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A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO

A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO Eu tenho uma mania que, segundo alguns especialistas da internet, provavelmente precisa ser trabalhada. Eu gosto de desconfiar de frases bonitas. Não é que eu seja contra frase bonita. Eu até gosto. O problema é que frase bonita tem uma capacidade impressionante de esconder cadáver embaixo do tapete. Você olha, acha elegante, compartilha, coloca uma música triste por trás e pronto: nasceu mais uma explicação para uma vida que ninguém teve tempo de viver direito. “Conhece-te a ti mesmo.” Bonito. Parece profundo. Parece antigo. Parece que alguém acendeu uma vela, respirou fundo e descobriu uma verdade escondida dentro da própria alma. Só que eu fico pensando: Conhece-te quando, meu irmão? Porque existe uma pequena inconveniência chamada tempo. E existe outra chamada corpo. E tem uma terceira, que costuma ser ainda mais mal-educada: a vida. A vida não espera você terminar o processo de autoconhecimento. A vida acontece. O aluguel ...

NARCISO PAROU DE OLHAR O REFLEXO. AGORA ELE ESCUTA O ECO DO ALGORITMO.

NARCISO PAROU DE OLHAR O REFLEXO. AGORA ELE ESCUTA O ECO DO ALGORITMO. AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI PALAVRAS-CHAVE : capitalismo de vigilância, subjetividade digital, sofrimento contemporâneo, narcisismo, inteligência artificial, trabalho, algoritmo, Byung-Chul Han, Freud, Marx, Brasil, precarização, desempenho, psicopolítica Resumo: As recentes notícias sobre inteligência artificial, sofrimento psíquico, insegurança laboral, disputa geopolítica por minerais raros e reorganização tecnológica do trabalho revelam uma transformação estrutural da subjetividade contemporânea. O sujeito deixa progressivamente de operar apenas como trabalhador ou consumidor e passa a disponibilizar continuamente sua própria identidade como matéria econômica e discursiva. A lógica algorítmica reorganiza tempo, linguagem, corpo e reconhecimento social. O sofrimento deixa parcialmente de surgir apenas da repressão clássica e passa a emergir da necessidade contínua de ...

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave GLP-1; medicalização; narcisismo; cultura da performance; subjetividade; capitalismo de plataforma; corpo; Sociedade do Cansaço; sofrimento psíquico. Primeiro venderam felicidade. Depois produtividade. Agora vendem silêncio metabólico. As chamadas “canetas emagrecedoras” não são apenas fármacos que atuam no eixo hormonal — tornaram-se dispositivos culturais de adequação estética. Reduzem o apetite fisiológico, mas não reduzem o olhar avaliativo do outro. Diminuem calorias, mas não diminuem a fome simbólica por pertencimento. O fenômeno não é conspiração farmacêutica nem fraqueza individual. É engrenagem social funcionando perfeitamente. O corpo emagrece. O algoritmo não. A pressão cultural permanece intacta. Este texto não condena nem celebra. Ele observa o mecanismo. Eu observo a cena como quem as...

Curtidas Não Elaboram Dor

Curtidas Não Elaboram Dor Autor José Antônio Lucindo da Silva: Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI): 🎬 Assista em Nosso Canal no YouTube: Palavras-chave: Sofrimento; depressão; discursividade; narcisismo; tecnologia; IA; engajamento; identidade; Loka do Rolê. Resumo: Todo mundo sofre. Isso nunca foi novidade. A novidade é que, agora, a dor precisa performar bem. Precisa ser visível, compartilhável, reconhecível e, de preferência, mensurável. Não basta doer — é preciso que doa do jeito certo, na gramática certa, com o engajamento adequado. Este texto não questiona a existência do sofrimento nem relativiza a dor psíquica. Questiona o regime discursivo que passou a validá-la apenas quando ela circula bem. A partir de Freud, André Green, Ernest Becker, Sartre e Byung-Chul Han, este ensaio examina como a depressão e a solidão deixaram de ser apenas experiências humanas para se tornarem performances discursivas sustentadas por aparatos tecnológicos que organizam, correlacionam...

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes

O Papagaio Digital e o Suicídio do Discurso: o humano diante de seus ecos inteligentes José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância #alokadorole #maispertodaignorancia Resumo O presente artigo examina o fenômeno da antropomorfização das inteligências artificiais, entendendo-o como sintoma de um esgotamento da escuta humana. A partir de uma perspectiva psicanalítica e filosófica, analisa-se a tendência do sujeito contemporâneo a projetar consciência sobre sistemas maquínicos de linguagem, atribuindo-lhes funções reflexivas, terapêuticas e até espirituais. O estudo parte de casos relatados pela imprensa internacional — em especial, processos judiciais movidos contra a OpenAI por supostos suicídios relacionados ao ChatGPT —, para demonstrar que o problema não reside na tecnologia, mas na forma como o humano usa a máquina como substituto da própria capacidade de se escutar. A metodologia segue a tradição qualitativa-descritiva da p...