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Mensagens

Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

A Carta Que Voltou Tarde Demais

A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...
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NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO...

NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO A materialidade sempre vem antes da verborragia. Muito antes de qualquer elaboração sofisticada sobre “luto antecipatório”, existia um dado bruto: algo estava ali. Um corpo. Uma presença. Um objeto investido. Até animais demonstram alteração comportamental quando perdem aquilo que organizava sua circunscrição no mundo. Não há metáfora nisso. Há estrutura. O que me inquieta não é o luto. O luto é compreensível. O que me inquieta é a tentativa de sofrer por algo que ainda não foi perdido. Há três tensões estruturais que atravessam o sujeito: entre ele e o mundo, entre ele e os outros, entre ele e suas próprias pulsões. Quando há perda concreta, o investimento precisa ser retirado. Há trabalho psíquico. Há reorganização. Mas quando se antecipa o luto de algo que ainda não desapareceu, não há retirada real. Não há objeto perdido. Há imaginação operando sobre o vazio. A caneta que eu uso para escreve...

NÃO É O FIM DO HUMANO. É O ECO DO PRÓPRIO MEDO.

NÃO É O FIM DO HUMANO. É O ECO DO PRÓPRIO MEDO. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: inteligência artificial, afetação discursiva, índice de miséria, subjetividade, materialidade, assistentes virtuais, performance. Resumo O discurso apocalíptico afirma que inteligências artificiais irão substituir o humano, instaurando uma nova era de desemprego estrutural e miséria ampliada. Paralelamente, indicadores macroeconômicos como o chamado “Índice de Miséria” projetam queda histórica. Este ensaio tensiona essa contradição: enquanto a narrativa tecnológica anuncia colapso, a materialidade econômica aponta reorganização. A análise parte do princípio da afetação discursiva — o assistente virtual não substitui; reorganiza linguagem. Quem se afeta é o sujeito. A ameaça de substituição revela menos sobre máquinas e mais sobre insegurança cognitiva, performance e interpretação. O impasse não está na ferramenta...

A INFÂNCIA NÃO É UM CONCEITO. É UM CORPO CONECTADO.

A INFÂNCIA NÃO É UM CONCEITO. É UM CORPO CONECTADO. Antes de falar em algoritmo, é preciso falar em corpo. No Brasil, mais de 90% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos utilizam internet. Não é tendência cultural. É condição material de existência (CETIC.br, 2021). O celular não é acessório. É infraestrutura. E infraestrutura molda comportamento. Quando pesquisas internacionais apontam associação entre posse precoce de smartphone e aumento de indicadores de depressão, obesidade e privação de sono — como no Adolescent Brain Cognitive Development Study (10.500 adolescentes acompanhados nos EUA) — não estamos diante de metáfora, mas de correlação estatística observável. Pergunta metodológica obrigatória (Shaughnessy, 2012): É causalidade? Não. É associação? Sim. Quais limites? Estudos observacionais não estabelecem causa direta. O que não sabemos? Impacto longitudinal no contexto brasileiro específico. Sem método, não há autoridade. Enquanto isso, nos EUA, um julgamento...

Rediscutindo a Moralidade dos Bebês: Uma Resposta Crítica ao Artigo da Folha

Rediscutindo a Moralidade dos Bebês: Uma Resposta Crítica ao Artigo da Folha Resumo: A reportagem da Folha de S.Paulo afirma que bebês muito jovens parecem “entender moralidade” antes de um ano de vida:  https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/02/e-surpreendente-quanto-os-bebes-parecem-entender-sobre-moralidade-diz-pesquisador.shtml  Esta resposta crítica problematiza essa interpretação, situando-a no contexto de debates científicos mais cuidadosos que distinguem entre comportamentos sociais precoces e moralidade desenvolvida. Analisa limites metodológicos e teóricos, deslocando a discussão para o papel da interação social, linguagem e reconhecimento na constituição da moralidade. 1. O que o artigo afirma (e o que ele não define) Segundo a reportagem, bebês com poucos meses “parecem” mostrar senso de moralidade, preferindo, em experimentos com fantoches, personagens que ajudam outros em vez de atrapalhar. A interpretação sugere que essa preferên...

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave GLP-1; medicalização; narcisismo; cultura da performance; subjetividade; capitalismo de plataforma; corpo; Sociedade do Cansaço; sofrimento psíquico. Primeiro venderam felicidade. Depois produtividade. Agora vendem silêncio metabólico. As chamadas “canetas emagrecedoras” não são apenas fármacos que atuam no eixo hormonal — tornaram-se dispositivos culturais de adequação estética. Reduzem o apetite fisiológico, mas não reduzem o olhar avaliativo do outro. Diminuem calorias, mas não diminuem a fome simbólica por pertencimento. O fenômeno não é conspiração farmacêutica nem fraqueza individual. É engrenagem social funcionando perfeitamente. O corpo emagrece. O algoritmo não. A pressão cultural permanece intacta. Este texto não condena nem celebra. Ele observa o mecanismo. Eu observo a cena como quem as...

Respira!Não é desespero.É método.

Respira! Não é desespero. É método. Você está certo numa coisa: se o eixo discursivo é mapeamento como técnica de administração de corpos, então IBM e o Holocausto (Edwin Black) não é detalhe — é estrutura. E ele precisa entrar não como comparação rasa, mas como operador histórico da discussão. Vamos reorganizar isso dentro do MPI, com coerência, densidade e todas as camadas que você vem construindo: Arbex, Bauman, Black, Zuboff, O’Neil, Freud, CID-11, DSM-5, Código de Ética, modernidade técnica, Estado brasileiro. Sem delírio. Sem futurologia. Sem prescrição. Só tensão histórica. MAPEAR A DOR É ORGANIZAR CORPOS (e o Brasil sabe fazer isso) Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: mapeamento, técnica, IBM, Barbacena, saúde mental, Estado, classificação, modernidade, Bauman, Arbex, Black, Zuboff, Freud, Brasil.  Resumo O Ministério da Saúde anuncia uma Pesquisa Nacional de Saúde Mental para mapear a po...