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Quando não há escuta: Sem Inteligência, sem Corpo, Razão sem Mundo

Quando não há escuta: Sem Inteligência, sem Corpo, Razão sem Mundo  🎬 Canal no YouTube Palavras-gírias: inteligência, performance, algoritmo, razão, corpo, finitude, repetição, discurso, valor, ruído, controle Interlúdio da Loka  — Chamaram de inteligência o que só sabe repetir. Deram nome bonito pra fugir do corpo. Quando a razão perdeu a carne, virou só barulho bem treinado. Apresentação do Capítulo Este capítulo investiga criticamente o conceito contemporâneo de inteligência, tensionando sua apropriação técnica, econômica e discursiva, especialmente sob o rótulo de “inteligência artificial”. A hipótese central sustenta que a racionalidade, quando desligada do corpo, da finitude e da experiência vivida, entra em colapso simbólico — não por falha técnica, mas por excesso de discurso. O texto articula Psicologia Clínica, Psicanálise, Filosofia, Neurociência e Crítica Social para demonstrar que a inteligência não emerge como atributo abstrato ou mensurá...

Quando Até a Dor Vira Conteúdo: A Psicologia Superficial Como Produto de Engajamento

Quando Até a Dor Vira Conteúdo: A Psicologia Superficial Como Produto de Engajamento INTRODUÇÃO — NÃO HÁ ESCUTA, SÓ ALGORITMO A circulação massiva de discursos “psicológicos” nas redes sociais produz a ilusão de que vivemos uma era de maior sensibilidade, maior autoconhecimento e maior preocupação pública com saúde mental. A realidade, porém, é menos nobre: não há escuta — há apenas algoritmos otimizando a aparência da escuta. A subjetividade não encontrou acolhimento; ela encontrou um mercado. O fenômeno observado é simples: a psicologia superficial se espalha porque entrega, de forma rápida e esteticamente palatável, uma explicação emocional para um sofrimento que ela mesma ajuda a formatar. Não se trata de ignorância conceitual, mas de funcionalidade — como afirma Bauman, vivemos em uma sociedade que prefere “sentidos rápidos” a significados duradouros. O usuário não busca verdade, busca alívio imediato: uma narrativa que organize o caos interno, ainda que de forma ilusó...

O CL1 não pensa — mas já nos imita

O CL1 não pensa — mas já nos imita Fonte original:  https://www.tempo.com/noticias/ciencia/cl1-e-o-primeiro-computador-com-neuronios-humanos-cultivados-em-laboratorio-esta-a-venda-e-pode-superar-a-ia.html #maispertodaignorancia Texto crítico: A manchete já carrega a promessa narcísica do nosso tempo: “superar a IA”. Mas o CL1, primeiro computador com neurônios humanos cultivados em laboratório, não pretende raciocinar — apenas aprender. Trata-se da biotecnologização da cognição, onde o pensar é reduzido a uma repetição adaptativa, e a singularidade humana, mais uma vez, terceirizada ao mercado. Nada de novo sob o sol artificial dos laboratórios: o algoritmo virou carne, mas segue obedecendo. Byung-Chul Han já denunciava o terror do igual: vivemos uma era onde o outro — radical, incômodo, imprevisível — é expulso, e em seu lugar reina o mesmo. O CL1 não representa um salto ontológico, mas sim um loop hipertecnológico da performance. Ele não produz pensamento, apenas resp...

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional Fonte original: https://share.google/2Tgvm9r7AU6Hkp7uB #maispertodaignorancia “Sei que você vai dizer que não, por isso estou pedindo que diga sim.” Eis o truque barato da chamada psicologia reversa. O artigo do Correio Braziliense tenta didatizar o método, como se estivéssemos discutindo um software relacional, e não o lugar onde o poder escorre por debaixo das relações afetivas. Apresentada como “técnica útil”, a manipulação emocional é embrulhada em papel de presente científico. Mas o que não está sendo dito nessa matéria? Não é à toa que esse tipo de linguagem seduz o sujeito cansado — não de amar, mas de tentar controlar o outro sob o pretexto de entender suas emoções. A psicologia reversa é o que resta quando a comunicação vira tática, o afeto vira mercado e o vínculo vira disputa. Zygmunt Bauman nos lembra, em Amor Líquido, que a fragilidade dos laços contemporâneos está menos na ausência de sentimentos e mais na...

A Insuportável Leveza do Mal-Estar: Uma Crônica Pós-Moderna

A Insuportável Leveza do Mal-Estar: Uma Crônica Pós-Moderna Sempre fui fascinado pela capacidade da humanidade de produzir discursos grandiosos sobre sua própria insignificância.  No século XX, Freud já alertava sobre um mal-estar intrínseco à civilização, uma espécie de preço inevitável que pagamos pela convivência social, trocando parte de nossa liberdade por segurança e bem-estar coletivo (Freud, 2012).   Décadas depois, Zygmunt Bauman, em seu provocativo ensaio sobre o mal-estar pós-moderno, ampliou a angústia freudiana para uma sociedade fragmentada, líquida e repleta de relações efêmeras (Bauman, 2012). Vivemos hoje uma fase paradoxal: quanto mais tecnologia acumulamos para supostamente conectar e facilitar nossa existência, mais isolados e ansiosos nos tornamos.  Shoshana Zuboff descreve essa era como a do capitalismo de vigilância, na qual nossa intimidade é mercantilizada e consumida por algoritmos que pretendem prever nosso comportamento (Zuboff, 202...