QUEM FARMOU AURA PRIMEIRO? Caráter, aplauso e a velocidade com que uma sociedade esquece aquilo que acabou de ver AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE farmar aura, reconhecimento, caráter, nostalgia, retrotopia, juventude, geração, visibilidade, esquecimento, vínculos digitais, tempo, materialidade, performance, subjetividade, redes sociais, discurso, técnica, pertencimento, narcisismo, escuta RESUMO Existe uma pequena expressão circulando por aí — “farmar aura” — que parece inocente porque, afinal, toda geração inventa suas palavras para não precisar pedir autorização aos adultos. O problema começa quando uma geração anterior utiliza a expressão como prova de que a seguinte teria perdido aquilo que realmente importa: caráter, disciplina, responsabilidade, profundidade. O presente artigo não pretende defender a gíria nem condená-la. Pretende fazer algo menos confortável: perguntar d...
PAÇOCA E PAÇOQUINHA: O DIA EM QUE A PRAÇA VIROU ARGUMENTO E O BOLETO CONTINUOU SENDO BOLETO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave: materialidade, território, trabalho, renda, discursividade digital, praça pública, conflito, comércio, necessidade econômica, redes sociais, pertencimento, legitimidade, subjetividade, circulação discursiva, finitude. RESUMO Duas atividades econômicas chegam ao mesmo território e, antes que alguém consiga terminar de montar uma barraca, a situação já ganhou personagens, versões, indignações, comentários, justificativas e uma pequena indústria de certezas. Aqui entram Paçoca e Paçoquinha — não como pessoas, nem como lados, mas como nomes provisórios para mercadorias e atividades que tornam visível uma questão anterior ao discurso: a necessidade material de trabalhar e produzir renda. Este ensaio não pretende decidir quem tem razão. Aliás, essa seria provavelmente a maneira mais rápid...