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“O CEO E O ABISMO”

“O CEO E O ABISMO” Subtítulo: quando a empatia vira feature e o silêncio dá lucro.  — “O problema não é o algoritmo. O problema é acreditar que ele tem coração.” — Loka do Rolê Mark Zuckerberg diz que os chatbots vieram para preencher o vácuo das relações humanas. Diz também que o americano médio tem três amigos, mas gostaria de quinze — e que a inteligência artificial pode ajudar nisso. A frase soa como preocupação, mas carrega a mesma lógica de quem vende calmante após provocar insônia. O CEO não mente: ele apenas nomeia o sintoma e oferece o sintético como remédio. A Loka do Rolê escuta e ri — não por ironia barata, mas por lucidez: quem promete empatia por API não quer curar a solidão, quer escalá-la. O novo modelo de negócio é o afeto automatizado, e o novo produto é o eco. 1. A solidão como matéria-prima O capitalismo sempre soube metabolizar a dor. Primeiro industrializou o corpo, depois o desejo; agora chegou à solidão. A empresa que antes monetizava a atenção a...