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A mostrar mensagens com a etiqueta capitalismo de vigilância

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI RESUMO: Durante séculos, escutar foi uma experiência humana. Um gesto atravessado por presença, conflito, afeto, silêncio e linguagem. No século XXI, entretanto, a escuta deixou progressivamente de ser apenas uma prática relacional para tornar-se infraestrutura técnica. Plataformas digitais, sistemas algorítmicos, dispositivos móveis e modelos de inteligência artificial transformaram conversas, emoções, preferências e hesitações em matéria-prima econômica. Este ensaio investiga a transformação da escuta em mecanismo operacional do capitalismo contemporâneo, articulando subjetividade, corpo, tecnologia, trabalho, linguagem e vigilância. A partir de uma perspectiva psico-bio-social-tecnológico-discursiva, examina-se como a experiência humana passa a ser convertida em dado, previsão e produto. O texto propõe uma leitura crítica da captura algorítmica da atenção, da erosão dos espaços de...

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA Corpo, algoritmo e a industrialização contemporânea da atenção Resumo: A reportagem da BBC intitulada O que aprendi sobre adolescentes após conversar com 150 meninas de 13 a 17 anos fornece um raro retrato empírico da adolescência contemporânea. Longe de apresentar indivíduos isolados ou problemas exclusivamente psicológicos, o material expõe a convergência entre transformações biológicas, reorganizações econômicas, plataformas digitais, vigilância algorítmica e produção discursiva. Este ensaio propõe uma leitura psico-bio-social e tecnológico-discursiva do fenômeno, articulando contribuições de Freud, Marx, Bauman, Christopher Lasch, Byung-Chul Han, Jean Twenge, Shoshana Zuboff e Cathy O’Neil. Argumenta-se que a adolescência contemporânea tornou-se um espaço privilegiado de captura da atenção, monetização da experiência e administração da visibilidade social. O sofrimento observado não é tratado como falha individual nem como categoria diagnósti...

O MAL-ESTAR DIGITAL: CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA, SUBJETIVIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO NA SOCIEDADE ALGORÍTMICA CONTEMPORÂNEA

O MAL-ESTAR DIGITAL: CAPITALISMO DE VIGILÂNCIA, SUBJETIVIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO NA SOCIEDADE ALGORÍTMICA CONTEMPORÂNEA José Antonio Lucindo da Silva — Projeto MPI RESUMO: O presente ensaio crítico propõe uma análise interdisciplinar das transformações contemporâneas da subjetividade diante da expansão do capitalismo de vigilância, da hiperconectividade digital e da crescente integração entre plataformas algorítmicas, comportamento humano e sofrimento psíquico. A partir da articulação entre Sigmund Freud, Zygmunt Bauman, Shoshana Zuboff, Cathy O’Neil e estudos contemporâneos sobre dependência digital, o texto investiga como a lógica tecnológica atual reorganiza processos de desejo, controle social, atenção, pertencimento e produção subjetiva. O objetivo não consiste em oferecer explicações simplificadoras ou soluções prescritivas, mas tensionar as contradições estruturais entre liberdade, segurança, prazer e vigilância no interior da sociedade digital contemporânea. Disc...

NARCISO PAROU DE OLHAR O REFLEXO. AGORA ELE ESCUTA O ECO DO ALGORITMO.

NARCISO PAROU DE OLHAR O REFLEXO. AGORA ELE ESCUTA O ECO DO ALGORITMO. AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI PALAVRAS-CHAVE : capitalismo de vigilância, subjetividade digital, sofrimento contemporâneo, narcisismo, inteligência artificial, trabalho, algoritmo, Byung-Chul Han, Freud, Marx, Brasil, precarização, desempenho, psicopolítica Resumo: As recentes notícias sobre inteligência artificial, sofrimento psíquico, insegurança laboral, disputa geopolítica por minerais raros e reorganização tecnológica do trabalho revelam uma transformação estrutural da subjetividade contemporânea. O sujeito deixa progressivamente de operar apenas como trabalhador ou consumidor e passa a disponibilizar continuamente sua própria identidade como matéria econômica e discursiva. A lógica algorítmica reorganiza tempo, linguagem, corpo e reconhecimento social. O sofrimento deixa parcialmente de surgir apenas da repressão clássica e passa a emergir da necessidade contínua de ...

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece

Cadê a vítima? — Quando os dados crescem, o discurso engorda e a pessoa desaparece Autor A Loka do Rolê Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI  Palavras-chave; vítima invisível; violência de gênero; dados estatísticos; discurso mediático; capitalismo de vigilância; Leviatã; limite simbólico. Resumo: A internet adora um monstro. Sempre adorou. O monstro gera clique, gera audiência, gera vídeo de análise, thread explicativa, podcast investigativo e comentário indignado. A vítima, curiosamente, quase sempre aparece menos. Não porque ela não exista — os dados estão aí, empilhados em relatórios, anuários e estatísticas oficiais. O problema é outro. Quanto mais dados surgem sobre violência, mais abstrata a vítima se torna. Ela vira taxa. Vira gráfico. Vira número. Enquanto isso, o agressor vira personagem. O presente ensaio observa esse curioso deslocamento narrativo: a transformação da experiência humana em dado estatístico e a conversão da violência ...

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave; educação superior, inflação de diplomas, sociedade do cansaço, capitalismo de vigilância, disciplinamento do trabalho, angústia, absurdo, produtividade acadêmica Durante décadas, o ensino superior foi apresentado como o caminho mais seguro para mobilidade social. Estudar significava melhorar de vida, conquistar estabilidade e acessar posições mais valorizadas no mercado de trabalho. No entanto, a própria expansão massiva das universidades produziu um efeito paradoxal: quando milhões de pessoas passam a possuir diploma universitário, o valor diferencial dessa credencial diminui. Paralelamente, empresas ampliam sistemas de vigilância institucional, formalizam códigos de conduta e intensificam mecanismos de monitoramento do comportamento dos trabalhadores. Nesse cenário emerg...