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O JOGO QUE NUNCA COMEÇOU — DA ILUSÃO DE ESCOLHA À ECONOMIA DA PREVISÃO

O JOGO QUE NUNCA COMEÇOU — DA ILUSÃO DE ESCOLHA À ECONOMIA DA PREVISÃO 🎬 CANAL NO YOUTUBE: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo: Este ensaio propõe uma reinterpretação da condição contemporânea a partir da articulação entre Freud, Marx e Zuboff. Sustenta-se que o sujeito não apenas opera dentro de estruturas previamente dadas, mas que, na pós-atualidade, sua própria experiência é convertida em matéria-prima econômica. O discurso deixa de ser mediação simbólica e passa a ser dado comportamental extraído, processado e antecipado. A Loka do Rolê surge como operador de corte que evidencia: não há jogo, há modelagem. Introdução — não é discurso, é extração: Antes, o problema era o discurso. Hoje, o discurso virou insumo. Isso muda tudo. Porque o que você fala, pensa, deseja — não circula mais apenas como linguagem. Circula como dado. E dado não precisa de sentido. Precisa de previsibilidade. 1. A virada...

O JOGO QUE NUNCA COMEÇOU — EU NÃO TE ANALISO, EU TE VEJO SENDO USADO

O JOGO QUE NUNCA COMEÇOU — EU NÃO TE ANALISO, EU TE VEJO SENDO USADO José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) 🎬 CANAL NO YOUTUBE: Resumo: Eu não tô partindo de verdade nenhuma. Nem de tese fechada. Nem de conclusão elegante. Eu tô partindo de uma suspeita: de que você não fala mais — você é falado em forma de dado. Se Freud ainda tentava escutar, e Marx ainda tentava denunciar, Zuboff escancarou o resto: não é mais discurso. é captura. Introdução — cês ainda acham que tão pensando: Eu vou começar simples. Você acha que escolhe. Eu sei que você acha. Você abre o celular, rola, pausa, volta, clica… e chama isso de decisão. Bonito. Organizado. Quase humano. Mas não é. Porque o que você chama de escolha já passou por um filtro que você não viu. E pior: nem foi feito pra você perceber. 1. Eu não te escuto — eu vejo o padrão: Freud ainda acreditava que dava pra escutar alguma coisa aí dentro. Desejo. Repetição. Sin...

O Sofrimento Como Sinal: Quando a Dor Vira Variável e o Cuidado Vira Dado

O Sofrimento Como Sinal: Quando a Dor Vira Variável e o Cuidado Vira Dado Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave saúde mental; juventude; dados; correlação; capitalismo de vigilância; técnica; discurso; IBM; infraestrutura. Resumo: Este ensaio não fala de cura, nem de caminhos mágicos, nem de menus de autoajuda: fala da transformação da experiência em dado e da vida em sinal antes de qualquer cuidado clínico ou intervenção pública. A análise crítica da Loka do Rolê tensiona discursos sobre saúde mental juvenil, políticas públicas e técnicas de dados. A partir de obras como IBM and the Holocaust (Edwin Black) e The Age of Surveillance Capitalism (Shoshana Zuboff), o texto expõe como infraestruturas técnicas preexistem às leis e ao discurso de proteção, e como a coleta, correlação e uso de dados comportamentais podem funcionar como critérios de exclusão antes que o sujeito seja atendido ou considerado cidadão pleno. Uma críti...

Entre a carne e o código: corpo, dado e a falsa soberania do sujeito

Entre a carne e o código: corpo, dado e a falsa soberania do sujeito Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cnv716g5v4yo 1. Introdução — O paradoxo inicial O algoritmo sabe o que você vai comer amanhã — mas ainda não pode mastigar por você. Essa ironia resume a tensão do nosso tempo: vivemos mergulhados em ecossistemas digitais que nos tratam como bases de dados preditivos, mas continuamos existindo como organismos que respiram, sentem fome, adoecem e morrem. O discurso hegemônico sobre “o poder das máquinas” nos seduz pela narrativa de que a tecnologia opera num plano acima das nossas limitações biológicas. Mas aqui está o ponto: culpabilizar apenas o algoritmo é um álibi confortável. A máquina não tem fome, nem sede, nem ambição; quem a programa, quem lucra com ela, sim. Shoshana Zuboff, em A Era do Capitalismo de Vigilância, descreve como o dado se tornou a nova matéria-prima de um mercado que se alimenta da vida cotidiana. Mas há um erro com...

Criança Plugada, Adulto Desligado

Criança Plugada, Adulto Desligado Fonte original: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/08/4-em-cada-10-dizem-que-criancas-tem-muito-tempo-de-tela.shtml #maispertodaignorancia Quatro em cada dez brasileiros acham que crianças estão tempo demais em frente às telas. O restante, ao que tudo indica, está ocupado demais... em frente às suas próprias. A matéria da Folha sugere uma preocupação parental crescente com a "exposição excessiva" das crianças a celulares, tablets e afins. Mas o que não se diz? Talvez o mais óbvio: o problema não está na tela da criança, mas na cegueira do adulto. Como apontou Bauman em 44 Cartas do Mundo Líquido Moderno, os pais perderam o monopólio simbólico sobre a autoridade — foram substituídos por algoritmos de entretenimento e apps de babysitting emocional. A crise não é da infância: é da adultez colapsada que terceiriza o afeto, a escuta e o tédio. A “preocupação” com o tempo de tela revela mais sobre o desconforto adulto c...

Diagnóstico ou Sentença? A Inteligência Artificial no espelho da memória que esquecemos de viver

Diagnóstico ou Sentença? A Inteligência Artificial no espelho da memória que esquecemos de viver (https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/ia-pode-identificar-pacientes-com-risco-de-alzheimer-e-ajudar-a-determinar-tratamento-precoce-diz-estudo/ar-AA1IPdaM) A matéria anuncia com entusiasmo o uso da Inteligência Artificial para identificar precocemente o risco de Alzheimer, sugerindo que o futuro da medicina reside na prevenção algorítmica. Mas o que estamos de fato prevenindo? A doença ou o próprio tempo? #MaisPertodaIgnorancia Vivemos em uma era em que a memória — antes humana, carregada de afetos, dores, lapsos e narrativas — torna-se um dado a ser lido por máquinas. A IA não apenas mede os esquecimentos, mas os antecipa. Não haverá mais espaço para esquecer-se aos poucos de quem se é. Agora, antes mesmo de nos perdermos de nós, um sistema nos encontrará e nos etiquetará: “em risco”. O risco deixa de ser uma possibilidade incerta e passa a ser mais uma mercadoria...

À primeira vista

À primeira vista O artigo da Outras Palavras descreve como EdTechs (Byju’s, Khan Academy & cia.) vendem “personalização” e “diversão” enquanto deslizam, sem alarde, para dentro da escola pública paulista — e, de quebra, rebaixam o professor a tutor de chatbot.  O texto expõe o enredo neoliberal: privatizar sistemas públicos, extrair dados discente-a-discente e apostar num “aluno-consumidor” habituado a recompensas de game. Nas entrelinhas que interessam ao “Mais Perto da Ignorância” Gamificação como pedagogia da dopamina – Badges e rankings parecem inocentes, mas a literatura mostra queda de desempenho, trapaças e perda de motivação intrínseca quando o jogo vira obrigação. Datificação turbinada pela IA – Aluno vira mineiro de si mesmo: cada clique é biombo estatístico para algoritmos famintos por novos mercados (seguindo a lógica do “aprenda-e-entregue seus dados enquanto joga”). Docente “inovador-Uber” – Certificados Big Tech trocam formação crítica ...