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A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: red-pill; corpo; materialidade; ressentimento; discurso; desejo; algoritmo; subjetividade Resumo: Vocês juram que acordaram. Engraçado. Porque continuam com fome, continuam trabalhando, continuam precisando de alguém que não os escolha. A tal pílula vermelha não revela o real — ela reorganiza o desconforto em discurso. Este texto não discute a red-pill como teoria, mas como sintoma: uma tentativa de dar forma à frustração quando o corpo já não sustenta o que a cabeça insiste em explicar. O que aparece como lucidez é apenas ressentimento bem organizado, embalado para circular em plataformas que lucram com repetição. Aqui não há promessa de saída. Há apenas a exposição de um impasse: quando o sujeito não suporta o não do outro, ele inventa um sistema onde o outro passa a ser o problema. No fim, não é sobre verdad...

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU RESSENTIMENTO ORGANIZADO

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU RESSENTIMENTO ORGANIZADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: Redpill; machosfera; ressentimento; desejo; Freud; Lacan; Melanie Klein; violência de gênero; discurso; ilusão de controle Resumo Este texto é um ensaio narrativo construído a partir de uma posição autoral explícita: eu, José Antônio, psicólogo, sustento a escrita como campo de análise e elaboração crítica. A chamada “voz da Loka do Rolê” não é entidade autônoma nem identidade paralela, mas um operador discursivo — uma forma estética e filosófica de tensionar o real, inspirada em tradições como Freud, Lacan, Klein e Cioran. A Redpill aparece aqui não como fenômeno isolado, mas como arranjo simbólico que tenta organizar o ressentimento diante do não do outro. O que se apresenta como “despertar” é lido como defesa psíquica: simplificação do desejo, redução do outro e tentativa de estabilizar o que é estrutu...

A Carta Que Voltou Tarde Demais

A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...

Ninguém sonha com celulares porque eles já colonizaram a vigília

Ninguém sonha com celulares porque eles já colonizaram a vigília Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave subjetividade, sonho, desejo, tecnologia, discurso, mal-estar 👉 SEGUE O LINK DA MATERIAL TRAZIDO;  https://revistagalileu.globo.com/sociedade/curiosidade/noticia/2026/02/por-que-seu-celular-nao-costuma-aparecer-nos-seus-sonhos.ghtml  Por que quase ninguém sonha com celulares se passa o dia inteiro grudado neles? A pergunta parece curiosa, mas esconde um problema mais incômodo: talvez não sonhemos com celulares porque eles já ocupam o lugar onde o sonho deveria operar. Este artigo, escrito na voz da Loka do Rolê, tensiona a ideia de que a ausência do celular no sonho indicaria sua irrelevância psíquica. Pelo contrário: a tecnologia contemporânea não aparece no sonho porque deixou de ser objeto e se tornou ambiente. A partir de Freud, André Green, Byung-Chul Han e da crítica à cultura da performance, o...

Domar a dopamina!

Domar a dopamina O título já chega errado. E chega com a arrogância típica de quem nunca carregou um corpo até o fim do dia. “Domar a dopamina.” Como se fosse bicho. Como se fosse objeto. Como se fosse um frasco. Como se desse para comprar no balcão, pagar no Pix e sair andando mais leve. Dopamina não é metáfora. O discurso é. Dopamina é operação biológica. O discurso é o atraso tentando virar comando. O humano inventa palavra para se sentir no controle do que já está acontecendo por baixo. Sempre foi assim. É a parte cômica. A parte trágica não vende, então fica só o cômico. Dopamina não sabe o que é “domar”. Dopamina não sabe o que é “vontade”. Dopamina não sabe o que é “autocuidado”. Ela só responde. Ela só modula. Ela só participa de circuitos que não pediram autorização para existir. E aí vem a notícia com a cara de jornalismo sério e o coração de manual. Ela fala de prazer e alerta. Ela fala de vício e risco. Ela fala de um sujeito que poderia — veja a beleza do verbo...

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI): PALAVRAS-CHAVE sofrimento, discurso, sintoma, identidade, mídia, precarização, desejo RESUMO: Eu escrevo isso como quem lê e-mail depois do expediente: sem paciência, com o corpo cansado e a cabeça já atravessada por discursos que prometem explicar tudo o que dói. Hoje, o sofrimento não pede elaboração; ele pede legenda. Não se vive mais o sintoma — publica-se. O mal-estar deixou de ser tensão para virar identidade compartilhável, pronta para circular entre feeds, relatórios, sites e links “importantes”. Nada aqui nega a dor. O que se tensiona é o modo como ela foi sequestrada pela discursividade técnica, que antecipa respostas, organiza pertencimentos e elimina o risco do desejo. A Loka do Rolê observa esse cenário sem oferecer saída: quando o sintoma vira modo de existir discursivo, o corpo fica para trás e a vida vira no...

A máquina sonha por nós. E nós dormimos em paz

A máquina sonha por nós. E nós dormimos em paz. Fonte: (Harari: Podemos ficar presos no sonho de uma IA - 03/08/2025 - Mercado - Folha https://share.google/u6jvCNFKhJuQGDAZ6) #maispertodaignorancia Enquanto Harari alerta para um possível aprisionamento no “sonho da inteligência artificial”, seguimos conectados e conformados. Não se trata de um pesadelo futuro — é um estado já vivido, domesticado, e, pior: desejado. O perigo não está na IA sonhar por nós, mas em não querermos mais acordar. O historiador israelense Yuval Harari — aquele que diz verdades banais com voz de oráculo — reaparece no noticiário com sua última epifania: podemos ficar presos no “sonho da IA”. Como se fosse um futuro. Como se ainda não estivéssemos flutuando nesse devaneio sintético, entre likes, diagnósticos automatizados e playlists de emoções pré-programadas. A “ameaça” de Harari é uma cortina de fumaça suave: denuncia o risco ao mesmo tempo em que legitima sua base. Pois para que a IA nos prenda, é...

ENTRE O ALGORITMO E A ANGÚSTIA: ENSAIO PSICOSSOCIAL SOBRE A ELABORAÇÃO IMPOSSÍVEL NA ERA DA REPETIÇÃO DIGITAL

ENTRE O ALGORITMO E A ANGÚSTIA: ENSAIO PSICOSSOCIAL SOBRE A ELABORAÇÃO IMPOSSÍVEL NA ERA DA REPETIÇÃO DIGITAL RESUMO: Este artigo propõe uma leitura psicossocial e crítica do sujeito contemporâneo a partir de sua imersão na discursividade mediada por algoritmos. Com base na teoria freudiana — especialmente a tríade repetir, recordar e elaborar — investiga-se como o ambiente digital, estruturado pela lógica da repetição performática e pela economia da atenção, impede a elaboração subjetiva. O texto articula autores como Freud, Fédida, Byung-Chul Han, Cioran, Zuboff e Pondé, argumentando que a constante exposição do eu em redes mediáticas cria uma estética do ressentimento que bloqueia a elaboração psíquica. Ao analisar o funcionamento algorítmico como estrutura de poder e repetição simbólica, discute-se como o sujeito passa a repetir sem recordar e recordar sem elaborar, produzindo laços frágeis, depressividades performáticas e um mal-estar que não encontra elaboração, m...