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A mostrar mensagens com a etiqueta sofrimento psíquico

VOCÊ NÃO CHEGOU CANSADO. VOCÊ FOI PROCESSADO.

VOCÊ NÃO CHEGOU CANSADO. VOCÊ FOI PROCESSADO. Autor: José Antonio Lucindo da Silva Zé Projeto: A Loka do rolê Palavras-chave: saúde mental, vigilância, trabalho, algoritmo, sofrimento psíquico, psico-bio-social, controle, diagnóstico Resumo Você saiu do trabalho achando que estava só cansado. Normal. Dia cheio. Tela demais. Gente demais. Cobrança demais. Aí você abre qualquer coisa — notícia, relatório, post institucional — e percebe que não é bem assim. Não é só cansaço. É padrão. Tudo tá sendo medido, previsto, reorganizado. Seu humor virou métrica. Seu sono virou gráfico. Seu comportamento virou dado. E curiosamente, o mesmo sistema que coleta isso tudo é o que te mantém em estado de alerta constante. Chamam de cuidado. Mas tem cheiro de controle. E não é um controle escondido — é um controle normalizado, com linguagem bonita, interface limpa e promessa de otimização. No meio disso, você tenta entender se tá adoecendo… ou só reagindo exatamente como deveria r...

QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE

QUANDO O OUTRO VIRA MÉTRICA: O SOFRIMENTO QUE NÃO ENCONTRA LIMITE José Antônio Lucindo da Silva Mais Perto da Ignorância — MPI Resumo: Este artigo articula dados recentes sobre saúde mental de adolescentes brasileiros e relatórios globais de felicidade com o acervo teórico do projeto Mais Perto da Ignorância, especialmente a série O TCC Negado. Argumenta-se que o aumento do sofrimento psíquico entre jovens — particularmente entre meninas — não pode ser explicado apenas pelo uso de redes sociais, mas pela transformação da função do outro nas relações mediadas. Sustenta-se que o outro permanece como presença discursiva, porém perde sua incidência como alteridade efetiva, reorganizando o sofrimento em formas de repetição, esvaziamento e continuidade. Palavras-chave: subjetividade; alteridade; redes sociais; sofrimento psíquico; mediação Introdução: Os dados não inauguram o problema. Eles apenas tornam visível o que já operava. O levantamento do IBGE revela que meni...

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED ou: enquanto você debate o mundo, alguém está sendo modulado por ele AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE:  materialidade, modulação comportamental, saúde mental, economia da atenção, sofrimento psíquico, tecnologia, trabalho, discurso digital, dependência comportamental, subjetividade RESUMO: A internet fala. O corpo paga. Este artigo investiga o contraste entre a inflação discursiva das redes sociais e as condições materiais que sustentam — e modulam — a vida contemporânea. Entre a promessa de autonomia digital e a evidência de sofrimento psíquico crescente, emerge uma reorganização silenciosa: o comportamento humano passa a ser capturado, analisado e induzido por estruturas econômicas e tecnológicas. Amparado em contribuições de Marx, Freud, Byung-Chul Han e Shoshana Zuboff, o texto propõe que o sofrimento psíquico não é falha individual nem ruído estatístico, m...

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL

EMAGRECER NÃO CURA O VAZIO — APENAS O TORNA SOCIALMENTE ACEITÁVEL Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave GLP-1; medicalização; narcisismo; cultura da performance; subjetividade; capitalismo de plataforma; corpo; Sociedade do Cansaço; sofrimento psíquico. Primeiro venderam felicidade. Depois produtividade. Agora vendem silêncio metabólico. As chamadas “canetas emagrecedoras” não são apenas fármacos que atuam no eixo hormonal — tornaram-se dispositivos culturais de adequação estética. Reduzem o apetite fisiológico, mas não reduzem o olhar avaliativo do outro. Diminuem calorias, mas não diminuem a fome simbólica por pertencimento. O fenômeno não é conspiração farmacêutica nem fraqueza individual. É engrenagem social funcionando perfeitamente. O corpo emagrece. O algoritmo não. A pressão cultural permanece intacta. Este texto não condena nem celebra. Ele observa o mecanismo. Eu observo a cena como quem as...

Saúde Mental Não Paga Boleto

Saúde Mental Não Paga Boleto Autor: José Antônio Lucindo da Silva: Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: trabalho; materialidade; saúde mental; discurso; precarização; subjetividade; capitalismo tardio; exclusão simbólica. Resumo: Falam de saúde mental como se ela fosse anterior ao corpo, como se existisse antes da fome, antes da conta de luz, antes do aluguel atrasado. O discurso contemporâneo transforma sofrimento em pauta é pauta em mercadoria, mas só depois que a materialidade mínima já está garantida. Este texto tensiona a ideia de “saúde mental no trabalho” mostrando que ela só existe depois que o trabalho já operou sua função central: garantir pertencimento simbólico. Fora do trabalho, o sofrimento não vira diagnóstico — vira silêncio. O desempregado não é um sujeito adoecido: é um sujeito ilegível. A saúde mental surge como nova moral do trabalho, ao mesmo tempo em que administra seus restos e protege a estrutura que adoece. Não há pro...

A ERA DOS EXAUSTOS NÃO É TEMA — É CHÃO

A ERA DOS EXAUSTOS NÃO É TEMA — É CHÃO Acordar cansado não é sintoma. É método. Dormir cansado não é falha do corpo. É compatibilidade com o funcionamento. Chamaram de “era dos exaustos” como quem dá nome técnico para infiltração estrutural. Não é diagnóstico. É recibo. O cansaço virou paisagem. Ninguém estranha mais. Só administra. O sujeito não cai. Ele continua andando cansado. Isso é eficiência. Dizem que é burnout. Depois dizem que não é bem burnout. Que é exaustão difusa. Que é pós-pandemia. Que é desequilíbrio. Qualquer nome serve, desde que não encoste na causa. A causa não é excesso de tarefas. É a transformação da vida inteira em tarefa. O trabalho não termina. O descanso não começa. O corpo vira interface. A mente, planilha. Primeiro existe o corpo. Depois, a sobrevivência material. Depois, o discurso. Quando essa ordem se inverte, o discurso começa a falar alto demais. E quanto mais ele fala, menos a vida aparece. Nesse cenário, buscar no...