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Domar a dopamina!

Domar a dopamina O título já chega errado. E chega com a arrogância típica de quem nunca carregou um corpo até o fim do dia. “Domar a dopamina.” Como se fosse bicho. Como se fosse objeto. Como se fosse um frasco. Como se desse para comprar no balcão, pagar no Pix e sair andando mais leve. Dopamina não é metáfora. O discurso é. Dopamina é operação biológica. O discurso é o atraso tentando virar comando. O humano inventa palavra para se sentir no controle do que já está acontecendo por baixo. Sempre foi assim. É a parte cômica. A parte trágica não vende, então fica só o cômico. Dopamina não sabe o que é “domar”. Dopamina não sabe o que é “vontade”. Dopamina não sabe o que é “autocuidado”. Ela só responde. Ela só modula. Ela só participa de circuitos que não pediram autorização para existir. E aí vem a notícia com a cara de jornalismo sério e o coração de manual. Ela fala de prazer e alerta. Ela fala de vício e risco. Ela fala de um sujeito que poderia — veja a beleza do verbo...

QUANDO TUDO FUNCIONA, NINGUÉM ESCUTA

QUANDO TUDO FUNCIONA, NINGUÉM ESCUTA 🎬 ASSISTIR AO NOSSO CANAL NO YOUTUBE Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: escuta simulada; eficiência; sofrimento psíquico; protocolo; subjetividade; colapso do discurso RESUMO: Existe uma crença difusa — e perigosamente confortável — de que o avanço técnico, a otimização de processos e a sofisticação dos discursos de cuidado nos aproximariam de alguma forma de escuta. Esta crônica ensaística parte do ponto oposto. Quanto mais o sistema funciona, menos alguém escuta. O que se apresenta como acolhimento frequentemente é apenas desempenho: respostas rápidas, empatia treinada, linguagem correta, ausência de silêncio. A Loka do Rolê entra como figura de interrupção desse circuito: não para explicar, mas para denunciar o excesso de funcionamento como forma de apagamento do sujeito. Não há proposta de solução, nem defesa de um retorno romântico ao humano. O texto sustenta o impasse: quando tud...