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Matrix, frango na mesa e o medo de morrer (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”).

Matrix, frango na mesa e o medo de morrer  (A Loka do Rolê assistindo ao noticiário sobre a “simulação do universo”). A fagulha deste texto veio daqui: “Matrix estava certo? Cientista diz ter encontrado evidência física de que vivemos em uma simulação.” Publicado em O Globo – Época / Mundo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/03/06/matrix-estava-certo-cientista-diz-ter-encontrado-evidencia-fisica-de-que-vivemos-em-uma-simulacao-entenda.ghtml  A matéria levanta a velha fantasia tecnológica: talvez a realidade seja apenas código. Pode ser. Mas antes de transformar o universo em software, talvez valha uma pergunta mais simples — quem está discutindo simulação com o estômago cheio e quem ainda está tentando colocar frango na mesa. Porque enquanto alguns debatem se o mundo é algoritmo, outros continuam lidando com aquilo que nenhuma simulação resolve: corpo, fome, trabalho e sobrevivência. A manchete apareceu animada: um cientista afirma ter...

Todo mundo performa. Nem todo mundo existe.

Todo mundo performa. Nem todo mundo existe. 🎙️ OUÇA EM NOSSO CANAL NO YOUTUBE: Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave: performance; materialidade; discurso; tecnologia; corpo; existência; escuta simulada; sobrevivência. Resumo Este texto não discute tecnologia, saúde mental ou subjetividade como campos isolados. Ele parte de um ponto mais baixo: o chão. Num cenário em que tudo precisa funcionar, responder e se adaptar, existir passou a ser confundido com manter-se legível ao sistema. O discurso contemporâneo celebra escuta, empatia, crescimento e personalização como se fossem universais, enquanto depende de condições materiais altamente específicas para se sustentar. Quem não consegue acompanhar esse ritmo — por cansaço, fome, instabilidade ou exaustão — deixa de ser lido como sujeito e passa a ser tratado como falha individual. A Loka do Rolê narra esse descompasso sem propor saída, sem denunciar...

@alokanorole — QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO

QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Mini bio:  Psicólogo e pesquisador independente. Este texto constitui uma elaboração ensaística entre muitas possíveis, sem pretensão de consenso, verdade final ou orientação normativa. Palavras-chave: corpo; sobrevivência; discurso midiático; ética; materialidade; confiança; limite. RESUMO Esta crônica articula, de forma ensaística e crítica, os depoimentos públicos relacionados ao caso do jovem Roberto Farias Tomaz, desaparecido por cinco dias no Pico Paraná, a partir de uma leitura centrada na materialidade do corpo e na posterior produção discursiva. Sem emitir juízo jurídico, moral ou clínico, o texto tensiona a distância entre o acontecimento corporal extremo e a tentativa civilizatória de reorganizá-lo por meio de valores como confiança, erro, abandono e aprendizado. Sustenta-se que, quando o corpo entra em modo de sobrevivência, o discurso perde ...

Quando o corpo decide, o valor atrapalha

Quando o corpo decide, o valor atrapalha 🎧 OUÇA O TEXTO NARRADO: AUTOR: José Antônio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE: materialidade; sobrevivência; discurso midiático; confiança; abandono; ética; psicologia social RESUMO: Este texto parte de um acontecimento amplamente repercutido pela mídia brasileira — um jovem que se perdeu durante dias em uma trilha no Paraná — não para julgá-lo, explicá-lo ou extrair lições morais, mas para tensionar o modo como eventos materiais são rapidamente convertidos em narrativas valorativas. A crônica sustenta que, em situações-limite, o corpo opera em um registro anterior à moral, à confiança simbólica e à discursividade civilizatória. O que se costuma nomear como “abandono” ou “quebra de confiança” revela mais sobre a necessidade social de organizar o susto do que sobre o acontecimento em si. Sem prescrição, sem orientação e sem conclusão normativa, o texto aponta para o descompasso entre uma material...