tecnológico contemporâneo. Porém, quando observada à luz das condições materiais do trabalho — especialmente em países como o Brasil — a narrativa adquire outra densidade. O discurso tecnológico tende a apresentar a automação como progresso inevitável. Entretanto, quando inserimos esse processo na estrutura econômica, social e psicológica brasileira, emergem questões mais complexas. O Brasil ainda convive com alta informalidade laboral, desigualdade ...