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Reflexões críticas sobre sociedade, tecnologia e existência. Explore e se aproxime da ignorância

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância Eu passei tempo demais olhando para a internet como quem olha para o céu. Não por encanto. Por erro de escala. A tela sempre ajuda a produzir esse engano. Ela achata tudo. Uma guerra é um meme. Um colapso logístico e um comentário espirituoso. Um caminhão carregado de arroz e uma análise sobre o futuro da civilização. Tudo do mesmo tamanho. Tudo cabendo no mesmo retângulo luminoso. Tudo fingindo equivalência. Foi aí que o truque ficou evidente. Não imediatamente. Essas coisas nunca ficam evidentes imediatamente. Primeiro elas circulam. Depois ganham nome. Depois viram opinião. Depois parecem realidade. Só muito mais tarde aparece o detalhe constrangedor: aquilo que sustenta o mundo quase nunca aparece com a mesma força daquilo que se comenta. Eu fiquei olhando para isso como quem encosta o ouvido numa parede para escutar o enc...
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O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED ou: enquanto você debate o mundo, alguém está sendo modulado por ele AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE:  materialidade, modulação comportamental, saúde mental, economia da atenção, sofrimento psíquico, tecnologia, trabalho, discurso digital, dependência comportamental, subjetividade RESUMO: A internet fala. O corpo paga. Este artigo investiga o contraste entre a inflação discursiva das redes sociais e as condições materiais que sustentam — e modulam — a vida contemporânea. Entre a promessa de autonomia digital e a evidência de sofrimento psíquico crescente, emerge uma reorganização silenciosa: o comportamento humano passa a ser capturado, analisado e induzido por estruturas econômicas e tecnológicas. Amparado em contribuições de Marx, Freud, Byung-Chul Han e Shoshana Zuboff, o texto propõe que o sofrimento psíquico não é falha individual nem ruído estatístico, m...

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO por que a internet ainda depende de arroz, feijão e caminhão Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, metabolismo social, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga um paradoxo central da contemporaneidade: a crença de que a civilização digital teria substituído as condições materiais que sustentam a vida social. Inspirado no materialismo histórico de Marx, no ceticismo radical de Cioran e na crítica cultural de Byung-Chul Han, o texto propõe uma hipótese simples e desconfortável: nenhuma produção simbólica, por mais sofisticada que seja, existe sem a reprodução biológica da vida. Redes sociais, inteligência artificial e debates ideológicos parecem constituir uma esfera autônoma de significados, mas continuam dependentes de infraestruturas físicas e metabólicas que raramente aparecem no discurso público. A civilização pode discutir algoritmos, identida...

A FOME COMO FILOSOFIA

A FOME COMO FILOSOFIA por que toda teoria social começa no estômago Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, fome, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga o paradoxo fundamental da civilização contemporânea: a proliferação de discursos digitais em uma sociedade que continua profundamente condicionada por necessidades materiais básicas. Inspirado no ceticismo radical de Cioran, no materialismo histórico de Marx e nas críticas culturais de Byung-Chul Han, o texto argumenta que toda produção simbólica depende da reprodução biológica da vida. Redes sociais, debates geopolíticos e narrativas ideológicas podem circular incessantemente no ambiente digital, mas permanecem subordinados a uma condição simples: o ser humano precisa comer. A fome, portanto, não é apenas um fenômeno biológico; é o fundamento silencioso de toda organização social. Antes de qualquer filosofia, existe diges...