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Quando a conversa se torna um problema

Quando a conversa se torna um problema PODCAST DRAMATURGICO 01:  Parte I — O problema começa antes das palavras Há fenômenos que passam despercebidos justamente porque continuam acontecendo todos os dias. Não desaparecem de uma vez. Reorganizam-se lentamente até que a nova forma de existir pareça natural. É somente quando alguém afirma que "as pessoas já não conversam como antes" que aquilo que parecia invisível volta a chamar atenção. A afirmação não é recente. Em diferentes épocas, intelectuais, educadores, religiosos e pesquisadores registraram preocupação com transformações nas formas de convivência humana. Mudam os objetos — o rádio, a televisão, a internet, os telefones celulares, as plataformas digitais, a inteligência artificial —, mas permanece a impressão de que alguma dimensão da experiência compartilhada estaria sendo perdida. Uma dessas interpretatações foi recentemente apresentada no artigo "A geração que desaprendeu a conversa...

Desligar a criança para poupar o adulto

Desligar a criança para poupar o adulto Fonte original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1wv79vzm5no #maispertodaignorancia “O que revela mais sobre nós: o tempo de tela das crianças ou o tempo que não temos para elas?” Aparentemente, é sobre tablets. Mas na superfície lisa das telas, refletimos não apenas o rosto das crianças, mas a abdicação adulta. A matéria da BBC News Brasil questiona, com razoável equilíbrio, se o tempo de exposição às telas afeta o cérebro infantil — porém, o que ela revela sem dizer é talvez mais incômodo: estamos desesperadamente querendo delegar à ciência uma resposta que nos exima do olhar. É sempre mais fácil medir o tempo do que sustentar a presença. E é nesse gesto — entre a vigilância digital e o abandono elegante — que revelamos o verdadeiro problema: não é que as telas causem o vazio, elas apenas o ocupam. I. O sintoma que culpamos: moral de tela e ausência de elaboração A ciência é cautelosa. Est...