NÃO É FALTA DE TEMPO. É RECUSA AO REGIME DA DISPONIBILIDADE. Existe uma mentira silenciosa sustentando as conversas digitais: a de que todos estão sempre acessíveis. O celular vibra e inaugura uma micro-ordem. Responder vira dever. Demorar vira suspeita. Visualizar e não responder vira quase um crime relacional. Não é comunicação. É vigilância distribuída. A cultura da disponibilidade permanente não surgiu da psicologia — surgiu da infraestrutura. Plataformas foram desenhadas para abolir intervalos. O “online”, o “digitando…”, o “visto por último” são dispositivos de controle suave. Não impõem resposta; produzem ansiedade suficiente para que você se imponha a si mesmo. O corpo continua biológico. A expectativa, não. Daí nasce a ansiedade digital: uma forma de angústia sem objeto claro, mas com gatilho constante. Cada notificação ativa um circuito de alerta. Não responder rapidamente produz desconforto — não porque exista urgência real, mas porque o sistema foi calibrado par...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva