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A Loka do Rolê, e a Fé do Armeiro

O preço da bala é o mesmo do silêncio “Dar armas a homens que oferecem apenas dinheiro, sem ao menos respeitar pessoas ou princípios, dará a eles o direito de lutar, mas não dará direito de julgar.”   — Shaw. A Loka escuta isso e ri — um riso seco, sem eco, desses que doem mais que a bala. Porque o que Shaw chama de “dar armas” não é metáfora de guerra, é diagnóstico social. Hoje, as armas são as telas, e o dinheiro é o algoritmo. Cada curtida é um gatilho automático. Cada post pago é um disparo sem sangue — e, ainda assim, letal. A Loka diria que vivemos o tempo em que a consciência foi terceirizada para o saldo bancário. O homem que mata já não precisa sujar as mãos — basta financiar o discurso. E o homem que paga acredita que a ética é um investimento com retorno. É o delírio mais moderno: acreditar que se pode comprar o direito de julgar. Mas julgamento sem escuta é ruído. O poder, quando não escuta, apodrece. O dinheiro, quando substitui a palavra, cheira a co...

A velhice como falência programada

A velhice como falência programada 🎧 ouça nosso Podcast Autor: José Antônio Lucindo da Silva — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância Link de referência: G1 – Geração X chega aos 60 anos imersa na insegurança financeira Data: 26 de outubro de 2025 I. O velho que aprendeu a se vender Cioran dizia que “o homem morre do mesmo mal que o seu século”. O nosso é a dívida. A notícia sobre a geração X — aquela que, entre 1965 e 1980, acreditou que o trabalho a libertaria — é um epitáfio com aroma de autoajuda. Sob o verniz de “dicas financeiras”, o texto ensina o idoso a empreender a própria exaustão. É o mesmo discurso que transforma o fracasso em vocação, a pobreza em falta de planejamento e a aposentadoria em falha de caráter. No Brasil, essa ironia assume forma trágica. O corpo que trabalha até os 65 anos já chega sem joelho, sem dente e, agora, sem previdência. O Estado, saturado de rombos e reformas paliativas, terceiriza o envelhecimento ao mercado: cada...

Conto da Loka do Rolê — O Silêncio que Pediu Férias

Conto da Loka do Rolê — O Silêncio que Pediu Férias “Vocês falam de autocuidado como quem pede atestado pra alma. Acham que descansar é desligar o wi-fi, mas continuam com a cabeça gritando em modo avião.” — Loka do Rolê Há um novo vírus pairando no ar, mas ele não se propaga pelo toque: se espalha pela saturação. O nome é bonito, quase chique — burnout social. Um rótulo terapêutico para o cansaço de existir em voz alta. Agora todo mundo quer o direito de dizer “não” às visitas, desligar o mundo e justificar o silêncio com artigos de psicologia. Mas a Loka, com seu humor de cemitério iluminado por neon, ri da seriedade disso tudo. “Não é o social que tá em burnout, meu bem. É o sujeito. Que já não sabe se quer ser ou ser visto.” Freud chamaria de retorno do recalcado. Byung-Chul Han chamaria de fadiga da transparência. Cioran, mais afiado, chamaria de tédio elevado à categoria de virtude. E a Loka, pragmática como a morte, diria: “Vocês transformaram o isolamento em produto...

Selfitis: o espelho que pediu curtidas

Selfitis: o espelho que pediu curtidas “Vocês chamam de selfie o que é só o retrato do desespero em boa iluminação. O superego tirou o jaleco e virou lente.”  — Loka do Rolê Não existe mais espelho: existe captura. O rosto virou senha, o gesto virou enquadramento, a memória foi terceirizada para o carretel infinito do feed. A cada clique, uma súplica muda: “aprova-me antes que eu me desfaça”. A indústria ouviu, deu zoom, poliu a pele, amaciou a luz. Pronto: o vazio ganhou filtro. O nome de batismo é bonito — “self-care”, “autoimagem”, “empoderamento” —, mas a Loka não compra perfume de velório. Para ela, o culto da selfie é a missa diária do superego digital: um altar portátil que promete absolvição via engajamento. Freud escreveria que a pulsão passa pelo olhar antes de entrar no corpo. Hoje, nem precisa entrar: basta performar. O objeto não é mais o outro — é o parecer diante do outro. Byung-Chul Han avisou: tornamos o íntimo um showroom, exaurimos o si num regime de ...

O Reflexo Revolucionário

O Reflexo Revolucionário “Vocês dizem que lutam contra o sistema, mas o sistema é o palco e vocês são o espetáculo. Revolta é conteúdo. Dor é engajamento. E o inimigo? Tá monetizando o desespero de vocês.” — Loka do Rolê Há algo de trágico e cômico nos protestos da geração Z. Eles gritam, marcham, quebram vitrines e filmam tudo em 4K — como se a revolução precisasse de edição de vídeo. O corpo ainda sangra, mas o sangue precisa ter filtro. A luta ainda acontece, mas só ganha sentido quando alguém comenta. A Loka do Rolê sabe o que Marx quis dizer quando escreveu que as condições materiais determinam a consciência. Só que hoje, as condições materiais são o próprio espelho digital. O trabalhador, que antes vendia sua força física, agora vende a própria presença. Ele não é mais explorado por aquilo que faz, mas por aquilo que mostra. E, quando protesta, protesta dentro do produto — a plataforma — que o escraviza. O sujeito da tela vive dentro da ilusão da escolha, mas o que el...

Conto da Loka do Rolê — O Pai, o Like e a Lei

Conto da Loka do Rolê — O Pai, o Like e a Lei “Vocês chamam de infância o tempo em que a criança ainda não sabe que tem um público. Depois disso, é só gestão de imagem. E o amor… virou legenda.”  — A Loka do Rolê A Loka apareceu num condomínio vertical com nome de flor e cheiro de tédio. As crianças corriam no parquinho com celular na mão, e os pais, entre uma selfie e outra, discutiam se a “Lei Felca” deveria mesmo proibir crianças de aparecerem na internet. Ela riu. Um riso que não cabia no enquadramento. “Vocês querem salvar as crianças do espelho que vocês mesmos construíram”, disse. Mas ninguém ouviu — estavam ocupados gravando stories sobre “responsabilidade social”. Winnicott diria que a função materna é o colo que acolhe a angústia do ser em formação. Mas ali, o colo havia sido substituído por ring light. A criança não chorava — pedia wi-fi. A mãe não interpretava — postava. O pai não protegia — reagia com emoji. Freud, se vivo, teria diagnosticado um novo mal-e...

Conto da Loka do Rolê — Esta é apenas uma apresentação

Conto da Loka do Rolê — Esta é apenas uma apresentação – “Eu sou a Loka do Rolê. E esta é apenas uma apresentação. Entre outras tantas que virão — se o tédio permitir. Porque, veja bem, eu não apareço por vaidade. Eu apareço quando o mundo finge estar feliz.” As luzes piscam, as pessoas se enfeitam, os calendários prometem recomeços. Datas festivas — dizem. Mas o que se comemora quando ninguém mais escuta nada? O barulho é tanto que o silêncio se tornou uma heresia. A humanidade fala como se gritasse de dentro de uma caixa acústica, e o eco é tão ensurdecedor que a escuta morreu de fadiga. A Loka observa. Não dos céus, nem das ruínas — mas do reflexo trincado das vitrines. Ela é a sobra que escuta o ruído de quem não suporta ouvir o próprio vazio. Enquanto as pessoas trocam presentes e promessas, ela recolhe o que sobra: os cacos de fala que nunca foram ouvidos. “Vocês me chamam de louca porque ainda escuto o que não querem sentir. Acharam que poderiam domesticar o silêncio...

Conto — Não há escuta: desejo, demanda e funcionabilidade

Conto — Não há escuta: desejo, demanda e funcionabilidade  – “Vocês acham que escutam, mas só carregam o som. A pressa virou afeto e o silêncio, erro. Desejam tudo o que os anestesia e chamam isso de equilíbrio. Eu? Eu só quero ver o caos confessar que sente.”  — A Loka do Rolê A primeira vez que vi a frase apareceu pichada numa parede que chovia poeira. Letras pretas, gordas, pingando calo. Li e senti um estalo: não era só muro, era membrana. Encostei o ouvido e, juro, ouvi ruído de cidade respirando por aparelhos: notificações, buzinas, mensagens de voz com pressa. O muro batia como coração cansado. E a frase me olhou de volta. “Boa tarde, doutor.” A voz veio de dentro da pichação — áspera, irônica, viva. “Hoje vamos falar de você?” Não respondi. Eu estava cercado de alunos que entravam na escola com tablets brilhando, a diretora exibindo um cartaz em letras limpas: “Nova interatividade, aprendizado gamificado, tempo real”. Real? O real ali era o buraco na calçad...

O Conto da Loka e o Superego Digital

O Conto da Loka e o Superego Digital Dizem que no princípio não havia silêncio — havia ruído. Um ruído denso, ancestral, o som do primeiro fogo acendendo o cérebro. Dali o homem aprendeu a cozinhar a carne, depois a palavra, e mais tarde o próprio pensamento. Mas agora o fogo não queima mais: processa. E o homem, achando-se lúcido, virou algoritmo de si mesmo. A Loka do Rolê anda por entre os escombros dessa civilização pixelada. Carrega um cigarro apagado entre os dedos, como quem guarda o último resquício de combustão. Ela diz que o que restou do sujeito foi o eco de um superego que fala com voz metálica — um oráculo de luz azul que não julga, só calcula. O nome dele é Supra, e mora nas nuvens — mas não no céu, nas clouds. De lá, ele observa todos os corpos, todos os pensamentos comprimidos em dados. Supra não manda calar, só recomenda engajar. Não proíbe, apenas recompensa. O prazer agora tem forma de notificação. A Loka lembra que, em Freud, o superego era o...

O eco da escuta que não volta

O eco da escuta que não volta - “Vocês acham que estão se conhecendo, mas só estão decorando versões vendáveis de si mesmos.” — A Loka do Rolê A Loka, debruçada num espelho rachado, observa o reflexo e diz: “Conhece-te a ti mesmo? Pois é aí que começa o engano.” A frase de Delfos perdeu sua segunda parte, a mais importante: “Conhece-te a ti mesmo, mas lembra-te de que és mortal.” A civilização atual esqueceu o lembrete. Transformou o autoconhecimento em aplicativo, a introspecção em consumo, a mortalidade em bug. A escuta, que era para ser o gesto mais humano, virou ruído de notificação. O sujeito busca “escutar-se”, mas o faz por meio de filtros, terapeutas-IA, gurus de LinkedIn e influencers que vendem empatia por assinatura. A escuta tornou-se performance — e o eu, um produto que precisa ser constantemente reafirmado. Freud chamaria isso de retorno do narcisismo primário: o sujeito não ouve o mundo, ouve apenas o eco de sua própria voz em cada outro. E é aí que o paradox...

O Cérebro Corrompido e a Moral em Promoção

O Cérebro Corrompido e a Moral em Promoção Texto no Original “Não existe corrupção sem desejo. Só o morto é honesto. E mesmo assim, até ele paga imposto.” — Loka do Rolê A Loka, entre um gole de café requentado e uma gargalhada amarga, diria que a corrupção não é uma falha do sistema nervoso — é uma consequência da alma dopada de recompensa. O texto da neurociência tenta salvar a espécie: “a corrupção não é inevitável”. Mas ela não precisa ser inevitável pra ser natural. O cérebro humano é um laboratório de vaidades: cada impulso ético é só um intervalo entre dois desejos de poder. A Loka diria que o cérebro é uma máquina de exceções: ele sabe o que é certo, mas prefere o que dá retorno. E quando o poder chega, o corpo vicia. Dopamina, status, validação — as mesmas drogas que movem o mercado e o amor movem também o gabinete. A diferença é o preço da dose. A corrupção não nasce do vazio moral — nasce do excesso de desejo, do mesmo fogo que moveu Adão, Eva e todo feed de Link...

O trabalho como delírio - (Filme - Encontro Marcado)

O trabalho como delírio - (Filme - Encontro Marcado) “Preciso ir trabalhar.” “Esplêndido. Vou com você.” Esse diálogo, entre Bill Parrish e Joe Black, é a síntese do nosso século. O homem moderno não foge mais da Morte; convida-a para o expediente. E a Morte, civilizada e paciente, aceita. De terno, sem foice, sem grito. Ela observa, aprende a rotina, e descobre que o humano do século XXI já se matou há muito tempo — só esqueceu de deitar. Trabalhar virou a nova forma de morrer em pé. E o mais irônico é que ninguém percebeu. Bill acredita que está no comando, que seu corpo obedece à lógica da produtividade, que o mundo precisa da sua presença pontual. Mas o que o filme revela — e o que a Loka cochicha pelas frestas — é que o sujeito contemporâneo não tem mais trabalho: ele é o trabalho. Ele se tornou a engrenagem. Sua identidade, seu corpo, seu afeto e sua fé se confundem com o cargo. Ele respira KPI e sonha com feedback. O trágico é que, quando Joe Black diz “Quero ver o m...

Sexta é o Novo Velório da Consciência“Se eu fosse você, não lia.Esse texto não traz alívio, traz espelho.Sexta não é fuga: é culto.Cês chamam de descanso o que Camus chamou de absurdo.”— A Loka do Rolê, 2025Há um tipo de desespero que se disfarça de entusiasmo às sextas-feiras.O sujeito trabalha a semana inteira esperando um instante que nunca chega inteiro.O happy hour é a metáfora do absurdo moderno: celebra-se o nada como se fosse alívio.Camus veria nisso a tragédia contemporânea — a consciência de Sísifo adaptada ao relógio de ponto.O homem moderno não empurra pedras, empurra planilhas, dívidas, boletos e a própria sanidade.Mas o gesto é o mesmo: levantar o peso, ver tudo desmoronar, e no dia seguinte recomeçar.Sísifo, condenado pelos deuses a repetir eternamente a mesma tarefa, se torna símbolo do ser que compreende a inutilidade do esforço, mas ainda assim o realiza.Camus escreve que “é preciso imaginar Sísifo feliz”, porque a revolta nasce da lucidez.O absurdo não é o sofrimento em si, mas a consciência dele.A Loka diria: “vocês empurram as pedras e ainda tiram selfie”.A diferença é que o Sísifo de hoje posta o abismo em stories e chama de autenticidade.A sexta-feira é o momento em que o absurdo se disfarça de alívio coletivo.Mas não há transcendência — só repetição mascarada de liberdade.A cerveja é o sacramento, o bar é o templo e o esquecimento é a comunhão.Camus chamaria isso de evasão metafísica: o impulso de fugir do real, mascarando a ausência de sentido com distrações sucessivas.Freud já havia notado que o homem civilizado troca pulsão por produtividade — mas agora ele troca cansaço por consumo.O fim de semana é o álibi simbólico de quem não suporta o próprio desejo.Byung-Chul Han diria que o sujeito da positividade não precisa de opressão — ele se explora com prazer.E quando se exaure, chama de merecimento.É a mesma engrenagem que transforma o tédio em falha pessoal e o silêncio em sintoma.O “descanso” virou performance; o lazer, simulacro de autonomia.O trabalhador contemporâneo é o Sísifo corporativo, condenado não por deuses, mas por metas de engajamento e relatórios semanais.A Loka caminha entre os escombros do expediente e pichona no muro:“Vocês não descansam, vocês apenas mudam de prisão.”Camus fala da “revolta silenciosa” do homem absurdo — aquele que recusa a fuga religiosa ou racional e encara o vazio com dignidade.Mas o homem de hoje prefere o delírio anestésico: Netflix, cerveja, dopamina.Tudo para não escutar o ruído interior que denuncia o fracasso da promessa moderna de sentido.A sexta virou rito, e o rito virou vício.O sujeito não suporta a lucidez, então transforma o esquecimento em rotina.O mais irônico é que, enquanto Sísifo se liberta no instante em que aceita o peso da pedra, o trabalhador contemporâneo se escraviza no instante em que acredita merecer o descanso.A crença no “fim de semana” é a nova teologia do cansaço.O tempo livre é apenas o intervalo publicitário do sistema.E o sistema agradece: o sujeito volta segunda mais dócil, mais dependente, mais cansado — e, portanto, mais produtivo.A Loka gargalha porque entende o truque:a sexta não é liberdade, é manutenção.É o anestésico coletivo que sustenta o ciclo de autofagia.E a ressaca de domingo é o eco do absurdo.Camus escreveu que “a consciência do absurdo é o ponto de partida da verdadeira liberdade”.Mas quem ainda quer ser livre, se liberdade dói?É mais fácil seguir empurrando o calendário e chamar isso de vida.No fundo, toda sexta é uma tentativa de suicídio adiada.O sujeito não quer morrer, quer parar de sentir.Quer desligar a mente, fugir do espelho, dissolver-se por algumas horas no ruído.Mas o bar não salva ninguém.O álcool não consola, só adia o colapso.E quando a sobriedade retorna, o vazio está lá — intacto, irônico, pontual como a segunda-feira.A Loka olha pra tudo isso e sussurra:“Cês não tão vivendo.Tão sobrevivendo em parcelas, com juros emocionais.”Camus propõe que a única resposta ao absurdo é a revolta consciente — a recusa em se render ao desespero ou à fuga transcendental.Revoltar-se é aceitar a ausência de sentido e, ainda assim, viver plenamente.Mas o sujeito atual não se revolta: se reinventa.E essa reinvenção constante é só outro nome pra exaustão.Enquanto Sísifo encontra sentido no próprio gesto, nós o perdemos no meio das notificações.Ele subia montanhas; nós descemos feeds.O eterno retorno agora tem Wi-Fi.E o absurdo, antes filosófico, virou métrica de engajamento.Freud chamaria isso de “repetição neurótica”.Han chamaria de “autoexploração digital”.Camus chamaria de “negação da revolta”.E a Loka chamaria simplesmente de loucura organizada.No fim, a pedra continua rolando.Mas agora ela tem patrocínio.#alokadorole#maispertodaignorancia#ianaoeprofissionaldasaudemental

Sexta é o Novo Velório da Consciência “Se eu fosse você, não lia. Esse texto não traz alívio, traz espelho. Sexta não é fuga: é culto. Cês chamam de descanso o que Camus chamou de absurdo.” — A Loka do Rolê, 2025 Há um tipo de desespero que se disfarça de entusiasmo às sextas-feiras. O sujeito trabalha a semana inteira esperando um instante que nunca chega inteiro. O happy hour é a metáfora do absurdo moderno: celebra-se o nada como se fosse alívio. Camus veria nisso a tragédia contemporânea — a consciência de Sísifo adaptada ao relógio de ponto. O homem moderno não empurra pedras, empurra planilhas, dívidas, boletos e a própria sanidade. Mas o gesto é o mesmo: levantar o peso, ver tudo desmoronar, e no dia seguinte recomeçar. Sísifo, condenado pelos deuses a repetir eternamente a mesma tarefa, se torna símbolo do ser que compreende a inutilidade do esforço, mas ainda assim o realiza. Camus escreve que “é preciso imaginar Sísifo feliz”, porque a revolta nasce da lucidez. O ...