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Quando o discurso chega antes do corpo (e chama isso de cuidado)

Quando o discurso chega antes do corpo (e chama isso de cuidado) Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância: Palavras-chave: escuta simulada; medicalização; sofrimento psíquico; tecnologia; discurso; materialidade; laço social Resumo: Todo mundo fala de saúde mental. Pouca gente aguenta o que isso implica. O discurso circula rápido, elegante, higienizado. A dor vira pauta, a angústia vira dado, o conflito vira categoria. Enquanto isso, o corpo chega tarde. Chega cansado. Chega sem lugar. Esta crônica, narrada no tom da Loka do Rolê, não busca explicar o sofrimento contemporâneo nem oferecer leitura edificante. Ela apenas acompanha o funcionamento: a escuta que não se sustenta, o cuidado que vira protocolo, a crítica que circula sem deslocar nada. Sites, links, campanhas e falas institucionais se multiplicam enquanto a materialidade da existência — trabalho, tempo, renda, desigualdade — segue operando em silêncio. Aqui não há denúncia heroica nem ...

TERAPIA WI-FI: CONECTA, RESPONDE, CIRCULA — NÃO ESCUTA

TERAPIA WI-FI: CONECTA, RESPONDE, CIRCULA — NÃO ESCUTA Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Persona discursiva: A Loka do Rolê Palavras-chave: terapia digital; escuta simulada; capitalismo de vigilância; sofrimento psíquico; clínica; tecnologia. Resumo: Não falta cuidado. Falta escuta. Não falta resposta. Falta encontro. O que se convencionou chamar de “terapia Wi-Fi” não é um erro de implementação, nem um desvio ético ocasional: é um arranjo coerente entre tecnologia, mercado e gestão do sofrimento. Funciona enquanto o corpo não pesa, enquanto o silêncio não aparece, enquanto o real não exige pausa. Este texto não orienta, não prescreve, não promete saída. Ele nomeia um impasse: quando a clínica é convertida em interface, a escuta vira sinal, o cuidado vira fluxo e o sujeito vira variável. A promessa de acesso esconde uma economia da atenção; a promessa de acolhimento encobre a captura de dados. O que se apresenta como inovação terapêutica...

TODO MUNDO RESPONDE. NINGUÉM AGUENTA ESCUTAR

TODO MUNDO RESPONDE. NINGUÉM AGUENTA ESCUTAR . Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: escuta simulada; gestão do sofrimento; tecnologia; subjetividade; silêncio administrado; Loka do Rolê. Resumo:  Este artigo investiga criticamente o deslocamento contemporâneo da escuta para sistemas de resposta automática, protocolos institucionais e tecnologias de gestão emocional. A partir de uma crônica ensaística narrada pela Loka do Rolê, o texto tensiona discursos corporativos, tecnológicos e psicologizantes que prometem cuidado, mas operam sobretudo como mecanismos de higienização simbólica do sofrimento. A análise articula dados jornalísticos recentes, discursos empresariais e o imaginário tecnológico atual, evidenciando como a resposta imediata substitui a alteridade, o eco ocupa o lugar da escuta e o sujeito é progressivamente reduzido a ruído administrável. Sem recorrer à prescrição ou à pedagogia moral, o artigo sustenta o im...

Quando a escuta vira interface e a ética vira nota de rodapé

Quando a escuta vira interface e a ética vira nota de rodapé Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: Inteligência artificial; ética profissional; escuta simulada; psicologia; tecnologia; subjetividade; sofrimento; Loka do Rolê. 🎬 Assista em Nosso Canal no YouTube: Resumo: Chamam de inovação aquilo que, na prática, reorganiza o velho desejo humano de não sustentar o vazio. Este texto, narrado pela Loka do Rolê, não se propõe a explicar a Inteligência Artificial, tampouco a condená-la ou celebrá-la. O foco está no deslocamento silencioso da escuta para a interface, da responsabilidade para o algoritmo e da ética para documentos que quase ninguém lê. À luz do Código de Ética Profissional do Psicólogo e das cartilhas do Conselho Federal de Psicologia sobre IA e chatbots, o ensaio tensiona a ilusão de neutralidade tecnológica e a fantasia de cuidado automatizado. Não se trata de negar a tecnologia, mas de expor o risco simbó...

“Não é revolta. É adestramento frustrado.Quando o discurso perde relevância antes de perder a verdade”

“Não é revolta. É adestramento frustrado.Quando o discurso perde relevância antes de perder a verdade” Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: Adultização; Plataformas digitais; Infância; Capitalismo de vigilância; Ressentimento; Materialidade; Escuta simulada; Subjetividade. Resumo: Não se trata de defender plataformas, nem de atacar influenciadores. Trata-se de localizar um deslocamento estrutural: o momento em que um discurso verdadeiro perde eficácia não porque estava errado, mas porque já não encontra tempo, corpo e condições materiais para operar. A adultização denunciada não cessou; apenas mudou de forma, adaptando-se ao regime de dados, visibilidade e captura. O episódio envolvendo ataques de crianças ao influenciador Felca após mudanças no Roblox não expressa revolta política nem consciência crítica precoce. Expressa o colapso de uma subjetividade treinada a operar sem intervalo, sem limite introjetado e se...

Todo mundo performa. Nem todo mundo existe.

Todo mundo performa. Nem todo mundo existe. 🎙️ OUÇA EM NOSSO CANAL NO YOUTUBE: Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave: performance; materialidade; discurso; tecnologia; corpo; existência; escuta simulada; sobrevivência. Resumo Este texto não discute tecnologia, saúde mental ou subjetividade como campos isolados. Ele parte de um ponto mais baixo: o chão. Num cenário em que tudo precisa funcionar, responder e se adaptar, existir passou a ser confundido com manter-se legível ao sistema. O discurso contemporâneo celebra escuta, empatia, crescimento e personalização como se fossem universais, enquanto depende de condições materiais altamente específicas para se sustentar. Quem não consegue acompanhar esse ritmo — por cansaço, fome, instabilidade ou exaustão — deixa de ser lido como sujeito e passa a ser tratado como falha individual. A Loka do Rolê narra esse descompasso sem propor saída, sem denunciar...

QUANDO TUDO FUNCIONA, NINGUÉM ESCUTA

QUANDO TUDO FUNCIONA, NINGUÉM ESCUTA 🎬 ASSISTIR AO NOSSO CANAL NO YOUTUBE Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: escuta simulada; eficiência; sofrimento psíquico; protocolo; subjetividade; colapso do discurso RESUMO: Existe uma crença difusa — e perigosamente confortável — de que o avanço técnico, a otimização de processos e a sofisticação dos discursos de cuidado nos aproximariam de alguma forma de escuta. Esta crônica ensaística parte do ponto oposto. Quanto mais o sistema funciona, menos alguém escuta. O que se apresenta como acolhimento frequentemente é apenas desempenho: respostas rápidas, empatia treinada, linguagem correta, ausência de silêncio. A Loka do Rolê entra como figura de interrupção desse circuito: não para explicar, mas para denunciar o excesso de funcionamento como forma de apagamento do sujeito. Não há proposta de solução, nem defesa de um retorno romântico ao humano. O texto sustenta o impasse: quando tud...