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O CORPO NÃO VIROU APENAS ESTÉTICA. VIROU INFRAESTRUTURA DE VISIBILIDADE.

O CORPO NÃO VIROU APENAS ESTÉTICA. VIROU INFRAESTRUTURA DE VISIBILIDADE. Talvez o ponto mais importante não seja apenas a morte. Talvez seja o tipo de sociedade que transforma o corpo em superfície contínua de reconhecimento, performance e circulação algorítmica. O organismo continua biológico. Mas a experiência contemporânea do corpo tornou-se progressivamente tecnodiscursiva. E talvez seja exatamente aí que começa a tensão. A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, aos 22 anos, provocou enorme repercussão nas redes sociais brasileiras. O jovem acumulava milhões de seguidores documentando: — treinos; — alimentação; — evolução física; — rotina de alta performance; — preparação corporal. As primeiras reportagens levantaram hipóteses envolvendo: — hipoglicemia; — protocolos extremos de definição corporal; — uso de substâncias; — anabolizantes; — insulina; — desgaste fisiológico. Posteriormente, reportagens passaram a divulgar informações do IML apontando cardi...

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI RESUMO: Durante séculos, escutar foi uma experiência humana. Um gesto atravessado por presença, conflito, afeto, silêncio e linguagem. No século XXI, entretanto, a escuta deixou progressivamente de ser apenas uma prática relacional para tornar-se infraestrutura técnica. Plataformas digitais, sistemas algorítmicos, dispositivos móveis e modelos de inteligência artificial transformaram conversas, emoções, preferências e hesitações em matéria-prima econômica. Este ensaio investiga a transformação da escuta em mecanismo operacional do capitalismo contemporâneo, articulando subjetividade, corpo, tecnologia, trabalho, linguagem e vigilância. A partir de uma perspectiva psico-bio-social-tecnológico-discursiva, examina-se como a experiência humana passa a ser convertida em dado, previsão e produto. O texto propõe uma leitura crítica da captura algorítmica da atenção, da erosão dos espaços de...

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA Corpo, algoritmo e a industrialização contemporânea da atenção Resumo: A reportagem da BBC intitulada O que aprendi sobre adolescentes após conversar com 150 meninas de 13 a 17 anos fornece um raro retrato empírico da adolescência contemporânea. Longe de apresentar indivíduos isolados ou problemas exclusivamente psicológicos, o material expõe a convergência entre transformações biológicas, reorganizações econômicas, plataformas digitais, vigilância algorítmica e produção discursiva. Este ensaio propõe uma leitura psico-bio-social e tecnológico-discursiva do fenômeno, articulando contribuições de Freud, Marx, Bauman, Christopher Lasch, Byung-Chul Han, Jean Twenge, Shoshana Zuboff e Cathy O’Neil. Argumenta-se que a adolescência contemporânea tornou-se um espaço privilegiado de captura da atenção, monetização da experiência e administração da visibilidade social. O sofrimento observado não é tratado como falha individual nem como categoria diagnósti...

O MAL-ESTAR DIGITAL: CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA, SUBJETIVIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO NA SOCIEDADE ALGORÍTMICA CONTEMPORÂNEA

O MAL-ESTAR DIGITAL: CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA, SUBJETIVIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO NA SOCIEDADE ALGORÍTMICA CONTEMPORÂNEA José Antonio Lucindo da Silva — Projeto MPI RESUMO: O presente ensaio crítico propõe uma análise interdisciplinar das transformações contemporâneas da subjetividade diante da expansão do capitalismo de vigilância, da hiperconectividade digital e da crescente integração entre plataformas algorítmicas, comportamento humano e sofrimento psíquico. A partir da articulação entre Sigmund Freud, Zygmunt Bauman, Shoshana Zuboff, Cathy O’Neil e estudos contemporâneos sobre dependência digital, o texto investiga como a lógica tecnológica atual reorganiza processos de desejo, controle social, atenção, pertencimento e produção subjetiva. O objetivo não consiste em oferecer explicações simplificadoras ou soluções prescritivas, mas tensionar as contradições estruturais entre liberdade, segurança, prazer e vigilância no interior da sociedade digital contemporânea. Disc...

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição Escrito em 07/09/2025 – 22h45 (America/Sao_Paulo)   Introdução Quando a linguagem deixa de ser um produto do sujeito e passa a ser formatada por máquinas, resta a pergunta: quem fala quando falamos? O problema não é apenas tecnológico, mas psico-bio-social. Pois, se é no discurso que o sujeito se constitui, como lembra Lacan, a colonização da palavra pela repetição algorítmica ameaça a própria raiz da subjetividade. Esse deslocamento não acontece no vazio. Ele se ancora em condições históricas, sociais e econômicas que, no Brasil, são visíveis: precariedade educacional, desigualdade de renda, fragilidade do cuidado coletivo. É nesse terreno que se instala a ansiedade das novas gerações, como mostram dados recentes do SUS e do Pisa. Ansiedade que não é mero diagnóstico clínico, mas sintoma civilizatório. Autores como Alfredo Simonetti, em Gozai por Nós, mostram como a cultura contemporânea sequestra até o prazer,...

Cartilha para domar o caos”: quando o Estado terceiriza a infância ao algoritmo e depois culpa o professor

“ Cartilha para domar o caos”: quando o Estado terceiriza a infância ao algoritmo e depois culpa o professor LINK ORIGINAL (Folha de S.Paulo): https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2025/08/prefeitura-de-sp-lanca-cartilha-para-professores-combaterem-violencia-e-adultizacao-nas-escolas.shtml #maispertodaignorancia Se há algo mais previsível do que a próxima “solução pedagógica” em PDF é o fato de que ela chegará tarde, com linguagem assepticamente correta e uma promessa imprudente: “orientar” o que a política pública não financia e o que o mercado digital sabota. A Prefeitura de São Paulo lançou uma cartilha para professores “combaterem a violência e a adultização nas escolas” — um documento oportuno num país que normalizou o improviso na educação e a externalização dos custos do mundo online para a sala de aula. Mas o gesto também denuncia um vício estrutural: transformar o professor em para-raios moral, regulador de danos tecnológicos e mediador de crises sociais fab...