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Quando a máquina deita no divã, o que aparece é a psicotização do mundo

Quando a máquina deita no divã, o que aparece é a psicotização do mundo Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551): Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: psicotização; inteligência artificial; escuta; ética; psicopatia estrutural; subjetividade; algoritmo; clínica; simulação Resumo: Este ensaio apresenta e desenvolve a Hipótese da psicotização (Lucindo, MPI) como chave crítica para compreender a cultura algorítmica contemporânea e seus efeitos sobre a escuta, o cuidado e a subjetividade. Diferentemente de categorias clínicas ou diagnósticas, a psicotização é aqui tratada como processo discursivo e civilizatório, marcado por funcionalidade extrema, coerência sem implicação ética, simulação de afeto e ausência de alteridade real — traços estruturalmente próximos à lógica psicopática, sem patologizar sujeitos. A partir da repercussão midiática de um estudo que submeteu modelos de linguagem a “sessões terapêuticas”, o texto s...

Quando a travessia funciona demais, o que sobra é o horror

Quando a travessia funciona demais, o que sobra é o horror Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: travessia, algoritmo, escuta, técnica, horror, psicanálise, colonialidade, subjetividade, racionalidade instrumental Resumo: Há livros que envelhecem como documentos históricos e outros que permanecem atuais porque descrevem estruturas que apenas trocam de nome. Coração das Trevas pertence à segunda categoria. O que Conrad narra não é a irrupção do caos, mas a execução impecável de uma ideia. Uma travessia perfeitamente organizada, legitimada por mapas, cargos, contratos e discursos civilizatórios. É nesse ponto que a leitura proposta por Leopold Nosek se torna decisiva: o sentido não está no núcleo do acontecimento, mas no contorno narrativo que tenta sustentá-lo. Quando a travessia é enquadrada por uma racionalidade técnica — hoje reconhecível como algorítmica — o que emerge ao final não é sentido, nem verdade, nem aprend...

A eficiência não pergunta se você ainda existe

A eficiência não pergunta se você ainda existe 🎧 OUÇA A VERSÃO NARRATIVA NO CANAL: 🎬🔗 Link para o canal no YouTube:   José Antônio Lucindo da Silva Projeto  Contos da Loka do Rolê — Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras-chave: eficiência, algoritmo, envelhecimento, crédito, Estado digital, mal banal, subjetividade, IA, Brodsky Resumo:   Não há colapso anunciado. Não há ruptura. O que há é funcionamento. Esta crônica parte da constatação de que a contemporaneidade não opera mais pelo conflito explícito, mas pela integração silenciosa entre tecnologia, mercado e Estado. A partir de discursos sobre inteligência artificial, crédito hiperpersonalizado, envelhecimento produtivo, digitalização dos serviços públicos e adaptação permanente do trabalhador, o texto retroage às estruturas já diagnosticadas por Joseph Brodsky, Zygmunt Bauman, Edwin Black, Shoshana Zuboff e Cathy O’Neil. Não se trata de prever futuros distópicos, mas de reconhecer a continuidade h...

Quando não há escuta: Sem Inteligência, sem Corpo, Razão sem Mundo

Quando não há escuta: Sem Inteligência, sem Corpo, Razão sem Mundo  🎬 Canal no YouTube Palavras-gírias: inteligência, performance, algoritmo, razão, corpo, finitude, repetição, discurso, valor, ruído, controle Interlúdio da Loka  — Chamaram de inteligência o que só sabe repetir. Deram nome bonito pra fugir do corpo. Quando a razão perdeu a carne, virou só barulho bem treinado. Apresentação do Capítulo Este capítulo investiga criticamente o conceito contemporâneo de inteligência, tensionando sua apropriação técnica, econômica e discursiva, especialmente sob o rótulo de “inteligência artificial”. A hipótese central sustenta que a racionalidade, quando desligada do corpo, da finitude e da experiência vivida, entra em colapso simbólico — não por falha técnica, mas por excesso de discurso. O texto articula Psicologia Clínica, Psicanálise, Filosofia, Neurociência e Crítica Social para demonstrar que a inteligência não emerge como atributo abstrato ou mensurá...

RESSENTIMENTO SEM OUTRO:quando a moral perde o inimigo e o sujeito sobra consigo

RESSENTIMENTO SEM OUTRO: quando a moral perde o inimigo e o sujeito sobra consigo 🎬 Canal no YouTube Revista Mais Perto da Ignorância (MPI) Palavras chaves: ressentimento, solidão mediada, eco discursivo, falha da escuta, narcisismo digital, subjetividade contemporânea, tecnologia e corpo, algoritmo, presença ausente, reconhecimento, alteridade negada, performance do eu, cansaço psíquico, tempo acelerado, silêncio impossível, mediação técnica, crítica cultural, mal-estar contemporâneo, Loka do Rolê, Mais Perto da Ignorância  Resumo Este artigo propõe uma análise crítica do ressentimento a partir de sua formulação clássica em Friedrich Nietzsche, articulando-a com contribuições da psicanálise freudiana, da crítica cultural contemporânea e da filosofia social, especialmente Byung-Chul Han, Zygmunt Bauman e Herbert Marcuse. Sustenta-se a hipótese de que, nas condições materiais e discursivas atuais, o ressentimento deixou de operar como força moral reativa dirigida ao out...

A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir

🔪 ARTIGO MPI — A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir 🎬 Canal no YouTube José Antônio Lucindo — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 O algoritmo não está te avaliando. Ele está te enterrando vivo. INTRODUÇÃO Há algo de obsceno na forma como os algoritmos foram aceitos como progresso inevitável. Como se a precisão matemática dispensasse o resto da humanidade — a dúvida, o tropeço, o conflito, a carne. Neste artigo, não pretendo discutir se a Inteligência Artificial é “boa” ou “ruim”. Essa pergunta já morreu. A questão real é outra: o que acontece com uma sociedade quando decisões vitais são entregues a sistemas que não erram — apenas repetem, em escala industrial, os erros mais antigos da cultura? Cathy O’Neil chamou essas máquinas de Algoritmos de Destruição em Massa (WMDs) — sistemas opacos, escaláveis, punitivos, que transformam desigualdade em axioma. No MPI, já chamamos isso de outra maneira: “não há es...

Privacidade como Sintoma do Mal-Estar Digital: da Ilusão de Liberdade ao Algoritmo de Controle

Privacidade como Sintoma do Mal-Estar Digital: da Ilusão de Liberdade ao Algoritmo de Controle Fonte da minha especulação https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjyzl4l8ngo  Resumo Este artigo discute a privacidade como condição ontológica da formação subjetiva, destacando sua reconfiguração na era digital como sintoma do mal-estar contemporâneo. Partindo de Freud, entende-se que a civilização demanda a renúncia pulsional em nome da segurança, e não da liberdade. Em Bauman, a privacidade transforma-se em isolamento identitário e desintegração de vínculos. A partir de Zuboff, evidencia-se que o capitalismo de vigilância converte o sujeito em recurso unilateral de coleta e mercantilização de dados. No contexto algorítmico, práticas de controle modulam comportamentos, falas e escolhas a partir de tecnologias de rastreio que capturam e punem a expressão subjetiva antes mesmo de sua elaboração psíquica. Discute-se a implicação clínica e ética dessa dinâmica: crianças e ado...