Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta corpo

QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA?

QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA? A Loka do Rolê Eu ouvi aquela frase: “Tem gente procurando o computador, o robô, a inteligência artificial para ser seu psiquiatra.” E fiquei pensando que talvez a pergunta esteja ligeiramente errada. Não porque a inteligência artificial não esteja entrando na saúde mental. Ela está. A pergunta errada é imaginar que o fenômeno começa na máquina. Eu quero começar antes. Quero começar no sujeito. No corpo. Na solidão. Na disponibilidade. Na falta de tempo. Na dificuldade de encontrar alguém. Na dificuldade de pagar alguém. Na dificuldade de chegar a alguém. Porque antes de existir o chatbot existia uma pessoa precisando falar. E isso muda tudo. Eu não quero transformar a inteligência artificial em vilã. Isso seria intelectualmente preguiçoso. E a humanidade já produz vilões suficientes sem precisar fabricar um robô com capa preta. Também não quero transformar a IA em salvadora. O problema é just...

A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO

A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO Eu tenho uma mania que, segundo alguns especialistas da internet, provavelmente precisa ser trabalhada. Eu gosto de desconfiar de frases bonitas. Não é que eu seja contra frase bonita. Eu até gosto. O problema é que frase bonita tem uma capacidade impressionante de esconder cadáver embaixo do tapete. Você olha, acha elegante, compartilha, coloca uma música triste por trás e pronto: nasceu mais uma explicação para uma vida que ninguém teve tempo de viver direito. “Conhece-te a ti mesmo.” Bonito. Parece profundo. Parece antigo. Parece que alguém acendeu uma vela, respirou fundo e descobriu uma verdade escondida dentro da própria alma. Só que eu fico pensando: Conhece-te quando, meu irmão? Porque existe uma pequena inconveniência chamada tempo. E existe outra chamada corpo. E tem uma terceira, que costuma ser ainda mais mal-educada: a vida. A vida não espera você terminar o processo de autoconhecimento. A vida acontece. O aluguel ...

QUANDO A FOME VIRA “SENSAÇÃO”

QUANDO A FOME VIRA “SENSAÇÃO” Corpo, materialidade e a pequena frase que tenta explicar uma realidade inteira Este episódio do Caminhadas da Ignorância investiga o que acontece quando uma experiência material — fome, preço, dívida, trabalho, cansaço e falta de margem — é reduzida à palavra “sensação”. A Loka do Rolê atravessa corpo, condições materiais e discursividade digital para tensionar uma pergunta simples: o que aconteceu antes que essa sensação aparecesse? Assista ao podcast: https://youtu.be/6Sbbb9odcDM?is=UtB9iid4HgSDEqXm   Resumo Uma transcrição curta circula no ambiente digital afirmando, em síntese, que os preços não teriam necessariamente aumentado na proporção percebida pelo consumidor e que parte da experiência de aperto econômico seria uma “sensação”, relacionada ao endividamento. O problema parece pequeno. Uma frase entre tantas outras. Mas é justamente nessa pequena operação discursiva que o fenômeno se torna interessante: o que acontece quando uma ex...