A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...
NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO A materialidade sempre vem antes da verborragia. Muito antes de qualquer elaboração sofisticada sobre “luto antecipatório”, existia um dado bruto: algo estava ali. Um corpo. Uma presença. Um objeto investido. Até animais demonstram alteração comportamental quando perdem aquilo que organizava sua circunscrição no mundo. Não há metáfora nisso. Há estrutura. O que me inquieta não é o luto. O luto é compreensível. O que me inquieta é a tentativa de sofrer por algo que ainda não foi perdido. Há três tensões estruturais que atravessam o sujeito: entre ele e o mundo, entre ele e os outros, entre ele e suas próprias pulsões. Quando há perda concreta, o investimento precisa ser retirado. Há trabalho psíquico. Há reorganização. Mas quando se antecipa o luto de algo que ainda não desapareceu, não há retirada real. Não há objeto perdido. Há imaginação operando sobre o vazio. A caneta que eu uso para escreve...