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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples”

A garrafa, o algoritmo e o silêncio: por que o alcoolismo feminino não cabe na promessa de uma “maneira simples” Palavras-gírias: rolê, garrafa, algoritmo, coping líquido, cansaço social, marketing emocional, consumo escondido, sofrimento silencioso Interlúdio da Loka A garrafa não fala. O algoritmo também não. Mas os dois vendem a mesma coisa: alívio rápido para uma dor que ninguém quer ouvir. 1. O que os números dizem antes da promessa Antes de qualquer manual de solução rápida aparecer na prateleira, existe um detalhe incômodo: os dados epidemiológicos não cabem em fórmulas simples. Levantamentos citados por veículos como CNN Brasil e pelo IBGE indicam aumento do consumo de álcool entre mulheres nas últimas décadas. Estudos citados pela Fiocruz apontam que o álcool gera cerca de 18 bilhões de reais de impacto econômico anual no Brasil e está associado a aproximadamente 12 mortes por hora no país. A literatura epidemiológica brasileira também mostr...
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#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar

#ocivilizacaocomecanoNao Crônica — Quando o algoritmo aprende a odiar Palavras-gírias: rage-click, algoritmo-raiva, macho-beta-premium, audiência-de-ódio, economia-do-escândalo, feed-ressentimento, conteúdo-isca, guerra-de-engajamento Interlúdio da Loka Eu fico olhando vocês brigando na tela. Chamam isso de debate. Chamam isso de liberdade. Mas o que eu vejo é só gente gritando para um algoritmo que aprende rápido o que dá lucro. Sai um levantamento do NetLab UFRJ analisando canais misóginos no YouTube. Dois números chamam atenção. Há alguns anos existiam 137 canais produzindo conteúdos de desprezo ou controle sobre mulheres. Eles acumulavam 19 milhões de inscritos. Agora existem 1, 2 e 3... canais. Menos produtores. Mas 23 milhões de inscritos. O que diminuiu foi o número de canais. O que cresceu foi o público. Esse pequeno detalhe revela algo importante sobre a estrutura das plataformas. O ódio não desaparece. Ele se concentra. E quando se concentr...

O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo

O estagiário de silício: quando a máquina aprende e o humano vira variável de custo Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, trabalho no Brasil, inteligência artificial, subjetividade, capitalismo digital, robótica, economia política da tecnologia, sofrimento psíquico no trabalho Resumo: Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como demonstração de inovação tecnológica. No entanto, quando analisada à luz da economia política do trabalho e da psicologia social, a narrativa revela uma transformação estrutural mais profunda. A automação industrial sempre esteve associada à reorganização das relações de produção. Desde a análise de Karl Marx sobre a maquinaria industrial até as interpretações contemporâneas de Shoshana Zuboff sobre o capitalismo de vigilância, a tecnologia não aparece apenas c...

Quando o estagiário não é humano: robôs na fábrica e o futuro do trabalho no Brasil

Quando o estagiário não é humano: robôs na fábrica e o futuro do trabalho no Brasil Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave automação industrial, robótica, trabalho no Brasil, inteligência artificial, economia política da tecnologia, subjetividade, indústria, precarização, discurso tecnológico Resumo Em 2026, a Xiaomi anunciou testes com robôs humanoides atuando como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A notícia circulou como mais um episódio do entusiasmo tecnológico contemporâneo. Porém, quando observada à luz das condições materiais do trabalho — especialmente em países como o Brasil — a narrativa adquire outra densidade. O discurso tecnológico tende a apresentar a automação como progresso inevitável. Entretanto, quando inserimos esse processo na estrutura econômica, social e psicológica brasileira, emergem questões mais complexas. O Brasil ainda convive com alta informalidade laboral, desigualdade ...

Estagiário de silício: quando o robô aprende rápido demais e o humano vira peça de reposição

Estagiário de silício: quando o robô aprende rápido demais e o humano vira peça de reposição Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave trabalho industrial, automação, robôs humanoides, inteligência artificial, discurso tecnológico, economia política da tecnologia, subjetividade, algoritmo, trabalho e máquina Resumo: Em maio de 2026, uma notícia circulou com um entusiasmo curioso: a Xiaomi começou a testar robôs humanoides como “estagiários” em fábricas de carros elétricos. A linguagem usada na reportagem parecia leve, quase simpática. Máquinas aprendendo, ajudando, colaborando. Mas talvez a questão não seja exatamente essa. Talvez a pergunta mais incômoda seja outra: o que significa quando uma empresa descreve um robô como estagiário dentro de uma linha de produção? Esse tipo de formulação não é apenas técnica. Ela é discursiva. Ela organiza a maneira como imaginamos o futuro do trabalho. Ao chamar a máquina de est...