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CRÔNICA CLÍNICA COMENTADA: HIPÓTESE Nº 3.1

CRÔNICA CLÍNICA COMENTADA: HIPÓTESE Nº 3.1 O Feed interrompe a elaboração antes que ela se transforme em pensamento   "A distração é talvez a forma contemporânea de negar aquilo que a consciência demoraria tempo suficiente para reconhecer." (Epígrafe inspirada em Ernest Becker, Emil Cioran e Byung-Chul Han.) A praça continuava fazendo aquilo que sempre fez. Nada. Ou, talvez, tudo. Os carros atravessavam lentamente a avenida. Pessoas caminhavam olhando para frente. Outras caminhavam olhando para baixo. Algumas pareciam conversar. Outras apenas movimentavam os lábios diante de uma pequena tela luminosa. Silvan observava. Nunca começava uma conversa. Esperava que ela começasse sozinha. Breguésio aproximou-se carregando um café. Sentou-se ao lado dele. Não disse absolutamente nada. Os dois permaneceram alguns minutos olhando a cidade. Foi a Loka quem rompeu o silêncio. — Curioso... A cidade nunca esteve tão cheia de vozes. E nunca pareceu tão difícil encon...

A VACINA NÃO SALVA O SUJEITO

A VACINA NÃO SALVA O SUJEITO Corpo, promessa biomédica e o mercado da abstinência 1. Introdução — O corpo não é o discurso O corpo não lê manchetes. O corpo responde a estímulos químicos. Antes de qualquer debate moral, jurídico ou motivacional, existe um dado material: a dependência química envolve alterações neurobiológicas mensuráveis. Alterações no sistema dopaminérgico mesolímbico, no circuito de recompensa, na plasticidade sináptica. O corpo aprende. O corpo repete. O corpo registra. Quando surge a proposta de uma vacina contra substâncias psicoativas — como cocaína ou opioides — estamos diante de uma intervenção que atua diretamente na interface entre molécula e receptor. Não é discurso. É bioquímica. Mas o problema começa quando a intervenção biológica é convertida em promessa de reorganização subjetiva. É aqui que o MPI interrompe a euforia. 2. Descrição Factual — O que a vacina faz (e o que não faz) Pesquisas conduzidas por centros como a UNIFESP e ins...

CONSUMO DE DROGAS ILÍCITAS NO BRASIL (2012–2023): DADOS EPIDEMIOLÓGICOS E VARIAÇÕES DEMOGRÁFICAS

CONSUMO DE DROGAS ILÍCITAS NO BRASIL (2012–2023): DADOS EPIDEMIOLÓGICOS E VARIAÇÕES DEMOGRÁFICAS O consumo de drogas ilícitas no Brasil tem sido acompanhado por levantamentos populacionais periódicos que permitem observar tendências ao longo do tempo. Este texto apresenta uma síntese descritiva e contextualizada desses dados, com base em pesquisas nacionais representativas e literatura científica reconhecida, sem julgamento moral, prescrição ou personalização do fenômeno. 1. Contexto metodológico O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) é uma pesquisa domiciliar com amostra representativa da população brasileira, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e vinculada ao Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). A terceira edição, LENAD III (2022–2024), mantém comparabilidade metodológica com levantamentos anteriores, como o realizado em 2012, permitin...