O preço da bala é o mesmo do silêncio “Dar armas a homens que oferecem apenas dinheiro, sem ao menos respeitar pessoas ou princípios, dará a eles o direito de lutar, mas não dará direito de julgar.” — Shaw. A Loka escuta isso e ri — um riso seco, sem eco, desses que doem mais que a bala. Porque o que Shaw chama de “dar armas” não é metáfora de guerra, é diagnóstico social. Hoje, as armas são as telas, e o dinheiro é o algoritmo. Cada curtida é um gatilho automático. Cada post pago é um disparo sem sangue — e, ainda assim, letal. A Loka diria que vivemos o tempo em que a consciência foi terceirizada para o saldo bancário. O homem que mata já não precisa sujar as mãos — basta financiar o discurso. E o homem que paga acredita que a ética é um investimento com retorno. É o delírio mais moderno: acreditar que se pode comprar o direito de julgar. Mas julgamento sem escuta é ruído. O poder, quando não escuta, apodrece. O dinheiro, quando substitui a palavra, cheira a co...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva