Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta educação

ESCOLA NÃO SALVA O MUNDO. E A CRIANÇA NÃO É SEU PROJETO POLÍTICO.

ESCOLA NÃO SALVA O MUNDO. E A CRIANÇA NÃO É SEU PROJETO POLÍTICO. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: educação; autoridade; natalidade; mal-estar; modernidade; igualitarismo; pedagogia; cultura; transmissão; infância.   Todo mundo quer salvar o mundo pela escola. Uns querem disciplinar, outros querem se libertar, outros querem inovar. No meio disso, a criança vira laboratório e o professor vira animador de auditório. A Loka observa: não sabemos educar porque não sabemos mais o que é mundo. Queremos eliminar sofrimento, apagar hierarquias e produzir futuro sob demanda. E quando falha, chamamos de crise pedagógica. Talvez seja apenas crise de responsabilidade. De tempos em tempos aparece a mesma ladainha: “Não sabemos educar.” “Precisamos inovar.” “Os métodos antigos fracassaram.” E lá vamos nós, correndo atrás da próxima pedagogia disruptiva como quem troca de iPhone. Mas ninguém pergunta o óbvio: ...

A Educação do Medo e a Ansiedade como Política de Estado

A Educação do Medo e a Ansiedade como Política de Estado Resumo O presente artigo propõe uma análise crítica da formação subjetiva na contemporaneidade, observando a relação entre medo, educação e ansiedade como dispositivos estruturais do controle social. Com base em Freud, Becker, Cioran, Han e Zuboff, argumenta-se que o medo da realidade é hoje o principal instrumento pedagógico da civilização digital. A partir da figura discursiva da Loka do Rolê, representante simbólica da escuta do inexorável, a reflexão tensiona os limites entre a experiência vivida e sua conversão em dados. O artigo articula dimensões biológicas, tecnológicas e sociais, discutindo o colapso do tempo, a infantilização da consciência e o deslocamento do sujeito do campo da existência para o da simulação. Palavras-chave: ansiedade; medo; educação; tecnologia; niilismo; capitalismo de vigilância. 1. Introdução A educação moderna foi construída como promessa de emancipação. Mas na sociedade digital, ela ...

Entre o Like e o Lixo: a infância terceirizada à economia da atenção

Entre o Like e o Lixo: a infância terceirizada à economia da atenção 🎧👉 Podcast Mais perto da ignorância O Brasil nunca precisou de uma revolução tecnológica para esquecer da sua infância — bastou um smartphone e um pacote de dados parcelado em 12 vezes. É curioso como, em pleno 2025, conseguimos manter duas narrativas aparentemente opostas correndo lado a lado: de um lado, influenciadores como Felca, que com humor e sarcasmo denunciam a adultização de crianças nas redes; de outro, intelectuais e pesquisadores que, como Lenina Vernucci da USP, analisam o mesmo fenômeno sob a lente da desigualdade e da exploração digital. Ambos certos. Ambos incompletos. Porque, no fundo, o problema não está só no TikTok ou na “moda” das lives de NPC: está naquilo que antecede essas telas, no que Freud chamaria de recalque civilizacional, atualizado em streaming e monetização. A CPI sobre adultização infantil no Senado — uma rara frente ampla, segundo matéria da CartaCapital (https://www.c...

Inteligência artificial, infância artificial: o QI que interessa ao mercado

Inteligência artificial, infância artificial: o QI que interessa ao mercado Link original: https://oantagonista.com.br/ladooa/tecnologia/o-efeito-inesperado-do-videogame-no-qi-das-criancas-segundo-a-ciencia/ A curva do QI como índice de domesticabilidade cognitiva Uma manchete que afirma que "videogames aumentam o QI de crianças" parece, à primeira vista, um pequeno alívio no abismo de angústia que cerca o pânico moral das telas. Mas, como todo discurso científico que adquire popularidade nas redes sociais, ele precisa ser interrogado não só pelo que diz, mas principalmente pelo que não diz. Ao propor que o QI aumenta com o videogame, a matéria publicada pelo site  O Antagonista, baseada em um estudo da Karolinska Institutet com mais de 9 mil crianças nos EUA, revela mais sobre o estado da ciência contemporânea e sobre o modelo de infância que estamos fabricando do que sobre o potencial cognitivo real dos jogos digitais. Diz o estudo:  crianças que jogam mais vide...

Currículos High-Tech, Cérebros 3G: a nova catequese da falta (e a fé no substituível)

Currículos High-Tech, Cérebros 3G: a nova catequese da falta (e a fé no substituível) Resumo - Entre a euforia dos investimentos em IA e a persistência do analfabetismo funcional, o Brasil vive a contradição de celebrar vagas técnicas sem conseguir preenchê-las. Geração Z, censo, PNAD e relatórios globais convergem num paradoxo: há escassez de gente justamente quando tudo promete ser automatizado. O artigo investiga o improvável casamento entre carência de qualificação e abundância de tecnologias de “pronto-emprego”, refletindo sobre o risco de enxergar cada novidade digital como milagre capaz de abolir esforços humanos – sem perceber que, nesse altar, continuamos nós a ofertar nossos cérebros em penhora. 1 | A fábrica da falta em alta velocidade Segundo o Censo 2022, ainda temos 7 % de brasileiros analfabetos – mais de 11 milhões de pessoas – e profundas desigualdades regionais. Some-se a isso os 27 % de analfabetos funcionais apontados pelo INAF 2024, ilhados na leitur...

Desaprendendo a Escrever: quando a caligrafia morre, o pensamento pede socorro

Desaprendendo a Escrever: quando a caligrafia morre, o pensamento pede socorro Por José Antônio Lucindo da Silva – #maispertodaignorancis Data: 21 de junho de 2025 Num mundo onde tudo precisa ser instantâneo — da comida ao afeto —, surpreende alguém ainda se importar com algo tão jurássico quanto a escrita cursiva. E, no entanto, é justamente isso que está morrendo diante dos nossos olhos pixelados: a capacidade de elaborar uma ideia... com as próprias mãos. Segundo matéria publicada pela Gazeta de São Paulo, cerca de 40% dos jovens já não dominam mais a escrita manual. Aquela mesma que exige tempo, coordenação, esforço e uma pitada de paciência — virtudes em extinção. E aqui não falamos só de estética ou nostalgia: falamos da morte simbólica de um tipo de pensamento que precisa passar pelo corpo antes de virar discurso. Mas o que isso tem a ver com o discurso interpessoal? Tudo. Sem o treino de elaborar frases completas no papel, como sustentar conversas densas no mundo real? Como ord...