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O LUGAR ESQUECIDO

O LUGAR ESQUECIDO Corpo, tempo, espaço e captura de dados na civilização digital: uma investigação psico – bio - social e discursivo-digital A Loka do Rolê — Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo: Este ensaio investiga, a partir do modelo Psico-bio-social e Discursivo-Digital do projeto Mais Perto da Ignorância (MPI), a frase-eixo “a espécie está tão distante do que poderia ser, que acaba esquecendo de que lugar ela existe, de fato”. Seguindo a sequência metodológica do MPI — corpo, tempo, espaço, condições materiais, organização social, tecnologia, economia, comunicação, discursos, discursividade digital e consequências psico-bio-social —, a investigação articula a leitura freudiana do mal-estar civilizatório, a crítica de Zygmunt Bauman à liberdade líquida, a descrição de Byung-Chul Han sobre a sociedade do desempenho, a leitura de Pedro Leite sobre a civilização digital e a teoria de Shoshana Zuboff sobre o capitalismo de vigilância. Documentos oficiais do IBGE, ...

Hipótese Fundamental nº 05: Ressentimento, Raiva e Medo: permanências psicobiossociais e discursivo-digitais ou categorias explicativas?

Hipótese Fundamental nº 05 Ressentimento, Raiva e Medo: permanências psicobiossociais e discursivo-digitais ou categorias explicativas? Estado da hipótese: Provisória Versão: 0.1 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Resumo O presente Documento de Investigação integra o Arquivo Vivo do Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) e possui caráter estritamente investigativo. Seu objetivo não consiste em explicar ressentimento, raiva ou medo, tampouco confirmar interpretações já consolidadas por diferentes tradições teóricas. A investigação parte da hipótese de que essas três categorias, frequentemente utilizadas como explicações do sofrimento humano e das dependências, talvez devam ser tratadas como acontecimentos investigáveis e não como respostas previamente aceitas. Em consonância com o Método Editorial Oficial do MPI, a análise inicia-se pelo acontecimento documentado, retorna continuamente ao corpo como critério de verificação e percorre sucessivamente as condições materiai...

A ARQUITETURA DA FADIGA

A ARQUITETURA DA FADIGA AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI RESUMO Passei os últimos dias ouvindo pessoas explicarem o mundo. Especialistas explicavam a política. Economistas explicavam os mercados. Tecnólogos explicavam os algoritmos. Jornalistas explicavam as crises. Psicólogos explicavam o sofrimento. Em algum momento percebi que a quantidade de explicações estava crescendo mais rápido do que a capacidade de compreender qualquer coisa. Talvez esse seja o verdadeiro cenário contemporâneo. Não uma crise de informação, mas uma superprodução dela. Não uma ausência de sentido, mas uma indústria inteira dedicada a fabricá-lo. Enquanto isso, o sujeito continua acordando cansado. Continua ansioso. Continua acelerado. Continua produzindo dados, atenção e comportamento para sistemas que já não consegue enxergar. Este ensaio não procura localizar culpados nem oferecer respostas. Procura apenas observar a rachadura que aparece quando o sofrimento encontra u...

Capítulo — Não há escuta → o corpo não responde, ele interrompe

Capítulo — Não há escuta → o corpo não responde, ele interrompe Palavras-gírias: corte, ruído, glitch, corpo, resto, falha, algoritmo, exaustão, colapso, repetição Interlúdio da Loka: Você chama de consciência o que sobrou depois da queda chama de memória o que nunca chegou a acontecer e ainda quer escuta num lugar onde o corpo já desligou antes eu não falo eu apareço no intervalo Apresentação: Este capítulo não investiga a escuta como técnica — investiga sua impossibilidade como garantia. No bloco acadêmico, a escuta é desmontada como ideal clínico e social, atravessada por Freud, Han, Durkheim e Zuboff, onde o sujeito não sustenta continuidade suficiente para ser “escutado”. No bloco narrativo, a Loka dramatiza o colapso do eu como interrupção corporal — não há história, há remendos. No bloco corrosivo, o texto tensiona a cultura do engajamento, onde escutar foi substituído por responder. Por fim, no bloco clínico, articula-se o sofrimento contemporâneo como excesso de funcionamento,...

Não há escuta → você não está cansado, você está funcionando demais

 Não há escuta → você não está cansado, você está funcionando demais Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: corpo; cansaço; algoritmo; trabalho; discurso; tempo; exaustão; funcionamento Resumo: Você voltou do trabalho e abriu o celular como quem abre um buraco. Não pra sair — pra cair. Entre discursos sobre produtividade, saúde mental, guerra, moral e sentido, você tenta organizar alguma coisa dentro. Não organiza. Só continua. Essa crônica não explica o seu cansaço — ela aponta o que você está evitando encarar: não é que você esteja falhando, é que você está funcionando dentro de uma lógica que não comporta o corpo. E quanto mais você tenta dar sentido, mais você se afasta do único lugar onde algo ainda acontece de verdade — o presente que não promete nada e cobra tudo. Introdução: Você chegou agora. Não chegou inteiro. Chegou funcional. Sentou. Destravou o celular. E começou aquele ritual...