Quando o fora muda e o dentro não cabe mais: a farsa da transição sem chão IMAGEM O texto publicado na VEJA retoma uma ideia confortável: a vida muda por fora, mas o sujeito não acompanha por dentro. A solução? Trabalhar a tal “transição interna”. Parece elegante. Parece humano. Parece suficiente. Não é. O que está em jogo não é um “dentro” preguiçoso que resiste ao novo. É um corpo tentando sobreviver a um fora que perdeu forma. O discurso muda rápido, o mundo acelera, a tecnologia promete atalhos — mas a materialidade da vida continua a mesma: trabalhar para comer, produzir para existir, responder para não cair fora do circuito. Darwin já sabia disso antes do algoritmo. O corpo continua caçando. Só trocaram a floresta pelo feed. A depressão, aqui, não entra como diagnóstico nem como etiqueta clínica. Entra como estado — no sentido preciso de Pierre Fédida. Não é falha do eu, nem déficit de resiliência. É retração do espaço. O mundo deixa de oferecer lugar, o cor...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva