A MULHER NÃO É UMA HIPÓTESE: CORPO, EXISTÊNCIA E VIOLÊNCIA NO BRASIL DIGITAL Uma crônica investigativa sobre a posição material da mulher, os discursos digitais e a recusa da eliminação do outro Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) 1. A mulher não precisa provar que existe Existe uma cena que se repete, embora mudem os nomes, os cenários, as roupas, os sotaques e os perfis nas redes sociais. Uma mulher sofre uma agressão. Antes mesmo que seu corpo termine de apresentar as marcas do acontecimento, começa outra disputa: a disputa sobre o que aconteceu, sobre o que ela deveria ter feito, sobre o que deveria ter dito, sobre o motivo pelo qual permaneceu, sobre o motivo pelo qual foi embora e, em certas ocasiões, até sobre o direito de nomear aquilo que viveu. A violência deixa o corpo. A discussão sobre a legitimidade da experiência começa a ocupar a tela. É nesse deslocamento que a investigação precisa parar por alguns instantes. Não para transformar toda fala e...
O BAR DO TIKTOK ESTAVA LOTADO, MAS NINGUÉM TINHA TEMPO PARA FICAR Uma crônica da Loka do Rolê sobre felicidade, sucesso, desejo, cansaço e os cadáveres discursivos que continuam bebendo depois de mortos Eu entrei no bar do TikTok porque aparentemente agora até o boteco precisa de algoritmo. Não tinha placa. Não tinha endereço. Não tinha garçom. Tinha uma tela. Uma tela enorme, brilhando no fundo do balcão, mostrando gente feliz em pedaços de quinze segundos. Uma gargalhada. Um carro. Uma viagem. Uma academia. Uma conquista. Uma criança. Um casal. Uma casa. Um corpo. Um prato bonito. Uma frase sobre vencer. Outra sobre prosperidade. Outra sobre felicidade. Outra sobre gratidão. Outra sobre disciplina. Outra sobre levantar cedo. Outra sobre não desistir. Outra sobre acreditar. Outra sobre trabalhar enquanto os outros dormem. Outra sobre descansar para produzir melhor. Outra sobre produzir enquanto descansa. Outra sobre descansar porque você merece. Outra sobre merecer porque produziu. Eu...