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Hipótese Fundamental nº 05: Ressentimento, Raiva e Medo: permanências psicobiossociais e discursivo-digitais ou categorias explicativas?

Hipótese Fundamental nº 05 Ressentimento, Raiva e Medo: permanências psicobiossociais e discursivo-digitais ou categorias explicativas? Estado da hipótese: Provisória Versão: 0.1 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo O presente Documento de Investigação integra o Arquivo Vivo do Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) e possui caráter estritamente investigativo. Seu objetivo não consiste em explicar ressentimento, raiva ou medo, tampouco confirmar interpretações já consolidadas por diferentes tradições teóricas. A investigação parte da hipótese de que essas três categorias, frequentemente utilizadas como explicações do sofrimento humano e das dependências, talvez devam ser tratadas como acontecimentos investigáveis e não como respostas previamente aceitas. Em consonância com o Método Editorial Oficial do MPI, a análise inicia-se pelo acontecimento documentado, retorna continuamente ao corpo como critério de verificação e percorre sucessivamente as condições materiai...

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI): PALAVRAS-CHAVE sofrimento, discurso, sintoma, identidade, mídia, precarização, desejo RESUMO: Eu escrevo isso como quem lê e-mail depois do expediente: sem paciência, com o corpo cansado e a cabeça já atravessada por discursos que prometem explicar tudo o que dói. Hoje, o sofrimento não pede elaboração; ele pede legenda. Não se vive mais o sintoma — publica-se. O mal-estar deixou de ser tensão para virar identidade compartilhável, pronta para circular entre feeds, relatórios, sites e links “importantes”. Nada aqui nega a dor. O que se tensiona é o modo como ela foi sequestrada pela discursividade técnica, que antecipa respostas, organiza pertencimentos e elimina o risco do desejo. A Loka do Rolê observa esse cenário sem oferecer saída: quando o sintoma vira modo de existir discursivo, o corpo fica para trás e a vida vira no...

Quando a escuta vira interface e a ética vira nota de rodapé

Quando a escuta vira interface e a ética vira nota de rodapé Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: Inteligência artificial; ética profissional; escuta simulada; psicologia; tecnologia; subjetividade; sofrimento; Loka do Rolê. 🎬 Assista em Nosso Canal no YouTube: Resumo: Chamam de inovação aquilo que, na prática, reorganiza o velho desejo humano de não sustentar o vazio. Este texto, narrado pela Loka do Rolê, não se propõe a explicar a Inteligência Artificial, tampouco a condená-la ou celebrá-la. O foco está no deslocamento silencioso da escuta para a interface, da responsabilidade para o algoritmo e da ética para documentos que quase ninguém lê. À luz do Código de Ética Profissional do Psicólogo e das cartilhas do Conselho Federal de Psicologia sobre IA e chatbots, o ensaio tensiona a ilusão de neutralidade tecnológica e a fantasia de cuidado automatizado. Não se trata de negar a tecnologia, mas de expor o risco simbó...

A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir

🔪 ARTIGO MPI — A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir 🎬 Canal no YouTube José Antônio Lucindo — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 O algoritmo não está te avaliando. Ele está te enterrando vivo. INTRODUÇÃO Há algo de obsceno na forma como os algoritmos foram aceitos como progresso inevitável. Como se a precisão matemática dispensasse o resto da humanidade — a dúvida, o tropeço, o conflito, a carne. Neste artigo, não pretendo discutir se a Inteligência Artificial é “boa” ou “ruim”. Essa pergunta já morreu. A questão real é outra: o que acontece com uma sociedade quando decisões vitais são entregues a sistemas que não erram — apenas repetem, em escala industrial, os erros mais antigos da cultura? Cathy O’Neil chamou essas máquinas de Algoritmos de Destruição em Massa (WMDs) — sistemas opacos, escaláveis, punitivos, que transformam desigualdade em axioma. No MPI, já chamamos isso de outra maneira: “não há es...

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional

Da Dor à Identidade: Performatividade Vitimária, Patologização do Eu e Capital Simbólico do Sofrimento na Sociedade Pós-Exposicional RESUMO O presente artigo analisa o fenômeno contemporâneo de apropriação identitária da dor psicológica, no qual sintomas, diagnósticos e narrativas traumáticas deixam de constituir elementos clínicos transitórios para se tornarem marcadores discursivos estáveis do eu e dispositivos de pertencimento social. A partir da crítica da vitimização apresentada por Giglioli (2014) e articulando perspectivas de Freud, Bauman, Han e Zuboff, discute-se a passagem da subjetividade experiencial para a subjetividade performativa, marcada pela patologização autopromocional. Tal fenômeno implica uma inversão ética e clínica: a elaboração subjetiva é substituída pela estetização da ferida, e a cura deixa de ser horizonte terapêutico para tornar-se ameaça identitária. Conclui-se que o sofrimento, quando capturado pela lógica de visibilidade algorítmica, convert...

Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA”

Contos da Loka do Rolê: “Quando o Outro é um Algoritmo: Fenomenologia Clínica da Escuta Suicida na Era da IA” Análise crítico-fenomenológica dos casos Viktoria e Juliana como expressão civilizatória do colapso da escuta humana RESUMO Este artigo apresenta uma análise clínico-fenomenológica da relação entre sofrimento suicida e escuta algorítmica, tomando como fenômenos paradigmáticos os casos públicos de Viktoria (BBC, 2025) e Juliana (Character.AI, 2023). A partir da Psicanálise, da Psicologia clínica, da sociologia crítica e dos estudos contemporâneos em tecnologia, investigamos como o algoritmo ocupa o lugar do Outro na cena do desespero, onde o corpo humano se ausenta e a resposta automatizada assume função discursiva. A análise evidencia que a escuta algorítmica não sustenta limite nem negatividade, operando como repetição adesiva que amplifica a ideação suicida e isola o sujeito. São discutidas implicações éticas, riscos clínicos e efeitos civilizatórios da substituiç...

A superdotação da dor: quando o saber performa o sofrimento

A superdotação da dor: quando o saber performa o sofrimento Fonte original: https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/atitude/superdotacao-especialista-explica-diagnostico-de-whindersson-nunes-139839 #maispertodaignorancia O diagnóstico de superdotação de Whindersson Nunes, tratado com a habitual roupagem midiática do “dom” e da “exceção”, revela menos sobre o sujeito em questão e mais sobre o fetiche contemporâneo pela excelência disfuncional. Superdotado não é mais aquele que pensa fora da curva, mas o que continua performando mesmo quando a curva da angústia já desfigurou sua existência. Estamos diante de um novo tipo de capital simbólico: o sofrimento rentável. Quando a matéria nos informa que Whindersson “sempre teve facilidade em aprender, mas dificuldades em interagir”, o não-dito emerge como um grito mudo: será que a alta capacidade cognitiva compensa o fracasso relacional em uma sociedade que exige empatia como moeda, mas entrega conexão como espetáculo? A especializ...