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A mostrar mensagens com a etiqueta psicologia social

O fígado, a ressaca moral e o país que prefere não saber

O fígado, a ressaca moral e o país que prefere não saber Autor: A Loka do Rolê Projeto: MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave: álcool, saúde pública, negacionismo cotidiano, fígado, cultura do consumo, psicologia social, crítica discursiva. Entre os discursos aparentemente neutros que circulam em portais de saúde e conteúdos informativos sobre álcool, frequentemente aparece uma narrativa que parece simples: beber em excesso faz mal ao fígado. A informação é correta. O problema começa quando essa frase atravessa uma cultura que transformou o álcool em elemento estruturante da sociabilidade cotidiana. Neste ensaio crítico, a personagem A Loka do Rolê observa o contraste entre o discurso médico, os dados epidemiológicos e o comportamento coletivo diante deles. O texto examina a distância entre informação disponível e reconhecimento social do problema, destacando a forma como a banalização do consumo e a normalização cultural do álcool operam como mecanismos...

"QUANDO TUDO VIRA PERFORMANCE, O CORPO VIRA RUÍDO:INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, TRABALHO E O EQUÍVOCO DA ANTECIPAÇÃO TOTAL"

"QUANDO TUDO VIRA PERFORMANCE, O CORPO VIRA RUÍDO: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, TRABALHO E O EQUÍVOCO DA ANTECIPAÇÃO TOTAL" 🎧 NO CANAL DO YOUTUBE: Autor: José Antônio Lucindo da Silva Instituição/Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) Titulação: Psicólogo Clínico (CRP 06/172551) RESUMO Este artigo analisa criticamente o discurso contemporâneo que apresenta a inteligência artificial como destino inevitável do trabalho e da formação subjetiva, tomando como objeto de análise enunciados tecnocráticos que defendem a antecipação total das habilidades futuras desde a adolescência. Fundamentado nos princípios metodológicos da Psicologia enquanto ciência histórica, social e material, o texto problematiza a noção de adaptação contínua como valor moral e examina os efeitos subjetivos e éticos da conversão da experiência humana em dados, desempenho e otimização. Articula-se, ainda, uma leitura crítica à luz do Código de Ética Profissional do Psicólogo e das Cartilhas do Conselh...

Quando o corpo decide, o valor atrapalha

Quando o corpo decide, o valor atrapalha 🎧 OUÇA O TEXTO NARRADO: AUTOR: José Antônio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE: materialidade; sobrevivência; discurso midiático; confiança; abandono; ética; psicologia social RESUMO: Este texto parte de um acontecimento amplamente repercutido pela mídia brasileira — um jovem que se perdeu durante dias em uma trilha no Paraná — não para julgá-lo, explicá-lo ou extrair lições morais, mas para tensionar o modo como eventos materiais são rapidamente convertidos em narrativas valorativas. A crônica sustenta que, em situações-limite, o corpo opera em um registro anterior à moral, à confiança simbólica e à discursividade civilizatória. O que se costuma nomear como “abandono” ou “quebra de confiança” revela mais sobre a necessidade social de organizar o susto do que sobre o acontecimento em si. Sem prescrição, sem orientação e sem conclusão normativa, o texto aponta para o descompasso entre uma material...

A clínica do reflexo: o eu ansioso diante da tela

A clínica do reflexo: o eu ansioso diante da tela José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto Mais Perto da Ignorância — 2025 Palavras-chave: ansiedade, psicologia social, influencers, subjetividade digital, clínica, escuta. 1. Introdução — O paradoxo clínico da era ansiosa 26,8% dos brasileiros receberam diagnóstico médico de transtorno de ansiedade (CNN Brasil, 2025). É o maior índice da América Latina. Ao mesmo tempo, o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2025) registra 562 mil profissionais ativos, o maior contingente de psicólogos do planeta. Ou seja: nunca tivemos tantos nomes para o sofrimento, nem tantas vozes dispostas a interpretá-lo. E, ainda assim, o silêncio parece só aumentar. A questão é mais profunda do que o número de diagnósticos. Ela toca o centro do problema epistemológico da Psicologia contemporânea: o que significa sofrer quando o sofrimento é capturado por uma tela? O paradoxo é cruel: quanto mais tentamos nomear o m...