A CONSCIÊNCIA COMO ATRASO: UM ENSAIO SOBRE CORPO, DISCURSO E A ILUSÃO DE ESCOLHA José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo: Este ensaio tensiona a ideia de consciência como instância organizadora da experiência, propondo sua leitura como efeito tardio frente à materialidade do corpo. Partindo de contribuições da psicanálise, da filosofia e da crítica social, o texto sustenta que o discurso não antecede o vivido, mas o reorganiza após sua ocorrência. Questiona-se, portanto, a noção de escolha como autonomia, propondo-a como negociação condicionada por limites materiais. Ao final, não se oferece síntese conciliadora, mas a manutenção do impasse como condição de lucidez. Introdução: Eu digo que penso. Mas já cheguei depois. O que chamo de consciência não inaugura nada — ela remenda. O corpo atravessa primeiro; o discurso aparece como tentativa de dar forma ao que já aconteceu. Em O Mal-Estar...
“Quando a guerra precisa de Deus, eu já sei: não é fé — é sintoma tentando se absolver” José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Mais Perto da Ignorância — Loka do Rolê Palavras-chave corpo, guerra, religião, algoritmo, materialidade, poder, tempo, limite Resumo Eu não vim explicar nada. Vim cortar. O que me atravessa aqui não é opinião — é o incômodo de ver guerra sendo narrada como missão enquanto o corpo continua sendo o lugar onde tudo termina. Quando Deus entra como argumento, eu já sei que alguém não está suportando o próprio ato. Eu não falo de fé. Falo do uso dela. Falo da necessidade de transformar violência em algo narrável. Aqui não tem futuro, não tem promessa, não tem redenção. Tem corpo, tem tempo e tem funcionamento. E o que eu faço é só isso: expor onde o discurso tenta esconder o real. Introdução: Eu sei que você quer entender. Mas não tem nada pra entender. Tem coisa pra encarar. E eu já começo te dizendo: quando o discurso fica bonito demais, é porqu...