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A mostrar mensagens com a etiqueta depressão

Curtidas Não Elaboram Dor

Curtidas Não Elaboram Dor Autor José Antônio Lucindo da Silva: Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI): 🎬 Assista em Nosso Canal no YouTube: Palavras-chave: Sofrimento; depressão; discursividade; narcisismo; tecnologia; IA; engajamento; identidade; Loka do Rolê. Resumo: Todo mundo sofre. Isso nunca foi novidade. A novidade é que, agora, a dor precisa performar bem. Precisa ser visível, compartilhável, reconhecível e, de preferência, mensurável. Não basta doer — é preciso que doa do jeito certo, na gramática certa, com o engajamento adequado. Este texto não questiona a existência do sofrimento nem relativiza a dor psíquica. Questiona o regime discursivo que passou a validá-la apenas quando ela circula bem. A partir de Freud, André Green, Ernest Becker, Sartre e Byung-Chul Han, este ensaio examina como a depressão e a solidão deixaram de ser apenas experiências humanas para se tornarem performances discursivas sustentadas por aparatos tecnológicos que organizam, correlacionam...

Sobre os " Benefícios da Depressão" — Parte 2

O Tempo Que Fala Tarde: Depressão, Discurso e Materialidade da Experiência 🎬 Canal no YouTube Resumo Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a depressão além de modelos explicativos simplistas e de narrativas que a reduzem a um conjunto de sintomas a serem imediatamente “resolvidos”. A depressão, na perspectiva fenomenológico-psicanalítica de Pierre Fédida, revela-se como retorno do discurso ao corpo, uma experiência temporal que suspende a recursividade automática do sentido e expõe a tensão entre o vivido e o dito. Ao articular esse enfoque a um diagnóstico civilizatório contemporâneo — marcado pela hipertrofia do desempenho discursivo e pela aceleração temporal — o texto problematiza o lugar da experiência psíquica, da fala, e da materialidade corporal quando o tempo da elabora­­ção é comprimido. Em vez de enfatizar a promessa de cura, propõe-se compreender a depressão como expressão de uma época em que o intervalo entre vida e discurso se esgarça, revelando o cor...

Sobre os "Benefícios da Depressão" — Parte 1

Revista Mais Perto da Ignorância 🎬 Canal no YouTube Palavras-chave: depressão, corpo, discurso, limite da fala, tempo psíquico, sofrimento psíquico, clínica psicanalítica, escuta, suspensão, subjetividade contemporânea, tecnologia, performance, mal-estar na cultura, alteridade, silêncio, ética clínica Quando o discurso cai: depressão, corpo e o limite da fala Há um momento em que o discurso já não sustenta a vida. Não porque falte palavra — mas porque há palavra demais onde deveria haver tempo. Vivemos uma época saturada pela promessa de que tudo pode ser dito, diagnosticado, explicado e compartilhado em instantes. Cada sofrimento é imediatamente traduzido em categorias psicológicas, em identidades compreensíveis, em narrativas que circulam e confirmam. O discurso — essa máquina que tudo nomeia — age como se fosse capaz de lidar com a finitude, com a dor, com o corpo. Mas não lida. Ele apenas recobre. Não é ausência de palavra que nos aflige. É excesso de escrita onde falt...

Arquivo Crítico MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas

Arquivo Crítico MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas 📌 ARQUIVO CRÍTICO MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas Introdução Este arquivo reúne publicações que atravessam o eixo do Mais Perto da Ignorância sobre suicídio, inteligências artificiais e terapias alternativas digitais. Cada entrada é registrada com data e hora do momento em que foi elaborada neste espaço, funcionando como cicatriz discursiva: nem solução, nem consolo — mas reflexão. Seguimos, portanto, o que Camus chamou de “a única pergunta filosófica”. O que está em jogo aqui não é a universalidade, mas a materialidade da condição brasileira, marcada por precariedade, ansiedade e depressão. As comparações com autores estrangeiros servem apenas como espelho, não como padrão. 📌 ARQUIVO CRÍTICO MPI | Suicídio, Tecnologia e Terapias Alternativas Introdução Este arquivo reúne publicações que atravessam o eixo do Mais Perto da Ignorância sobre suicídio, inteligências artificiais e...

Discursividade econômica e adoecimento social na crise brasileira

Discursividade econômica e adoecimento social na crise brasileira Em tempos de euforia contábil e discursos de "estabilidade", talvez seja hora de perguntar: o que adoece quando a economia melhora? Este ensaio articula dados concretos de informalidade, precarização, ansiedade e burnout com o discurso midiático da autonomia produtiva — revelando um Brasil que finge independência intelectual enquanto convulsiona por dentro. Atravessando Marx, Byung‑Chul Han e Dejours, o texto traça um mapa do sofrimento contemporâneo onde o corpo, o trabalho e a linguagem colapsam juntos. Não há solução no final. Apenas a dúvida bem colocada. 📎 Baixe o artigo completo aqui: https://drive.google.com/file/d/1ZNbRCVeigYD_T-xEf3Pk2BNxI9ZfUOYz/view?usp=drivesdk #maispertodaignorancia ✍️ Nota do autor José Antônio Lucindo da Silva é psicólogo clínico (CRP 06/172551), pesquisador independente e autor do projeto Mais Perto da Ignorância, dedicado a analisar a cultura digital, o trabalho e ...

Transtornos femininos ou sintomas de uma sociedade adoecida?

Transtornos femininos ou sintomas de uma sociedade adoecida? (https://www.metropoles.com/saude/saude-mental-feminina-5-transtornos) Vivemos tempos em que a saúde mental feminina parece ser recortada em categorias de transtornos como se fossem mercadorias diagnósticas expostas numa vitrine clínica. No artigo do Metrópoles, lemos sobre ansiedade, depressão, burnout, transtornos alimentares e bipolaridade — todos apresentados como condições recorrentes entre mulheres, especialmente em contextos de acúmulo de papéis. Mas será que estamos falando de transtornos propriamente ditos, ou sintomas de um sistema que patologiza os efeitos de sua própria opressão? A chamada saúde mental feminina talvez revele mais da saúde do sistema do que da mulher. Como já sugeria a crítica feminista da psiquiatria, desde o século passado, há uma tendência de medicalizar respostas legítimas ao sofrimento, sobretudo quando vêm do feminino. A “mulher ansiosa” pode ser apenas a mulher que carre...