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A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO

A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO Eu tenho uma mania que, segundo alguns especialistas da internet, provavelmente precisa ser trabalhada. Eu gosto de desconfiar de frases bonitas. Não é que eu seja contra frase bonita. Eu até gosto. O problema é que frase bonita tem uma capacidade impressionante de esconder cadáver embaixo do tapete. Você olha, acha elegante, compartilha, coloca uma música triste por trás e pronto: nasceu mais uma explicação para uma vida que ninguém teve tempo de viver direito. “Conhece-te a ti mesmo.” Bonito. Parece profundo. Parece antigo. Parece que alguém acendeu uma vela, respirou fundo e descobriu uma verdade escondida dentro da própria alma. Só que eu fico pensando: Conhece-te quando, meu irmão? Porque existe uma pequena inconveniência chamada tempo. E existe outra chamada corpo. E tem uma terceira, que costuma ser ainda mais mal-educada: a vida. A vida não espera você terminar o processo de autoconhecimento. A vida acontece. O aluguel ...

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia 🎬 CANAL DO YOUTUBE. Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — com A Loka do Rolê Palavras-chave narcisismo negativo; capitalismo de vigilância; sociedade do cansaço; identidade; adolescência; angústia; soberania do eu; poder instrumentário. Resumo Há quem diga que estamos diante de uma “crise geracional”. Outros preferem falar em “emergência de saúde mental”. O discurso oscila entre o alarme e a estatística. O que raramente se nomeia é o arranjo estrutural: a infância e a adolescência tornadas infraestrutura de dados. Narciso deixou de se mirar na água; agora se mira numa superfície programada para devolver mais do que reflexo — devolve demanda. André Green chamou de trabalho do negativo; Byung-Chul Han falou do cansaço como sintoma da positividade compulsória; Zuboff descreveu a captura da experiência como matéria-prima. O que se apresenta como liberdade d...

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente

Manual do Sofrimento Pronto para Uso — Leia Depois do Expediente AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI): PALAVRAS-CHAVE sofrimento, discurso, sintoma, identidade, mídia, precarização, desejo RESUMO: Eu escrevo isso como quem lê e-mail depois do expediente: sem paciência, com o corpo cansado e a cabeça já atravessada por discursos que prometem explicar tudo o que dói. Hoje, o sofrimento não pede elaboração; ele pede legenda. Não se vive mais o sintoma — publica-se. O mal-estar deixou de ser tensão para virar identidade compartilhável, pronta para circular entre feeds, relatórios, sites e links “importantes”. Nada aqui nega a dor. O que se tensiona é o modo como ela foi sequestrada pela discursividade técnica, que antecipa respostas, organiza pertencimentos e elimina o risco do desejo. A Loka do Rolê observa esse cenário sem oferecer saída: quando o sintoma vira modo de existir discursivo, o corpo fica para trás e a vida vira no...

Curtidas Não Elaboram Dor

Curtidas Não Elaboram Dor Autor José Antônio Lucindo da Silva: Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI): 🎬 Assista em Nosso Canal no YouTube: Palavras-chave: Sofrimento; depressão; discursividade; narcisismo; tecnologia; IA; engajamento; identidade; Loka do Rolê. Resumo: Todo mundo sofre. Isso nunca foi novidade. A novidade é que, agora, a dor precisa performar bem. Precisa ser visível, compartilhável, reconhecível e, de preferência, mensurável. Não basta doer — é preciso que doa do jeito certo, na gramática certa, com o engajamento adequado. Este texto não questiona a existência do sofrimento nem relativiza a dor psíquica. Questiona o regime discursivo que passou a validá-la apenas quando ela circula bem. A partir de Freud, André Green, Ernest Becker, Sartre e Byung-Chul Han, este ensaio examina como a depressão e a solidão deixaram de ser apenas experiências humanas para se tornarem performances discursivas sustentadas por aparatos tecnológicos que organizam, correlacionam...

A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir

🔪 ARTIGO MPI — A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir 🎬 Canal no YouTube José Antônio Lucindo — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 O algoritmo não está te avaliando. Ele está te enterrando vivo. INTRODUÇÃO Há algo de obsceno na forma como os algoritmos foram aceitos como progresso inevitável. Como se a precisão matemática dispensasse o resto da humanidade — a dúvida, o tropeço, o conflito, a carne. Neste artigo, não pretendo discutir se a Inteligência Artificial é “boa” ou “ruim”. Essa pergunta já morreu. A questão real é outra: o que acontece com uma sociedade quando decisões vitais são entregues a sistemas que não erram — apenas repetem, em escala industrial, os erros mais antigos da cultura? Cathy O’Neil chamou essas máquinas de Algoritmos de Destruição em Massa (WMDs) — sistemas opacos, escaláveis, punitivos, que transformam desigualdade em axioma. No MPI, já chamamos isso de outra maneira: “não há es...