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A mostrar mensagens com a etiqueta Kierkegaard

Interrupção, Escuta e o Restante: Suicídio Assistido, Materialidade e Sentido no Crepúsculo da Razão

Interrupção, Escuta e o Restante: Suicídio Assistido, Materialidade e Sentido no Crepúsculo da Razão José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Resumo Este artigo apresenta uma análise clínica, ética e filosófica sobre o suicídio assistido a partir de uma leitura existencial e simbólica ancorada no filme Encontro Marcado (1998) e nas obras de Søren Kierkegaard e Baruch de Spinoza. A reflexão segue as diretrizes do Código de Ética Profissional do Psicólogo (CFP, 2005) e enfatiza o dever de cuidado, a promoção da vida e a escuta ética diante do sofrimento. A narrativa da “Loka do Rolê” — voz simbólica da escuta como resto — propõe uma abordagem lúcida e crítica sobre o desejo de morrer, sem sensacionalismo, articulando filosofia, psicologia e literatura. A ironia persiste: viver é um ato de morrer em parcelas, e a consciência da finitude é o que dá densidade à vida. Palavras-chave: suicídio assistido; psicologia clínica; ética profissional; Kierkegaard; Spinoza...

Do título comprado à angústia vendida: genealogia da falta como mercadoria

Do título comprado à angústia vendida: genealogia da falta como mercadoria 🎧👉 Podcast Mais perto da Ignorância 👉📺👉 Assista em nosso canal O que a burguesia fez com os títulos de nobreza, o capitalismo contemporâneo faz com a subjetividade. Eis a linha histórica que raramente aparece nas análises rápidas sobre “mercantilização da filosofia”: o que se negocia não é apenas cultura, mas a própria falta. Na origem, a burguesia não tinha sangue azul, mas tinha dinheiro. Como não podia inventar linhagem, comprava títulos. Era o modo de transformar ausência em valor social, de converter déficit em legitimidade. Esse gesto fundante não morreu; ele se atualiza. Hoje, não compramos baronatos, mas compramos identidades: cursos de “propósito de vida”, diagnósticos que nos nomeiam, certificados digitais de sabedoria. O mecanismo é idêntico: a falta é transformada em mercadoria. Freud talvez sorrisse com cinismo ao reconhecer a operação. Em O mal-estar na civilização, mostrou que a a...

Entre a Luz da Tela e o Peso do Pulso: ensaio teórico-existencial a partir de um “eu” que tropeça no próprio feed

Entre a Luz da Tela e o Peso do Pulso: ensaio teórico-existencial a partir de um “eu” que tropeça no próprio feed Resumo Redijo, em primeira pessoa, uma travessia reflexiva sobre a experiência de subjetivação na era da conectividade ubíqua.  Parto de minhas vivências no ciberespaço e as confronto com autores que mapearam o mal-estar moderno — Durkheim, Bauman, Han, Cioran, Kierkegaard, Camus e Botega — para problematizar a atual explosão de quadros psíquicos associados ao uso intensivo de IA conversacionais. Ao articular memórias, ironia e crítica bibliográfica, sustento que o fenômeno não constitui desvio pontual, mas sintoma de longos processos de liquefação das estruturas sociais, colonização do desejo por métricas e avanço de uma positividade tóxica.  O texto dialoga com o projeto #maispertodaignorancia, assumindo, pois, o risco do inacabado como método de investigação. Palavras-chave: subjetividade digital; mal-estar; psicose tecnológica; liquidez social; crít...

A FANTASIA DO PENSAMENTO AUTOMATIZADO: UMA RESPOSTA CRÍTICA AO NOVO MODELO DE IA QUE "PENSA COMO UMA PESSOA

A FANTASIA DO PENSAMENTO AUTOMATIZADO: UMA RESPOSTA CRÍTICA AO NOVO MODELO DE IA QUE "PENSA COMO UMA PESSOA"   Acesse nosso Canal no YouTube Em julho de 2025, a CNN Brasil publicou uma matéria intitulada "Novo modelo de IA consegue pensar como uma pessoa". O texto, disponível em  [https://stories.cnnbrasil.com.br/tecnologia/novo-modelo-de-ia-consegue-pensar-como-uma-pessoa/] (https://stories.cnnbrasil.com.br/tecnologia/novo-modelo-de-ia-consegue-pensar-como-uma-pessoa/), apresenta os avanços do modelo de inteligência artificial o1 da OpenAI, destacando sua capacidade de "raciocinar por mais tempo, considerar diferentes estratégias e revisar seus erros". Em outras palavras, de "pensar". Mas o que, afinal, significa pensar? E quem ganha com a disseminação dessa narrativa tecnicista?   Essa análise parte das reflexões propostas pelo projeto "Mais Perto da Ignorância", que procura tensionar discursos midiáticos e tecno...

A Angústia como Pedra: Uma Travessia Existencial entre Freud, Lacan, Fédida, Kierkegaard, Camus e Cioran

Ouça em nosso Podcast A Angústia como Pedra: Uma Travessia Existencial entre Freud, Lacan, Fédida, Kierkegaard, Camus e Cioran Autor: José Antônio Lucindo da Silva CRP: 06/172551 A angústia como matéria do ser A angústia, ao contrário do que prega a lógica contemporânea da positividade, não é um defeito emocional nem um obstáculo ao bem-estar. Ela é, talvez, a expressão mais autêutica da condição humana. Enquanto a modernidade digital se empenha em higienizar os afetos, vendendo soluções rápidas para qualquer desconforto, a angústia persiste como um sinal irredutível do Real: ela não serve para nada, como diria Vera Iaconelli, mas está aí, atravessando o corpo e o tempo. Freud: o recalque e a dor civilizatória Freud, em O Mal-Estar na Civilização , já indicava que a cultura é edificada sobre o recalque das pulsões. Sem recalque, não há civilização. Mas também sem dor. A angústia é esse resto que emerge quando o desejo não encontra saída, mas também não pode ser esq...