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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

A TELA NÃO INVENTOU O SINTOMA. ELA SÓ TROUXE LUZ.

A TELA NÃO INVENTOU O SINTOMA. ELA SÓ TROUXE LUZ. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: tecnologia, infância, sintoma, materialidade, discurso alarmista, capitalismo de atenção, historicidade. Resumo Toda época descobre um vilão pedagógico. Já foi o romance barato, já foi o rádio, já foi a televisão, já foi o videogame. Agora é a tela. O discurso corre mais rápido que o método. Manchetes falam em “destruição cerebral”, “burnout digital aos oito anos”, “infância sequestrada”. A Loka do Rolê observa. Não para defender tecnologia. Nem para demonizar. Mas para lembrar que o sintoma nunca nasce do discurso — ele nasce do atravessamento material que reorganiza o corpo. A escrita reorganizou a memória. A prensa reorganizou a verdade. A fábrica reorganizou o tempo. A plataforma reorganiza a atenção. E a gente finge que o problema é o objeto. Não é. É a estrutura. E estrutura não cabe em vídeo de 30 segundos. ...
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QUANDO O DIREITO CUSTA METADE DO SALÁRIO

QUANDO O DIREITO CUSTA METADE DO SALÁRIO 1. INTRODUÇÃO A Agência FAPESP divulgou dado inquietante: famílias com filhos diagnosticados com transtornos mentais podem comprometer até 50% da renda mensal com cuidados relacionados à saúde mental. O número, por si só, não é argumento. É indicador. Indicador de que há uma fratura entre promessa normativa e capacidade material. O Brasil reconhece a saúde como direito social fundamental (Constituição Federal de 1988). O Sistema Único de Saúde (SUS) foi estruturado sob o princípio da universalidade. A saúde mental integra essa arquitetura institucional. No plano jurídico, o direito existe. No plano material, ele depende de orçamento, infraestrutura, profissionais, tempo, território e gestão. Este texto analisa essa tensão à luz do Protocolo Metodológico-Ético do projeto Mais Perto da Ignorância (MPI), distinguindo descrição, interpretação e opinião, e recusando qualquer prescrição individual. 2. DESCRIÇÃO: O QUE OS DADOS ...

Quando o medo vira notificação

Quando o medo vira notificação Palavras-gírias: alerta, bug, scroll, vício, ansiedade, hype, algoritmo, colapso, ruído. Interlúdio da Loka Vocês chamam de tecnologia. Eu chamo de afeto mal distribuído. Vocês chamam de conexão. Eu vejo corpo tremendo por vibração fantasma. Não é progresso. É reorganização da ansiedade. Este capítulo examina a reorganização afetiva da infância e da adolescência na era das notificações digitais. A hipótese central é que o regime de alerta intermitente produz instabilidade afetiva estrutural, com impactos psicodinâmicos, neurobiológicos e políticos. A análise articula: — Espinosa (afetos e variação de potência) — Freud (economia pulsional e mal-estar civilizatório) — Han (erosão da duração) — Bauman (insegurança estrutural) — Zuboff (capitalismo de vigilância) — Twenge e Haidt (dados epidemiológicos contemporâneos) — DSM-5-TR e CID-11 (classificações diagnósticas) — Shaughnessy (metodologia científica) Não há...

NÃO É FALTA DE TEMPO. É RECUSA AO REGIME DA DISPONIBILIDADE.

NÃO É FALTA DE TEMPO. É RECUSA AO REGIME DA DISPONIBILIDADE. Existe uma mentira silenciosa sustentando as conversas digitais: a de que todos estão sempre acessíveis. O celular vibra e inaugura uma micro-ordem. Responder vira dever. Demorar vira suspeita. Visualizar e não responder vira quase um crime relacional. Não é comunicação. É vigilância distribuída. A cultura da disponibilidade permanente não surgiu da psicologia — surgiu da infraestrutura. Plataformas foram desenhadas para abolir intervalos. O “online”, o “digitando…”, o “visto por último” são dispositivos de controle suave. Não impõem resposta; produzem ansiedade suficiente para que você se imponha a si mesmo. O corpo continua biológico. A expectativa, não. Daí nasce a ansiedade digital: uma forma de angústia sem objeto claro, mas com gatilho constante. Cada notificação ativa um circuito de alerta. Não responder rapidamente produz desconforto — não porque exista urgência real, mas porque o sistema foi calibrado par...

A Carta Que Voltou Tarde Demais

A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...

NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO...

NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO A materialidade sempre vem antes da verborragia. Muito antes de qualquer elaboração sofisticada sobre “luto antecipatório”, existia um dado bruto: algo estava ali. Um corpo. Uma presença. Um objeto investido. Até animais demonstram alteração comportamental quando perdem aquilo que organizava sua circunscrição no mundo. Não há metáfora nisso. Há estrutura. O que me inquieta não é o luto. O luto é compreensível. O que me inquieta é a tentativa de sofrer por algo que ainda não foi perdido. Há três tensões estruturais que atravessam o sujeito: entre ele e o mundo, entre ele e os outros, entre ele e suas próprias pulsões. Quando há perda concreta, o investimento precisa ser retirado. Há trabalho psíquico. Há reorganização. Mas quando se antecipa o luto de algo que ainda não desapareceu, não há retirada real. Não há objeto perdido. Há imaginação operando sobre o vazio. A caneta que eu uso para escreve...