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A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA

A PÍLULA QUE PROMETEU LUCIDEZ — E ENTREGOU FOME MAL EXPLICADA Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: red-pill; corpo; materialidade; ressentimento; discurso; desejo; algoritmo; subjetividade Resumo: Vocês juram que acordaram. Engraçado. Porque continuam com fome, continuam trabalhando, continuam precisando de alguém que não os escolha. A tal pílula vermelha não revela o real — ela reorganiza o desconforto em discurso. Este texto não discute a red-pill como teoria, mas como sintoma: uma tentativa de dar forma à frustração quando o corpo já não sustenta o que a cabeça insiste em explicar. O que aparece como lucidez é apenas ressentimento bem organizado, embalado para circular em plataformas que lucram com repetição. Aqui não há promessa de saída. Há apenas a exposição de um impasse: quando o sujeito não suporta o não do outro, ele inventa um sistema onde o outro passa a ser o problema. No fim, não é sobre verdad...

A máquina não inventou nadaSó aprendeu rápido demais

A máquina não inventou nada Só aprendeu rápido demais Autor: Projeto Mais Perto da Ignorância / A Loka do Rolê Palavras-chave: trabalho, inteligência artificial, pejotização, STF, escala 6x1, capitalismo de dados, corpo, civilização produtiva Resumo: De repente surgiu um medo coletivo: a inteligência artificial vai destruir o trabalho humano. Curioso. Porque a história mostra que o trabalho humano já vinha sendo destruído com bastante eficiência muito antes de qualquer algoritmo aprender a escrever código. Entre decisões judiciais sobre pejotização, jornadas 6x1 normalizadas e o surgimento de movimentos como o Vida Além do Trabalho, talvez a questão não seja exatamente o avanço tecnológico. Talvez o problema seja outro: a tecnologia apenas automatizou uma lógica muito mais antiga — a de transformar corpos em peças substituíveis dentro de sistemas produtivos que sempre trataram gente como recurso. Introdução: A Loka do Rolê entra na sala A cena é semp...

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta.

Progresso em PowerPoint: quando a história vira gráfico e o corpo continua pagando a conta Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave; progresso; história; materialidade; discurso; trabalho; corpo; tecnologia; sofrimento social. Resumo Existe uma narrativa recorrente: a humanidade nunca viveu tão bem. A técnica venceu a fome, a medicina venceu as doenças, a ciência venceu a ignorância. O gráfico sobe, a expectativa de vida cresce, a produção agrícola explode, e alguém conclui: “logo, estamos melhores”. A Loka do Rolê olha para essa celebração com a paciência de quem já viu esse filme. Porque gráficos contam histórias elegantes — mas o corpo não vive em gráfico. Vive em salário mínimo, fila de hospital, esgotamento mental, precarização do trabalho e dívida crônica. A pergunta não é se houve progresso técnico. Houve. A pergunta é outra: quando o progresso vira argumento discursivo para explicar o presente, ele está des...

A INFÂNCIA NÃO É UM CONCEITO. É UM CORPO CONECTADO.

A INFÂNCIA NÃO É UM CONCEITO. É UM CORPO CONECTADO. Antes de falar em algoritmo, é preciso falar em corpo. No Brasil, mais de 90% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos utilizam internet. Não é tendência cultural. É condição material de existência (CETIC.br, 2021). O celular não é acessório. É infraestrutura. E infraestrutura molda comportamento. Quando pesquisas internacionais apontam associação entre posse precoce de smartphone e aumento de indicadores de depressão, obesidade e privação de sono — como no Adolescent Brain Cognitive Development Study (10.500 adolescentes acompanhados nos EUA) — não estamos diante de metáfora, mas de correlação estatística observável. Pergunta metodológica obrigatória (Shaughnessy, 2012): É causalidade? Não. É associação? Sim. Quais limites? Estudos observacionais não estabelecem causa direta. O que não sabemos? Impacto longitudinal no contexto brasileiro específico. Sem método, não há autoridade. Enquanto isso, nos EUA, um julgamento...

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave GLP-1; medicalização; narcisismo; cultura da performance; subjetividade; capitalismo de plataforma; corpo; Sociedade do Cansaço; sofrimento psíquico. Primeiro venderam felicidade. Depois produtividade. Agora vendem silêncio metabólico. As chamadas “canetas emagrecedoras” não são apenas fármacos que atuam no eixo hormonal — tornaram-se dispositivos culturais de adequação estética. Reduzem o apetite fisiológico, mas não reduzem o olhar avaliativo do outro. Diminuem calorias, mas não diminuem a fome simbólica por pertencimento. O fenômeno não é conspiração farmacêutica nem fraqueza individual. É engrenagem social funcionando perfeitamente. O corpo emagrece. O algoritmo não. A pressão cultural permanece intacta. Este texto não condena nem celebra. Ele observa o mecanismo. Eu observo a cena como quem as...

Trabalhar seis dias não é virtude. É estrutura.

Trabalhar seis dias não é virtude. É estrutura. Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: trabalho, tempo, 6x1, corpo, fadiga, política, produtividade, materialidade. A discussão sobre o fim da escala 6x1 voltou ao centro do debate público brasileiro. Manchetes falam em dignidade, risco econômico, modernização ou ameaça ao emprego. A Loka do Rolê não entra nesse ringue para escolher lado moral. Ela observa o funcionamento. O que está em disputa não é apenas jornada de trabalho, mas quem controla o tempo de vida. Entre discursos de crescimento e promessas de justiça social, o corpo segue sendo a variável silenciosa. O debate político negocia horas. A economia calcula impacto. A fadiga não vira manchete. Este texto tensiona o discurso dominante, expõe a engrenagem material e articula o impasse à tradição crítica — de Marx a Freud, de Han a Zuboff — sem prescrever saída, sem oferecer consolo. Apenas nomeando o que opera....

Saúde Mental Não Paga Boleto

Saúde Mental Não Paga Boleto Autor: José Antônio Lucindo da Silva: Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: trabalho; materialidade; saúde mental; discurso; precarização; subjetividade; capitalismo tardio; exclusão simbólica. Resumo: Falam de saúde mental como se ela fosse anterior ao corpo, como se existisse antes da fome, antes da conta de luz, antes do aluguel atrasado. O discurso contemporâneo transforma sofrimento em pauta é pauta em mercadoria, mas só depois que a materialidade mínima já está garantida. Este texto tensiona a ideia de “saúde mental no trabalho” mostrando que ela só existe depois que o trabalho já operou sua função central: garantir pertencimento simbólico. Fora do trabalho, o sofrimento não vira diagnóstico — vira silêncio. O desempregado não é um sujeito adoecido: é um sujeito ilegível. A saúde mental surge como nova moral do trabalho, ao mesmo tempo em que administra seus restos e protege a estrutura que adoece. Não há pro...