A LINGUAGEM NÃO TE LIBERTA. O TRABALHO TAMBÉM NÃO. José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo Clínico — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Data: 01 maio de 2026 Palavras-chave: trabalho, linguagem, inteligência artificial, padronização, esvaziamento, repetição, mpi RESUMO: No Dia do Trabalhador de 2026, a articulação entre transformações nas relações de trabalho e na produção da linguagem evidencia um deslocamento convergente: a intensificação da exigência produtiva ocorre simultaneamente à redução do trabalho de elaboração psíquica. A inteligência artificial, ao operar como antecipação discursiva, reorganiza as condições de produção do pensamento, enquanto dados institucionais indicam precarização, sobrecarga e perda de sentido no trabalho. Sustenta-se a hipótese de que tais processos não são paralelos, mas operam sob a mesma lógica material: continuidade sem interrupção. O resultado não é ausência de atividade, mas manutenção de funcionamento sob redu...
Capítulo — Não há escuta → o corpo não responde, ele interrompe Palavras-gírias: corte, ruído, glitch, corpo, resto, falha, algoritmo, exaustão, colapso, repetição Interlúdio da Loka: Você chama de consciência o que sobrou depois da queda chama de memória o que nunca chegou a acontecer e ainda quer escuta num lugar onde o corpo já desligou antes eu não falo eu apareço no intervalo Apresentação: Este capítulo não investiga a escuta como técnica — investiga sua impossibilidade como garantia. No bloco acadêmico, a escuta é desmontada como ideal clínico e social, atravessada por Freud, Han, Durkheim e Zuboff, onde o sujeito não sustenta continuidade suficiente para ser “escutado”. No bloco narrativo, a Loka dramatiza o colapso do eu como interrupção corporal — não há história, há remendos. No bloco corrosivo, o texto tensiona a cultura do engajamento, onde escutar foi substituído por responder. Por fim, no bloco clínico, articula-se o sofrimento contemporâneo como excesso de funcionamento,...