EM UM RODEIO QUALQUER, OS BOIS TINHAM MAIS EDUCAÇÃO Crônica da Loka do Rolê Eu fui visitar um rodeio qualquer. Não vou dizer onde. Não porque seja segredo. É porque, depois de certa idade, a gente aprende que trocar o nome do lugar não muda muita coisa. Troca a placa. Troca a cidade. Troca a marca da festa. Troca o cantor. Troca a caminhonete. Troca o influenciador. E, se bobear, troca até o boi. O resto continua lá. Eu cheguei num rodeio qualquer esperando encontrar aquilo que um rodeio costuma prometer: poeira, arena, cavalo, boi, peão, berrante, música, comida, gente cansada, gente bêbada, gente apaixonada pelo campo e aquela velha fantasia brasileira de que existe alguma coisa profundamente autêntica escondida atrás de uma caminhonete levantada dois metros acima do chão. Encontrei. Só que tinha uma coisa estranha. Os bois pareciam ser os únicos animais que ainda sabiam exatamente o que estavam fazendo. Fiquei olhando. O boi entrava na arena. Pulava. Corria. Tentava se l...
QUANDO A FOME VIRA “SENSAÇÃO” Corpo, materialidade e a pequena frase que tenta explicar uma realidade inteira Este episódio do Caminhadas da Ignorância investiga o que acontece quando uma experiência material — fome, preço, dívida, trabalho, cansaço e falta de margem — é reduzida à palavra “sensação”. A Loka do Rolê atravessa corpo, condições materiais e discursividade digital para tensionar uma pergunta simples: o que aconteceu antes que essa sensação aparecesse? Assista ao podcast: https://youtu.be/6Sbbb9odcDM?is=UtB9iid4HgSDEqXm Resumo Uma transcrição curta circula no ambiente digital afirmando, em síntese, que os preços não teriam necessariamente aumentado na proporção percebida pelo consumidor e que parte da experiência de aperto econômico seria uma “sensação”, relacionada ao endividamento. O problema parece pequeno. Uma frase entre tantas outras. Mas é justamente nessa pequena operação discursiva que o fenômeno se torna interessante: o que acontece quando uma ex...