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Suicídio Algorítmico: estatística, infância sequestrada e a falência civilizatória

Suicídio Algorítmico: estatística, infância sequestrada e a falência civilizatória O suicídio nunca foi apenas um ato individual. Durkheim já dizia que se trata de um “fato social”, reflexo da fragilidade ou da força dos laços que sustentam a vida. O problema é que, em pleno século XXI, os laços não desapareceram: multiplicaram-se em telas, mas tornaram-se líquidos, descartáveis, descartados antes mesmo de se tornarem vínculos. O que temos não é ausência de conexão, mas excesso de conexões frágeis — e é nesse paradoxo que o sujeito implode. O discurso do Setembro Amarelo parece trazer alívio: estatísticas, campanhas, números organizados. Mas como Freud advertiu em O mal-estar na civilização, cada cultura gera seu próprio sintoma. O que chamamos de “conscientização” talvez seja apenas a captura mercadológica do sofrimento. A depressão virou identidade discursiva; o suicídio, dado performativo. Surge a dúvida incômoda: criamos sintomas para justificar remédios ou criamos remé...

Infância em curto-circuito: quando a educação vira dopamina sob demanda

Infância em curto-circuito: quando a educação vira dopamina sob demanda LINK ORIGINAL: https://www.infomoney.com.br/saude/ia-generativa-sera-devastadora-para-a-educacao-das-criancas-diz-ted-chiang/#webview=1 #maispertodaignorancia Ted Chiang não fala como tecnófobo, mas como alguém que percebeu o que se perdeu no brilho do “atalho cognitivo”: a dificuldade. Em seu alerta, a IA generativa não é só uma ferramenta, mas a encarnação de uma ilusão — a de que o aprendizado pode ser reduzido a estímulo rápido, barato e indolor. A crítica de Chiang soa incômoda porque toca na ferida de um tempo que confunde dopamina com conhecimento. A Dra. Anna Lembke já descreveu em Nação Dopamina que vivemos em uma economia límbica, onde tudo é calibrado para estimular prazer imediato. Se o smartphone é a seringa digital que fornece microdoses constantes de estímulo, a IA generativa é a droga premium: oferece respostas prontas, elimina a fricção e suprime a experiência fu...

Escolixo: quando o Brasil ensina a não aprender

Escolixo: quando o Brasil ensina a não aprender Fonte: https://www.agazeta.com.br/educares/escolixo-termo-ganha-forca-nas-redes-sociais-e-acende-sinais-de-alerta-0825 O neologismo “escolixo” não nasceu para a academia — e talvez seja por isso que tenha se espalhado tão rápido. É tosco, imediato, memético. Uma palavra de bolso, perfeita para as timelines, carregada de uma crítica que não se pretende sofisticada: a escola é lixo. Mas o que poderia ser lido como mera irreverência adolescente se revela, no fundo, como sintoma de um paradoxo estrutural brasileiro: desvaloriza-se uma instituição que nunca foi plenamente valorizada, enquanto se sacraliza um ambiente — as redes sociais — que jamais teve compromisso algum com a formação crítica. O Brasil demorou para ter escola pública, universal e gratuita. A primeira lei que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino primário data do final do século XIX, mas foi pouco ou nada cumprida. Até meados do século XX, a maioria dos brasileir...