A VACINA NÃO SALVA O SUJEITO Corpo, promessa biomédica e o mercado da abstinência 1. Introdução — O corpo não é o discurso O corpo não lê manchetes. O corpo responde a estímulos químicos. Antes de qualquer debate moral, jurídico ou motivacional, existe um dado material: a dependência química envolve alterações neurobiológicas mensuráveis. Alterações no sistema dopaminérgico mesolímbico, no circuito de recompensa, na plasticidade sináptica. O corpo aprende. O corpo repete. O corpo registra. Quando surge a proposta de uma vacina contra substâncias psicoativas — como cocaína ou opioides — estamos diante de uma intervenção que atua diretamente na interface entre molécula e receptor. Não é discurso. É bioquímica. Mas o problema começa quando a intervenção biológica é convertida em promessa de reorganização subjetiva. É aqui que o MPI interrompe a euforia. 2. Descrição Factual — O que a vacina faz (e o que não faz) Pesquisas conduzidas por centros como a UNIFESP e ins...
CONSUMO DE DROGAS ILÍCITAS NO BRASIL (2012–2023): DADOS EPIDEMIOLÓGICOS E VARIAÇÕES DEMOGRÁFICAS O consumo de drogas ilícitas no Brasil tem sido acompanhado por levantamentos populacionais periódicos que permitem observar tendências ao longo do tempo. Este texto apresenta uma síntese descritiva e contextualizada desses dados, com base em pesquisas nacionais representativas e literatura científica reconhecida, sem julgamento moral, prescrição ou personalização do fenômeno. 1. Contexto metodológico O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) é uma pesquisa domiciliar com amostra representativa da população brasileira, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e vinculada ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A terceira edição, LENAD III (2022–2024), mantém comparabilidade metodológica com levantamentos anteriores, como o realizado em 2012, permitin...