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A VIDA DEPOIS DA MORTE – Quando o passado não consegue mais virar história

A VIDA DEPOIS DA MORTE Quando o passado não consegue mais virar história Artigo crônico-ensaístico — Mais Perto da Ignorância Resumo Este ensaio parte de um acontecimento particular de morte que, anos depois, retorna à circulação pública por meio de novas notícias, reativação investigativa e produção audiovisual. O acontecimento não é utilizado para determinar a causa da morte, estabelecer diagnósticos retrospectivos ou representar a totalidade da população, da mídia ou das plataformas digitais. Ele funciona como documento situado para tensionar uma operação discursiva possível: a transformação de uma vida interrompida em matéria continuamente disponível para novas interpretações. A hipótese do Mais Perto da Ignorância (MPI) é que, sob condições contemporâneas de circulação digital, a permanência técnica de informações sobre uma pessoa pode não equivaler à preservação de sua historicidade ou de sua alteridade. O passado pode permanecer disponível, reproduzível e reativável ...

A Carta Que Voltou Tarde Demais

A Carta Que Voltou Tarde Demais Palavras chaves; carta, resposta, Freud, psicanálise, supereu, mal-estar, sexualidade, norma social, desejo, moral, comentário público, redes sociais, algoritmo, visibilidade, intimidade, discurso midiático, transferência, ética da resposta, deslocamento simbólico, carta aberta, Loka do Rolê, fratura simbólica, crítica cultural, contemporaneidade, Caro Dr. Freud, capítulo ensaístico. (Resposta ao Dr. Freud na Era do Comentário Público) Caro Dr. Freud, Escrevo-lhe novamente, mas agora de forma mais precisa. Segundo alguns dados midiáticos recentemente difundidos, um jornalista de alta credibilidade foi interpelado publicamente por uma seguidora que lhe pediu que jamais tornasse pública sua suposta orientação sexual. A interpelação veio revestida de vergonha e oração, como se moral e cuidado fossem sinônimos. Não houve crime. Não houve escândalo. Houve discurso. A resposta do jornalista foi direta: delimitou fronteira, nomeou o cará...

@alokanorole — QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO

QUANDO O CORPO ANDA, O DISCURSO CHEGA ATRASADO Autor: José Antônio Lucindo da Silva Projeto: Mais Perto da Ignorância Mini bio:  Psicólogo e pesquisador independente. Este texto constitui uma elaboração ensaística entre muitas possíveis, sem pretensão de consenso, verdade final ou orientação normativa. Palavras-chave: corpo; sobrevivência; discurso midiático; ética; materialidade; confiança; limite. RESUMO Esta crônica articula, de forma ensaística e crítica, os depoimentos públicos relacionados ao caso do jovem Roberto Farias Tomaz, desaparecido por cinco dias no Pico Paraná, a partir de uma leitura centrada na materialidade do corpo e na posterior produção discursiva. Sem emitir juízo jurídico, moral ou clínico, o texto tensiona a distância entre o acontecimento corporal extremo e a tentativa civilizatória de reorganizá-lo por meio de valores como confiança, erro, abandono e aprendizado. Sustenta-se que, quando o corpo entra em modo de sobrevivência, o discurso perde ...

Quando o corpo decide, o valor atrapalha

Quando o corpo decide, o valor atrapalha 🎧 OUÇA O TEXTO NARRADO: AUTOR: José Antônio Lucindo da Silva PROJETO: Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE: materialidade; sobrevivência; discurso midiático; confiança; abandono; ética; psicologia social RESUMO: Este texto parte de um acontecimento amplamente repercutido pela mídia brasileira — um jovem que se perdeu durante dias em uma trilha no Paraná — não para julgá-lo, explicá-lo ou extrair lições morais, mas para tensionar o modo como eventos materiais são rapidamente convertidos em narrativas valorativas. A crônica sustenta que, em situações-limite, o corpo opera em um registro anterior à moral, à confiança simbólica e à discursividade civilizatória. O que se costuma nomear como “abandono” ou “quebra de confiança” revela mais sobre a necessidade social de organizar o susto do que sobre o acontecimento em si. Sem prescrição, sem orientação e sem conclusão normativa, o texto aponta para o descompasso entre uma material...

Violência, Discurso & Invisibilidade —Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo

Violência, Discurso & Invisibilidade — Crítica ao dispositivo patológico-moral e à impunidade simbólica no Brasil contemporâneo Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Resumo Este artigo analisa criticamente a maneira dominante pela qual episódios recentes de violência extrema — institucional, de gênero ou midiática — são representados no discurso público brasileiro. Argumenta-se que a patologização ou moralização dos perpetradores age como mecanismo de invisibilização da vítima, de reabilitação simbólica do agressor e de reprodução da violência em estrutura social e simbólica. Com base em revisão teórica, dados empíricos recentes e análise documental, propõe-se uma abordagem ética-clínica que revaloriza a vida do outro em sua alteridade absoluta, recusando explicações simplistas que naturalizam o horror. Palavras-chave: violência estrutural; discurso mediático; psicopatologia; impunidade simbólica; subjetividade. 1. Introdução Nos últimos anos ...