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A CONSCIÊNCIA COMO ATRASO: UM ENSAIO SOBRE CORPO, DISCURSO E A ILUSÃO DE ESCOLHA

A CONSCIÊNCIA COMO ATRASO: UM ENSAIO SOBRE CORPO, DISCURSO E A ILUSÃO DE ESCOLHA José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo: Este ensaio tensiona a ideia de consciência como instância organizadora da experiência, propondo sua leitura como efeito tardio frente à materialidade do corpo. Partindo de contribuições da psicanálise, da filosofia e da crítica social, o texto sustenta que o discurso não antecede o vivido, mas o reorganiza após sua ocorrência. Questiona-se, portanto, a noção de escolha como autonomia, propondo-a como negociação condicionada por limites materiais. Ao final, não se oferece síntese conciliadora, mas a manutenção do impasse como condição de lucidez. Introdução: Eu digo que penso. Mas já cheguei depois. O que chamo de consciência não inaugura nada — ela remenda. O corpo atravessa primeiro; o discurso aparece como tentativa de dar forma ao que já aconteceu. Em O Mal-Estar...

QUANDO O LUTO VIROU TRANSTORNO — E A CURTIDA VIROU MEDIDA DE EXISTÊNCIA

  QUANDO O LUTO VIROU TRANSTORNO — E A CURTIDA VIROU MEDIDA DE EXISTÊNCIA Eu postei. Veio o comentário: “você é muito louco… mas consciente.” E aí travou. Não pelo elogio torto. Mas pela pergunta que ficou vazando: quem é que tá assistindo isso aqui? Porque não é sobre concordar. Nem sobre discordar. É sobre o ponto em que o discurso começa a falhar. Então vamos tensionar direito. Em que momento o luto deixou de ser luto… e virou transtorno? Responde isso. Mas responde sabendo: qualquer lado que você escolher já te coloca dentro do problema. Porque se é luto — é vida atravessando o corpo. Se é transtorno — é classificação tentando organizar o que não cabe. E nenhuma das duas coisas resolve. Só desloca. Isso aqui não é pra engajar. Nem pra convencer. Se quiser compartilhar, compartilha. Mas não muda nada. Isso aqui é mais um pedaço de linguagem tentando dar conta de uma ambivalência velha. Material e ideal. O material é simples: corpo, perda, limite, tempo. O ideal… virou interface....

A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO

A CONFIANÇA QUE GRITA NÃO É FORÇA — É FALTA DE OUTRO 30/03/2026 — America/Sao_Paulo 📽️ CANAL NO YOUTUBE: Introdução — ninguém está escutando, só respondendo: Eu não começo pelo conceito. Eu começo pelo corpo. O corpo que não aguenta mais sustentar nada por muito tempo. O dedo que sobe a tela antes da frase terminar. O olho que já está na próxima coisa antes de entender a anterior. Isso não é distração. É condição. E dessa condição nasce uma coisa estranha: Todo mundo fala como se tivesse certeza. Ninguém trava. Ninguém recua. Ninguém diz “não sei”. E não é porque sabem. É porque não tem mais o que segure. Freud já tinha avisado — e ninguém quis escutar: Sigmund Freud não falou de clareza. Falou de conflito. O desejo não aponta caminho. Não organiza. Não resolve. Ele insiste. Ele escapa. Ele não fecha. E por isso precisava de limite. Lei. Outro. Corte. Sem isso, o desejo não vira liberdade. Vira dispersão. Durkheim entra onde Freud já tinha deixado a...

O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA

O ESPETÁCULO NÃO É MAIS CULTURA — É INFRAESTRUTURA Eu começo pelo corpo. Porque, se não começa aí, já começou errado. O corpo cansado, o sono quebrado, a atenção fragmentada, o sujeito que não sustenta mais uma leitura longa sem abrir outra aba — isso não é opinião. É condição. E não começou hoje. 🎥 CANAL NO YOUTUBE 👇: INTRODUÇÃO — O PROBLEMA NÃO É A CULTURA. É A ESCUTA QUE NÃO EXISTE Dizem que o mundo virou espetáculo. Que tudo ficou raso. Que ninguém mais pensa. Bonito. Organiza bem o incômodo. Mas explica mal o que está acontecendo. Porque quando você diz “o problema é cultural”, você desloca o problema para o campo da escolha. Como se fosse gosto. Como se fosse preferência. Não é. O que colapsou não foi o interesse. Foi a possibilidade de sustentar algo que não responde imediatamente. Não é falta de conteúdo. É excesso de estímulo. E excesso não produz pensamento. Produz saturação. FUNDAMENTAÇÃO — ENTRE FREUD, BAUMAN E HAN: O CORPO NÃO AGUENTA...

Você ainda acredita que está pensando por conta própria?

Você ainda acredita que está pensando por conta própria? Resumo: O avanço da inteligência artificial tem sido frequentemente descrito como uma revolução tecnológica voltada à otimização de tarefas cognitivas. No entanto, sua incidência ultrapassa o campo instrumental, atingindo diretamente a forma como o sujeito organiza linguagem, pensamento e elaboração. Este ensaio propõe que a padronização discursiva observada no uso crescente de IA não constitui um fenômeno isolado, mas um desdobramento de transformações estruturais já descritas por Freud, Bauman e Byung-Chul Han. A IA não inaugura o problema, mas o intensifica, ao ocupar o espaço anteriormente sustentado pelo esforço psíquico de elaboração. Introdução: A recente discussão sobre os efeitos da inteligência artificial na linguagem e no pensamento humano tem se concentrado na ideia de padronização. De acordo com matéria publicada pelo G1, pesquisadores e profissionais da área de saúde mental alertam que o uso frequente de...

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA

O FUTURO É SEMANA QUE VEM — E O PRESENTE VIROU LUGAR DE RESPOSTA A frase circula com facilidade:  “o futuro é semana que vem”. Ela aparece limpa, objetiva, quase elegante. Não exige esforço para ser entendida. Não pede tempo. Não pede elaboração. Ela se instala. E talvez seja exatamente isso que a torna eficiente. Porque não se trata de uma descrição do tempo. Trata-se de uma reorganização dele. Quando o futuro é colocado tão próximo assim, o presente deixa de funcionar como espaço de experiência e passa a operar como espaço de resposta. Não é mais onde algo acontece — é onde algo precisa ser entregue. O tempo deixa de ser vivido e passa a ser cobrado. O problema é que essa cobrança não nasce da materialidade. Ela nasce do discurso. Os dados que sustentam essa narrativa existem. E são reais. Relatórios do INEP, cruzados com dados do PISA da OCDE, mostram queda no desempenho em matemática, leitura e ciências em diversos contextos, inclusive no Brasil. Estudos recentes as...

A mente virou código, mas o corpo continua pagando a conta

A mente virou código, mas o corpo continua pagando a conta Introdução — a falha da escuta: A cena se repete: fala-se de saúde mental como se fosse um problema de interpretação, de discurso, de narrativa individual. Mas o que aparece não é falta de explicação — é excesso de mediação. A escuta falha não porque ninguém fala. Falha porque tudo já chega organizado, classificado, nomeado antes de ser vivido. O sujeito não fala. Ele preenche categorias. E quando tudo vira categoria, ninguém escuta mais nada. Fundamentação teórica: Descrição factual: Os sistemas diagnósticos contemporâneos, como o DSM-5, organizam o sofrimento psíquico em classificações estruturadas por critérios observáveis, padronizados e replicáveis . Na neurociência, o funcionamento mental é associado a circuitos, neurotransmissores e padrões de ativação cerebral, articulando comportamento e biologia . Na psicanálise, por outro lado, o sofrimento não se reduz a categorias fixas: ele emerge da singularidade da e...

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO

A CIVILIZAÇÃO TAMBÉM COZINHA FEIJÃO José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância Eu passei tempo demais olhando para a internet como quem olha para o céu. Não por encanto. Por erro de escala. A tela sempre ajuda a produzir esse engano. Ela achata tudo. Uma guerra é um meme. Um colapso logístico e um comentário espirituoso. Um caminhão carregado de arroz e uma análise sobre o futuro da civilização. Tudo do mesmo tamanho. Tudo cabendo no mesmo retângulo luminoso. Tudo fingindo equivalência. Foi aí que o truque ficou evidente. Não imediatamente. Essas coisas nunca ficam evidentes imediatamente. Primeiro elas circulam. Depois ganham nome. Depois viram opinião. Depois parecem realidade. Só muito mais tarde aparece o detalhe constrangedor: aquilo que sustenta o mundo quase nunca aparece com a mesma força daquilo que se comenta. Eu fiquei olhando para isso como quem encosta o ouvido numa parede para escutar o enc...