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ESCOLA NÃO SALVA O MUNDO. E A CRIANÇA NÃO É SEU PROJETO POLÍTICO.

ESCOLA NÃO SALVA O MUNDO. E A CRIANÇA NÃO É SEU PROJETO POLÍTICO. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: educação; autoridade; natalidade; mal-estar; modernidade; igualitarismo; pedagogia; cultura; transmissão; infância.   Todo mundo quer salvar o mundo pela escola. Uns querem disciplinar, outros querem se libertar, outros querem inovar. No meio disso, a criança vira laboratório e o professor vira animador de auditório. A Loka observa: não sabemos educar porque não sabemos mais o que é mundo. Queremos eliminar sofrimento, apagar hierarquias e produzir futuro sob demanda. E quando falha, chamamos de crise pedagógica. Talvez seja apenas crise de responsabilidade. De tempos em tempos aparece a mesma ladainha: “Não sabemos educar.” “Precisamos inovar.” “Os métodos antigos fracassaram.” E lá vamos nós, correndo atrás da próxima pedagogia disruptiva como quem troca de iPhone. Mas ninguém pergunta o óbvio: ...

Quando a lei chega depois do corpo

Quando a lei chega depois do corpo (Caso Orelha, ECA e o limite que ninguém quer sustentar) A lei chegou. Sempre chega. Chega depois do corpo caído. Depois do sangue limpo da calçada. Depois da indignação organizada. Depois do choque convertido em manchete. A Polícia Civil concluiu o inquérito. O Ministério Público foi acionado. O Judiciário agora decide. Tudo em ordem. Tudo funcionando. Tudo civilizado. A morte do cão Orelha, espancado até não responder mais ao mundo, virou processo, artigo, debate jurídico. Virou também um dilema pedagógico mal disfarçado: o que fazer com o adolescente apontado como autor? A resposta técnica é clara. O Estatuto da Criança e do Adolescente existe exatamente para isso. O ECA não é frágil. Ele é deliberadamente contido. Internação não é regra. É exceção. É medida extrema. É o último recurso quando o Estado reconhece que não conseguiu operar antes. E é aqui que a Loka do Rolê começa a rir — não de humor, mas de lucidez cansada. Porque a socie...

O autoritário mora ao lado: o voto é só o sintoma

O autoritário mora ao lado: o voto é só o sintoma Não é no palanque que nasce o autoritarismo — é no colo. A paixão pelo tirano talvez seja o eco de um afeto mal metabolizado: o líder forte preenche o buraco deixado por figuras frágeis demais para sustentar a autoridade com escuta. É disso que trata o livro “Paixão pela mentira”, do psicanalista Paulo Schiller, citado em reportagem recente do Valor Econômico. E é isso que o fascínio contemporâneo por autocratas nos esfrega na cara: o problema não é político, é íntimo. I. O retorno do recalque como voto Freud já nos alertava em O mal-estar na civilização (1930): o preço da vida social é o recalque. Só que aquilo que é recalcado, cedo ou tarde, retorna — travestido de “desejo de ordem”, “valores tradicionais” ou “defesa da família”. A paixão pelo autocrata é, nesse sentido, uma forma de gozo secundário: o prazer de obedecer sem ter que pensar. O desejo por líderes duros não nasce do esclarecimento, mas da saturação do di...