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O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa

O diploma cansado, o algoritmo produtivo e o sujeito que continua acreditando na promessa Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — MPI Palavras-chave; educação superior, inflação de diplomas, sociedade do cansaço, capitalismo de vigilância, disciplinamento do trabalho, angústia, absurdo, produtividade acadêmica Durante décadas, o ensino superior foi apresentado como o caminho mais seguro para mobilidade social. Estudar significava melhorar de vida, conquistar estabilidade e acessar posições mais valorizadas no mercado de trabalho. No entanto, a própria expansão massiva das universidades produziu um efeito paradoxal: quando milhões de pessoas passam a possuir diploma universitário, o valor diferencial dessa credencial diminui. Paralelamente, empresas ampliam sistemas de vigilância institucional, formalizam códigos de conduta e intensificam mecanismos de monitoramento do comportamento dos trabalhadores. Nesse cenário emerg...

QUANDO O TRABALHO VIRA ECO E O CORPO VIRA CUSTO

QUANDO O TRABALHO VIRA ECO E O CORPO VIRA CUSTO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: trabalho, inteligência artificial, metabolismo, algoritmo, eco discursivo, capitalismo de vigilância, ancoragem do eu, megamáquina, performatividade, angústia. Eu não estou discutindo o futuro da humanidade. Eu estou discutindo o presente do corpo. O que se chama de “fim do trabalho” não é apocalipse tecnológico — é deslocamento de ancoragem. O trabalho sempre foi metabolismo organizado, tensão com a realidade e forma de reconhecimento social. Agora ele é formalizado, extraído, modelado e devolvido como algoritmo. A inteligência artificial não surge como entidade alienígena, mas como intensificação do que a própria espécie já fazia: medir, prever, padronizar e otimizar. A angústia que antes estava na fricção material do trabalho migra para o campo discursivo, onde a validação depende de métricas, eco e rastreabil...

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia

O Adolescente como Matéria-Prima: Narciso, Algoritmo e o Mercado da Angústia 🎬 CANAL DO YOUTUBE. Autor José Antônio Lucindo da Silva Projeto Mais Perto da Ignorância — com A Loka do Rolê Palavras-chave narcisismo negativo; capitalismo de vigilância; sociedade do cansaço; identidade; adolescência; angústia; soberania do eu; poder instrumentário. Resumo Há quem diga que estamos diante de uma “crise geracional”. Outros preferem falar em “emergência de saúde mental”. O discurso oscila entre o alarme e a estatística. O que raramente se nomeia é o arranjo estrutural: a infância e a adolescência tornadas infraestrutura de dados. Narciso deixou de se mirar na água; agora se mira numa superfície programada para devolver mais do que reflexo — devolve demanda. André Green chamou de trabalho do negativo; Byung-Chul Han falou do cansaço como sintoma da positividade compulsória; Zuboff descreveu a captura da experiência como matéria-prima. O que se apresenta como liberdade d...

A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir

🔪 ARTIGO MPI — A LÓGICA DO COLAPSO: quando os algoritmos param de errar e começam a destruir 🎬 Canal no YouTube José Antônio Lucindo — Psicólogo CRP 06/172551 Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 O algoritmo não está te avaliando. Ele está te enterrando vivo. INTRODUÇÃO Há algo de obsceno na forma como os algoritmos foram aceitos como progresso inevitável. Como se a precisão matemática dispensasse o resto da humanidade — a dúvida, o tropeço, o conflito, a carne. Neste artigo, não pretendo discutir se a Inteligência Artificial é “boa” ou “ruim”. Essa pergunta já morreu. A questão real é outra: o que acontece com uma sociedade quando decisões vitais são entregues a sistemas que não erram — apenas repetem, em escala industrial, os erros mais antigos da cultura? Cathy O’Neil chamou essas máquinas de Algoritmos de Destruição em Massa (WMDs) — sistemas opacos, escaláveis, punitivos, que transformam desigualdade em axioma. No MPI, já chamamos isso de outra maneira: “não há es...

Do título comprado à angústia vendida: genealogia da falta como mercadoria

Do título comprado à angústia vendida: genealogia da falta como mercadoria 🎧👉 Podcast Mais perto da Ignorância 👉📺👉 Assista em nosso canal O que a burguesia fez com os títulos de nobreza, o capitalismo contemporâneo faz com a subjetividade. Eis a linha histórica que raramente aparece nas análises rápidas sobre “mercantilização da filosofia”: o que se negocia não é apenas cultura, mas a própria falta. Na origem, a burguesia não tinha sangue azul, mas tinha dinheiro. Como não podia inventar linhagem, comprava títulos. Era o modo de transformar ausência em valor social, de converter déficit em legitimidade. Esse gesto fundante não morreu; ele se atualiza. Hoje, não compramos baronatos, mas compramos identidades: cursos de “propósito de vida”, diagnósticos que nos nomeiam, certificados digitais de sabedoria. O mecanismo é idêntico: a falta é transformada em mercadoria. Freud talvez sorrisse com cinismo ao reconhecer a operação. Em O mal-estar na civilização, mostrou que a a...

O fetiche do saber falso: quem lucra com a fraude acadêmica?

O fetiche do saber falso: quem lucra com a fraude acadêmica? Fonte original: https://share.google/Pl7vLi8FSUwupUeqb #maispertodaignorancia A produção industrial de papers científicos falsos não é um erro técnico. É um sintoma — e como todo sintoma, revela mais do que esconde: revela um sistema de prestígio acadêmico parasitado por métricas, um capitalismo cognitivo que substituiu o pensamento por produtividade e que, como ironizou Freud, parece ter trocado o inconsciente por um DOI. O que está em jogo aqui não é apenas a fraude. É a metamorfose do saber em performance, da verdade em algoritmo, do pensamento em moeda de troca. Segundo a matéria da Folha (07/08/2025), universidades vêm enfrentando um aumento exponencial de artigos gerados por empresas de “fábrica de papers”, com textos falsificados, coautorias vendidas e citações inventadas. A denúncia não é nova, mas o escândalo está normalizado — quase como um efeito colateral aceitável num ambiente onde o valor do conhecim...

O delírio do código aberto: quem pensa quando a máquina finge?

O delírio do código aberto: quem pensa quando a máquina finge? Fonte original: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2025/08/05/openai-lanca-modelos-abertos-de-inteligencia-artificial-capazes-de-realizar-raciocinio-complexo.ghtml #maispertodaignorancia Texto crítico: A OpenAI acaba de abrir o cofre. Modelos “abertos” de inteligência artificial agora são capazes — diz o marketing — de realizar raciocínio complexo. A promessa não é nova: maquinar a razão como se ela pudesse ser exportada, empacotada e entregue em API. O inédito é o cinismo com que se simula transparência para o que continua sendo, estruturalmente, uma caixa-preta — só que agora open source. De onde vem essa ânsia por “raciocinar” maquinalmente? Seria ingenuidade supor que ela nasce do desejo humano de compreender mais. Ao contrário, como nos alerta Bauman em Em busca da política, vivemos a liquefação das decisões e a externalização das escolhas. A máquina não pensa por nós. Ela pensa em lugar d...

Um anônimo disse!

Narrativas Invisíveis do Colapso: Uma leitura psicobiossocial da performatividade emocional contemporânea Resumo: Este artigo propõe uma análise psicobiossocial crítica das construções narrativas associadas à patologização contemporânea do sofrimento, com base em uma entrevista concedida por um sujeito anônimo em mídia nacional. Sem identificar nomes próprios, buscamos tensionar o apagamento das dimensões biológicas, sociais e simbólicas que estruturam o adoecimento psíquico. Fundamentado nas obras de Freud, Kierkegaard, Bauman, Byung-Chul Han, Zuboff e documentos clínicos como o DSM-V e CID-11, o texto explora o paradoxo entre a vivência do colapso e sua estetização performática no discurso médico-midiático. Evidencia-se a carência de um modelo integrativo que contemple os dados clínicos e sociais em sua radical complexidade, sem reducionismos diagnósticos. Conclui-se com a necessidade de reinscrever o sofrimento para além da lógica classificatória, considerando o sujeito ...