A CONFIANÇA QUE NÃO ENCONTRA RESPOSTA: FUNCIONAMENTO, NARCISISMO E AUSÊNCIA DE OUTRO NA ERA DO DESEMPENHO Resumo: Este artigo analisa a emergência de uma forma contemporânea de autoconfiança marcada não pela consolidação subjetiva, mas pela ausência de mediação simbólica e relacional. Partindo da noção de “confiança tóxica” difundida no discurso midiático, propõe-se que tal fenômeno não representa fortalecimento do eu, mas expressão de um funcionamento psíquico esvaziado de alteridade. Articulam-se as contribuições de Freud, Durkheim, Bauman, Han, Zuboff e André Green para demonstrar que o declínio da dúvida e da hesitação não indica resolução de conflitos, mas colapso das referências que sustentavam o vínculo e o pensamento. O sujeito contemporâneo não afirma porque sabe, mas porque não encontra resistência suficiente para duvidar. Nesse cenário, a repetição substitui a elaboração, a exposição substitui o encontro e o outro é reduzido a métrica. A confiança, assim, não cre...
A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO 30/03/2026 — America/Sao_Paulo Introdução — ninguém está escutando, só respondendo: Eu não começo pelo conceito. Eu começo pelo corpo. O corpo que não aguenta mais sustentar nada por muito tempo. O dedo que sobe a tela antes da frase terminar. O olho que já está na próxima coisa antes de entender a anterior. Isso não é distração. É condição. E dessa condição nasce uma coisa estranha: Todo mundo fala como se tivesse certeza. Ninguém trava. Ninguém recua. Ninguém diz “não sei”. E não é porque sabem. É porque não tem mais o que segure. Freud já tinha avisado — e ninguém quis escutar: Sigmund Freud não falou de clareza. Falou de conflito. O desejo não aponta caminho. Não organiza. Não resolve. Ele insiste. Ele escapa. Ele não fecha. E por isso precisava de limite. Lei. Outro. Corte. Sem isso, o desejo não vira liberdade. Vira dispersão. Durkheim entra onde Freud já tinha deixado aberto: Émile Durkheim ...