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A GUERRA DAS PALAVRAS ANTES DA GUERRA DAS COISAS

A 0GUERRA DAS PALAVRAS ANTES DA GUERRA DAS COISAS AUTOR: A Loka do Rolê PROJETO: Mais Perto da Ignorância — MPI PALAVRAS-CHAVE: crime organizado, terrorismo, discurso, soberania, subjetividade, política, tecnologia, exaustão, vigilância, linguagem RESUMO: Passei os últimos dias observando uma palavra atravessar fronteiras com mais velocidade do que qualquer operação policial. Terrorismo. Bastou que a possibilidade de enquadrar PCC e CV nessa categoria ganhasse espaço para que especialistas, políticos, jornalistas e usuários de redes sociais começassem imediatamente a disputar o significado do acontecimento. O curioso não é a classificação em si. O curioso é a velocidade com que qualquer fato contemporâneo precisa ser convertido em narrativa. Antes dos efeitos concretos surgem as interpretações. Antes das consequências aparecem os posicionamentos. O episódio expõe menos uma discussão jurídica e mais uma característica da vida contemporânea: a incapacidade de permanecer diant...

A LINGUAGEM NÃO TE LIBERTA. O TRABALHO TAMBÉM NÃO.

A LINGUAGEM NÃO TE LIBERTA. O TRABALHO TAMBÉM NÃO. José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo Clínico — CRP 06/172551 Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Data: 01 maio de 2026 Palavras-chave: trabalho, linguagem, inteligência artificial, padronização, esvaziamento, repetição, mpi  RESUMO: No Dia do Trabalhador de 2026, a articulação entre transformações nas relações de trabalho e na produção da linguagem evidencia um deslocamento convergente: a intensificação da exigência produtiva ocorre simultaneamente à redução do trabalho de elaboração psíquica. A inteligência artificial, ao operar como antecipação discursiva, reorganiza as condições de produção do pensamento, enquanto dados institucionais indicam precarização, sobrecarga e perda de sentido no trabalho. Sustenta-se a hipótese de que tais processos não são paralelos, mas operam sob a mesma lógica material: continuidade sem interrupção. O resultado não é ausência de atividade, mas manutenção de funcionamento sob redu...

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição

Gozai por Nós: O Eu Colonizado e a Falência da Contradição Escrito em 07/09/2025 – 22h45 (America/Sao_Paulo)   Introdução Quando a linguagem deixa de ser um produto do sujeito e passa a ser formatada por máquinas, resta a pergunta: quem fala quando falamos? O problema não é apenas tecnológico, mas psico-bio-social. Pois, se é no discurso que o sujeito se constitui, como lembra Lacan, a colonização da palavra pela repetição algorítmica ameaça a própria raiz da subjetividade. Esse deslocamento não acontece no vazio. Ele se ancora em condições históricas, sociais e econômicas que, no Brasil, são visíveis: precariedade educacional, desigualdade de renda, fragilidade do cuidado coletivo. É nesse terreno que se instala a ansiedade das novas gerações, como mostram dados recentes do SUS e do Pisa. Ansiedade que não é mero diagnóstico clínico, mas sintoma civilizatório. Autores como Alfredo Simonetti, em Gozai por Nós, mostram como a cultura contemporânea sequestra até o prazer,...

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional

Psicologia reversa: o fetiche da manipulação emocional Fonte original: https://share.google/2Tgvm9r7AU6Hkp7uB #maispertodaignorancia “Sei que você vai dizer que não, por isso estou pedindo que diga sim.” Eis o truque barato da chamada psicologia reversa. O artigo do Correio Braziliense tenta didatizar o método, como se estivéssemos discutindo um software relacional, e não o lugar onde o poder escorre por debaixo das relações afetivas. Apresentada como “técnica útil”, a manipulação emocional é embrulhada em papel de presente científico. Mas o que não está sendo dito nessa matéria? Não é à toa que esse tipo de linguagem seduz o sujeito cansado — não de amar, mas de tentar controlar o outro sob o pretexto de entender suas emoções. A psicologia reversa é o que resta quando a comunicação vira tática, o afeto vira mercado e o vínculo vira disputa. Zygmunt Bauman nos lembra, em Amor Líquido, que a fragilidade dos laços contemporâneos está menos na ausência de sentimentos e mais na...