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A GUERRA DAS PALAVRAS ANTES DA GUERRA DAS COISAS

A 0GUERRA DAS PALAVRAS ANTES DA GUERRA DAS COISAS AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI PALAVRAS-CHAVE: crime organizado, terrorismo, discurso, soberania, subjetividade, política, tecnologia, exaustão, vigilância, linguagem RESUMO: Passei os últimos dias observando uma palavra atravessar fronteiras com mais velocidade do que qualquer operação policial. Terrorismo. Bastou que a possibilidade de enquadrar PCC e CV nessa categoria ganhasse espaço para que especialistas, políticos, jornalistas e usuários de redes sociais começassem imediatamente a disputar o significado do acontecimento. O curioso não é a classificação em si. O curioso é a velocidade com que qualquer fato contemporâneo precisa ser convertido em narrativa. Antes dos efeitos concretos surgem as interpretações. Antes das consequências aparecem os posicionamentos. O episódio expõe menos uma discussão jurídica e mais uma característica da vida contemporânea: a incapacidade de permanecer diant...

A ARQUITETURA DA FADIGA

A ARQUITETURA DA FADIGA AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI RESUMO Passei os últimos dias ouvindo pessoas explicarem o mundo. Especialistas explicavam a política. Economistas explicavam os mercados. Tecnólogos explicavam os algoritmos. Jornalistas explicavam as crises. Psicólogos explicavam o sofrimento. Em algum momento percebi que a quantidade de explicações estava crescendo mais rápido do que a capacidade de compreender qualquer coisa. Talvez esse seja o verdadeiro cenário contemporâneo. Não uma crise de informação, mas uma superprodução dela. Não uma ausência de sentido, mas uma indústria inteira dedicada a fabricá-lo. Enquanto isso, o sujeito continua acordando cansado. Continua ansioso. Continua acelerado. Continua produzindo dados, atenção e comportamento para sistemas que já não consegue enxergar. Este ensaio não procura localizar culpados nem oferecer respostas. Procura apenas observar a rachadura que aparece quando o sofrimento encontra u...

O CORPO NÃO VIROU APENAS ESTÉTICA. VIROU INFRAESTRUTURA DE VISIBILIDADE.

O CORPO NÃO VIROU APENAS ESTÉTICA. VIROU INFRAESTRUTURA DE VISIBILIDADE. Talvez o ponto mais importante não seja apenas a morte. Talvez seja o tipo de sociedade que transforma o corpo em superfície contínua de reconhecimento, performance e circulação algorítmica. O organismo continua biológico. Mas a experiência contemporânea do corpo tornou-se progressivamente tecnodiscursiva. E talvez seja exatamente aí que começa a tensão. A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, aos 22 anos, provocou enorme repercussão nas redes sociais brasileiras. O jovem acumulava milhões de seguidores documentando: — treinos; — alimentação; — evolução física; — rotina de alta performance; — preparação corporal. As primeiras reportagens levantaram hipóteses envolvendo: — hipoglicemia; — protocolos extremos de definição corporal; — uso de substâncias; — anabolizantes; — insulina; — desgaste fisiológico. Posteriormente, reportagens passaram a divulgar informações do IML apontando cardi...

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA

A ESCUTA VIROU INFRAESTRUTURA AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI RESUMO: Durante séculos, escutar foi uma experiência humana. Um gesto atravessado por presença, conflito, afeto, silêncio e linguagem. No século XXI, entretanto, a escuta deixou progressivamente de ser apenas uma prática relacional para tornar-se infraestrutura técnica. Plataformas digitais, sistemas algorítmicos, dispositivos móveis e modelos de inteligência artificial transformaram conversas, emoções, preferências e hesitações em matéria-prima econômica. Este ensaio investiga a transformação da escuta em mecanismo operacional do capitalismo contemporâneo, articulando subjetividade, corpo, tecnologia, trabalho, linguagem e vigilância. A partir de uma perspectiva psico-bio-social-tecnológico-discursiva, examina-se como a experiência humana passa a ser convertida em dado, previsão e produto. O texto propõe uma leitura crítica da captura algorítmica da atenção, da erosão dos espaços de...

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA

ADOLESCÊNCIA SOB VIGILÂNCIA Corpo, algoritmo e a industrialização contemporânea da atenção Resumo: A reportagem da BBC intitulada O que aprendi sobre adolescentes após conversar com 150 meninas de 13 a 17 anos fornece um raro retrato empírico da adolescência contemporânea. Longe de apresentar indivíduos isolados ou problemas exclusivamente psicológicos, o material expõe a convergência entre transformações biológicas, reorganizações econômicas, plataformas digitais, vigilância algorítmica e produção discursiva. Este ensaio propõe uma leitura psico-bio-social e tecnológico-discursiva do fenômeno, articulando contribuições de Freud, Marx, Bauman, Christopher Lasch, Byung-Chul Han, Jean Twenge, Shoshana Zuboff e Cathy O’Neil. Argumenta-se que a adolescência contemporânea tornou-se um espaço privilegiado de captura da atenção, monetização da experiência e administração da visibilidade social. O sofrimento observado não é tratado como falha individual nem como categoria diagnósti...

A PRODUTIVIDADE EXPLODIU. O SUJEITO SUMIU

A PRODUTIVIDADE EXPLODIU. O SUJEITO SUMIU. AUTOR: José Antonio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI | #ALOKADOROLE PALAVRAS-CHAVE: produtividade; subjetividade; capitalismo de plataforma; inteligência artificial; sofrimento contemporâneo; automação; desgaste psíquico; sociedade do desempenho. RESUMO:  Este ensaio crítico-ensaístico tensiona a relação entre produtividade, tecnologia e subjetividade contemporânea a partir do colapso das promessas modernas de estabilidade e progresso. Partindo da explosão histórica da produtividade econômica e da simultânea estagnação material da vida comum, o texto investiga como automação, plataformas digitais e inteligência artificial passaram a reorganizar não apenas o trabalho, mas também a própria experiência subjetiva. A crítica não se dirige exclusivamente à tecnologia, mas à forma como o sujeito contemporâneo internaliza a lógica operacional da máquina. O ensaio opera como corte discursivo: não oferece solução, não organiz...