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Quando o relógio sente por você: a morte da escuta, a ficção dos dados e a nova alienação do corpo

Quando o relógio sente por você: a morte da escuta, a ficção dos dados e a nova alienação do corpo 🎬 Canal no YouTube INTRODUÇÃO — O PROBLEMA NÃO É O RELÓGIO. É O QUE ELE MATA. Vivemos um momento singular da história humana: pela primeira vez, o corpo está perdendo autoridade sobre si mesmo. Antes, a dor era sentida. O cansaço era vivido. O sintoma era experimentado. Hoje, nada disso basta: é preciso que o dispositivo confirme. O indivíduo desperta cansado, mas não acredita no corpo — espera o Apple Watch avisar. Sente ansiedade, mas só reconhece como sintoma quando o gráfico sobe. Dorme mal, mas só legitima o mal-estar quando o indicador fica amarelo. O artigo da BBC sobre a suposta dependência de smartwatches descreve essa cena cotidiana, mas não formula a pergunta essencial: o que é essa “informação” que organiza a vida das pessoas? Ela representa corpo? experiência? materialidade? imersão sensorial? algoritmo? simulação? O texto, como boa parte da mídia, narra efeitos ...

Desligar a criança para poupar o adulto

Desligar a criança para poupar o adulto Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1wv79vzm5no #maispertodaignorancia “O que revela mais sobre nós: o tempo de tela das crianças ou o tempo que não temos para elas?” Aparentemente, é sobre tablets. Mas na superfície lisa das telas, refletimos não apenas o rosto das crianças, mas a abdicação adulta. A matéria da BBC News Brasil questiona, com razoável equilíbrio, se o tempo de exposição às telas afeta o cérebro infantil — porém, o que ela revela sem dizer é talvez mais incômodo: estamos desesperadamente querendo delegar à ciência uma resposta que nos exima do olhar. É sempre mais fácil medir o tempo do que sustentar a presença. E é nesse gesto — entre a vigilância digital e o abandono elegante — que revelamos o verdadeiro problema: não é que as telas causem o vazio, elas apenas o ocupam. I. O sintoma que culpamos: moral de tela e ausência de elaboração A ciência é cautelosa. Est...