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A mostrar mensagens com a etiqueta civilização

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO por que a internet ainda depende de arroz, feijão e caminhão Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, metabolismo social, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga um paradoxo central da contemporaneidade: a crença de que a civilização digital teria substituído as condições materiais que sustentam a vida social. Inspirado no materialismo histórico de Marx, no ceticismo radical de Cioran e na crítica cultural de Byung-Chul Han, o texto propõe uma hipótese simples e desconfortável: nenhuma produção simbólica, por mais sofisticada que seja, existe sem a reprodução biológica da vida. Redes sociais, inteligência artificial e debates ideológicos parecem constituir uma esfera autônoma de significados, mas continuam dependentes de infraestruturas físicas e metabólicas que raramente aparecem no discurso público. A civilização pode discutir algoritmos, identida...

A FOME COMO FILOSOFIA

A FOME COMO FILOSOFIA por que toda teoria social começa no estômago Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, fome, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga o paradoxo fundamental da civilização contemporânea: a proliferação de discursos digitais em uma sociedade que continua profundamente condicionada por necessidades materiais básicas. Inspirado no ceticismo radical de Cioran, no materialismo histórico de Marx e nas críticas culturais de Byung-Chul Han, o texto argumenta que toda produção simbólica depende da reprodução biológica da vida. Redes sociais, debates geopolíticos e narrativas ideológicas podem circular incessantemente no ambiente digital, mas permanecem subordinados a uma condição simples: o ser humano precisa comer. A fome, portanto, não é apenas um fenômeno biológico; é o fundamento silencioso de toda organização social. Antes de qualquer filosofia, existe diges...

Quando a lei chega depois do corpo

Quando a lei chega depois do corpo (Caso Orelha, ECA e o limite que ninguém quer sustentar) A lei chegou. Sempre chega. Chega depois do corpo caído. Depois do sangue limpo da calçada. Depois da indignação organizada. Depois do choque convertido em manchete. A Polícia Civil concluiu o inquérito. O Ministério Público foi acionado. O Judiciário agora decide. Tudo em ordem. Tudo funcionando. Tudo civilizado. A morte do cão Orelha, espancado até não responder mais ao mundo, virou processo, artigo, debate jurídico. Virou também um dilema pedagógico mal disfarçado: o que fazer com o adolescente apontado como autor? A resposta técnica é clara. O Estatuto da Criança e do Adolescente existe exatamente para isso. O ECA não é frágil. Ele é deliberadamente contido. Internação não é regra. É exceção. É medida extrema. É o último recurso quando o Estado reconhece que não conseguiu operar antes. E é aqui que a Loka do Rolê começa a rir — não de humor, mas de lucidez cansada. Porque a socie...

Domar a dopamina!

Domar a dopamina O título já chega errado. E chega com a arrogância típica de quem nunca carregou um corpo até o fim do dia. “Domar a dopamina.” Como se fosse bicho. Como se fosse objeto. Como se fosse um frasco. Como se desse para comprar no balcão, pagar no Pix e sair andando mais leve. Dopamina não é metáfora. O discurso é. Dopamina é operação biológica. O discurso é o atraso tentando virar comando. O humano inventa palavra para se sentir no controle do que já está acontecendo por baixo. Sempre foi assim. É a parte cômica. A parte trágica não vende, então fica só o cômico. Dopamina não sabe o que é “domar”. Dopamina não sabe o que é “vontade”. Dopamina não sabe o que é “autocuidado”. Ela só responde. Ela só modula. Ela só participa de circuitos que não pediram autorização para existir. E aí vem a notícia com a cara de jornalismo sério e o coração de manual. Ela fala de prazer e alerta. Ela fala de vício e risco. Ela fala de um sujeito que poderia — veja a beleza do verbo...

A CIVILIZAÇÃO NÃO PROMETEU ALEGRIA — PROMETEU SOBREVIVÊNCIA (E COBRA MEDO EM JUROS)

A CIVILIZAÇÃO NÃO PROMETEU ALEGRIA — PROMETEU SOBREVIVÊNCIA (E COBRA MEDO EM JUROS) Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: medo, civilização, subjetividade, discurso algorítmico, escuta, segurança RESUMO Este artigo analisa o medo não como falha social ou déficit subjetivo, mas como eixo estruturante do processo civilizatório, retomando a tese central de Sigmund Freud de que a cultura não se organiza em torno da felicidade, mas da segurança e da defesa do eu. A partir desse fundamento, o texto articula a normalização ética do mal em Brodsky, a difusão social do medo em Bauman e sua captura econômica no capitalismo de vigilância descrito por Zuboff. Em contraste com o discurso das redes sociais — informacional, adaptativo e performativo — são examinadas as condições materiais de existência marcadas por retração do corpo, empobrecimento do laço social e colapso da escuta. No tom da Loka do Rolê, o artigo não prescreve saíd...

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional Fonte original: https://share.google/2Tgvm9r7AU6Hkp7uB #maispertodaignorancia “Sei que você vai dizer que não, por isso estou pedindo que diga sim.” Eis o truque barato da chamada psicologia reversa. O artigo do Correio Braziliense tenta didatizar o método, como se estivéssemos discutindo um software relacional, e não o lugar onde o poder escorre por debaixo das relações afetivas. Apresentada como “técnica útil”, a manipulação emocional é embrulhada em papel de presente científico. Mas o que não está sendo dito nessa matéria? Não é à toa que esse tipo de linguagem seduz o sujeito cansado — não de amar, mas de tentar controlar o outro sob o pretexto de entender suas emoções. A psicologia reversa é o que resta quando a comunicação vira tática, o afeto vira mercado e o vínculo vira disputa. Zygmunt Bauman nos lembra, em Amor Líquido, que a fragilidade dos laços contemporâneos está menos na ausência de sentimentos e mais na...