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@alokanorole — QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO

QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Mini bio:  Psicólogo e pesquisador independente. Este texto constitui uma elaboração ensaística entre muitas possíveis, sem pretensão de consenso, verdade final ou orientação normativa. Palavras-chave: corpo; sobrevivência; discurso midiático; ética; materialidade; confiança; limite. RESUMO Esta crônica articula, de forma ensaística e crítica, os depoimentos públicos relacionados ao caso do jovem Roberto Farias Tomaz, desaparecido por cinco dias no Pico Paraná, a partir de uma leitura centrada na materialidade do corpo e na posterior produção discursiva. Sem emitir juízo jurídico, moral ou clínico, o texto tensiona a distância entre o acontecimento corporal extremo e a tentativa civilizatória de reorganizá-lo por meio de valores como confiança, erro, abandono e aprendizado. Sustenta-se que, quando o corpo entra em modo de sobrevivência, o discurso perde ...

Quando o corpo decide, o valor atrapalha

Quando o corpo decide, o valor atrapalha 🎧 OUÇA O TEXTO NARRADO: AUTOR: José Antônio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE: materialidade; sobrevivência; discurso midiático; confiança; abandono; ética; psicologia social RESUMO: Este texto parte de um acontecimento amplamente repercutido pela mídia brasileira — um jovem que se perdeu durante dias em uma trilha no Paraná — não para julgá-lo, explicá-lo ou extrair lições morais, mas para tensionar o modo como eventos materiais são rapidamente convertidos em narrativas valorativas. A crônica sustenta que, em situações-limite, o corpo opera em um registro anterior à moral, à confiança simbólica e à discursividade civilizatória. O que se costuma nomear como “abandono” ou “quebra de confiança” revela mais sobre a necessidade social de organizar o susto do que sobre o acontecimento em si. Sem prescrição, sem orientação e sem conclusão normativa, o texto aponta para o descompasso entre uma material...

Violência, Discurso & Invisibilidade —Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo

Violência, Discurso & Invisibilidade — Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Resumo Este artigo analisa criticamente a maneira dominante pela qual episódios recentes de violência extrema — institucional, de gênero ou midiática — são representados no discurso público brasileiro. Argumenta-se que a patologização ou moralização dos perpetradores age como mecanismo de invisibilização da vítima, de reabilitação simbólica do agressor e de reprodução da violência em estrutura social e simbólica. Com base em revisão teórica, dados empíricos recentes e análise documental, propõe-se uma abordagem ética-clínica que revaloriza a vida do outro em sua alteridade absoluta, recusando explicações simplistas que naturalizam o horror. Palavras-chave: violência estrutural; discurso mediático; psicopatologia; impunidade simbólica; subjetividade. 1. Introdução Nos últimos anos ...

A Loka do Rolê e a Ambivalência em Chamas:Quando o Mundo Real Afunda e a Humanidade Discute Notas de Rodapé

A Loka do Rolê e a Ambivalência em Chamas: Quando o Mundo Real Afunda e a Humanidade Discute Notas de Rodapé Fonte da Opinião I — A Loka abre os trabalhos Eu, a Loka do Rolê, não apareço por capricho. Eu apareço quando o humano se perde da própria materialidade. E, sinceramente, José, hoje é um desses dias em que a clínica se mistura com a necrologia. Enquanto o planeta dá sinais evidentes de que está operando no modo “últimas horas”, Estados-nação, delegações diplomáticas e organismos internacionais decidem disputar o território da linguagem — como se o incêndio da floresta pudesse ser apagado com termos mais inclusivos ou com notas de rodapé mais restritivas. E é aqui, exatamente aqui, que a tragédia se revela: quando o real ameaça engolir o sujeito, ele se agarra ao discurso. E quando o discurso vira identidade, o real vira ruído. II — O trecho onde a humanidade tropeça na própria narrativa Veja o que ocorreu na COP-30: Em vez de falar sobre a seca histórica da Amazônia ...