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Matrix, frango na mesa e o medo de morrer (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”).

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer  (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”). A fagulha deste texto veio daqui: “Matrix estava certo? Cientista diz ter encontrado evidência física de que vivemos em uma simulação.” Publicado em O Globo – Época / Mundo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/03/06/matrix-estava-certo-cientista-diz-ter-encontrado-evidencia-fisica-de-que-vivemos-em-uma-simulacao-entenda.ghtml  A matéria levanta a velha fantasia tecnológica: talvez a realidade seja apenas código. Pode ser. Mas antes de transformar o universo em software, talvez valha uma pergunta mais simples — quem está discutindo simulação com o estômago cheio e quem ainda está tentando colocar frango na mesa. Porque enquanto alguns debatem se o mundo é algoritmo, outros continuam lidando com aquilo que nenhuma simulação resolve: corpo, fome, trabalho e sobrevivência. A manchete apareceu animada: um cientista afirma ter...

O bromismo não começou na boca

O bromismo não começou na boca Fonte;👇 https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/08/12/homem-desenvolve-condicao-psiquiatrica-rara-apos-consulta-ao-chatgpt-sobre-parar-de-comer-sal.ghtml Vivemos tempos em que o erro humano é vendido como prova da falibilidade da máquina — ou vice-versa — sem que ninguém se dê ao trabalho de perguntar onde, afinal, começou o enredo. O caso do homem de 60 anos que, confiando em um chatbot, trocou o sal por brometo de sódio até desenvolver uma condição psiquiátrica rara, é apresentado como um acidente isolado. Um descuido. Uma fatalidade. Mas é muito mais que isso: é um retrato fiel de um mundo que já se intoxicou muito antes do primeiro gole do veneno. O bromismo não começou na boca; começou no clique. No ato ritualizado de abrir o navegador, formular uma pergunta e aguardar a resposta como quem espera o veredito de um oráculo moderno. A diferença é que, ao contrário dos oráculos antigos, que ao menos tinham o senso dramático d...

A inteligência que desliga o humano

A inteligência que desliga o humano 🔗 Fonte original: Fast Company Brasil – Nicolelis critica hype da IA #maispertodaignorancia Você confiaria sua angústia a um algoritmo? Ou melhor: quem ganha com a ideia de que o sofrimento pode ser deletado com uma linha de código? O entusiasmo com a inteligência artificial, tão frenético quanto dogmático, revela menos um avanço da razão e mais um pânico da finitude. O que Miguel Nicolelis denuncia não é a IA em si, mas o projeto psíquico por trás dela: apagar a fragilidade, higienizar o erro, automatizar a dúvida. 1. Um fetiche chamado algoritmo Nicolelis, neurologista e herege honorário do tecnocapitalismo, rompe com o otimismo pasteurizado das startups. Enquanto CEOs prometem cérebros em nuvem, ele insiste na intransferível densidade do corpo, na inteligência encarnada, no pensamento como sintoma — e não como sistema. Em tempos de adoração algorítmica, esse gesto é revolucionário: ele lembra que só pensa quem sente. A cultura do Vale...

ENTRE O CHATGPT E O BOLETO: UM RETRATO IRÔNICO DO ANALFABETISMO FUNCIONAL E DIGITAL NO BRASIL HIPER-ALGORITMIZADO

Fonte ENTRE O CHATGPT E O BOLETO: UM RETRATO IRÔNICO DO ANALFABETISMO FUNCIONAL E DIGITAL NO BRASIL HIPER-ALGORITMIZADO José Antônio Lucindo da Silva – #maispertoignorancia Resumo Embora 53 % dos trabalhadores brasileiros já acionem agentes de IA no expediente, quase um terço mal domina operações básicas de cópia-e-cola e 29 % permanece no limbo do analfabetismo funcional. O presente artigo examina, em chave irônica e crítico-reflexiva, o descompasso entre a retórica da “Nação 4.0” e a realidade de uma força de trabalho que terceiriza ao algoritmo aquilo que não aprendeu a fazer com lápis e papel. A partir de dados recentes de INAF, IBGE, Anatel, CETIC.br e Michael Page, articula-se um diagnóstico psico-sócio-tecnológico que expõe a conversão do sujeito em operador de prompt e questiona o fetiche nacional pela inovação sem alfabetização. Palavras-chave: alfabetismo funcional; habilidades digitais; inteligência artificial; Brasil; crítica cultural. 1 | Introdução O Brasil ce...