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A MULHER NÃO É UMA HIPÓTESE: CORPO, EXISTÊNCIA E VIOLÊNCIA NO BRASIL DIGITAL

A MULHER NÃO É UMA HIPÓTESE: CORPO, EXISTÊNCIA E VIOLÊNCIA NO BRASIL DIGITAL Uma crônica investigativa sobre a posição material da mulher, os discursos digitais e a recusa da eliminação do outro Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI) 1. A mulher não precisa provar que existe Existe uma cena que se repete, embora mudem os nomes, os cenários, as roupas, os sotaques e os perfis nas redes sociais. Uma mulher sofre uma agressão. Antes mesmo que seu corpo termine de apresentar as marcas do acontecimento, começa outra disputa: a disputa sobre o que aconteceu, sobre o que ela deveria ter feito, sobre o que deveria ter dito, sobre o motivo pelo qual permaneceu, sobre o motivo pelo qual foi embora e, em certas ocasiões, até sobre o direito de nomear aquilo que viveu. A violência deixa o corpo. A discussão sobre a legitimidade da experiência começa a ocupar a tela. É nesse deslocamento que a investigação precisa parar por alguns instantes. Não para transformar toda fala e...

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED

O ESTÔMAGO NÃO POSTA, MAS SUSTENTA O FEED ou: enquanto você debate o mundo, alguém está sendo modulado por ele AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE:  materialidade, modulação comportamental, saúde mental, economia da atenção, sofrimento psíquico, tecnologia, trabalho, discurso digital, dependência comportamental, subjetividade RESUMO: A internet fala. O corpo paga. Este artigo investiga o contraste entre a inflação discursiva das redes sociais e as condições materiais que sustentam — e modulam — a vida contemporânea. Entre a promessa de autonomia digital e a evidência de sofrimento psíquico crescente, emerge uma reorganização silenciosa: o comportamento humano passa a ser capturado, analisado e induzido por estruturas econômicas e tecnológicas. Amparado em contribuições de Marx, Freud, Byung-Chul Han e Shoshana Zuboff, o texto propõe que o sofrimento psíquico não é falha individual nem ruído estatístico, m...

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO

A CIVILIZAÇÃO DO ESTÔMAGO por que a internet ainda depende de arroz, feijão e caminhão Autor A Loka do Rolê Projeto MPI — Mais Perto da Ignorância Palavras-chave materialidade, metabolismo social, discurso digital, economia simbólica, civilização Resumo: Este ensaio investiga um paradoxo central da contemporaneidade: a crença de que a civilização digital teria substituído as condições materiais que sustentam a vida social. Inspirado no materialismo histórico de Marx, no ceticismo radical de Cioran e na crítica cultural de Byung-Chul Han, o texto propõe uma hipótese simples e desconfortável: nenhuma produção simbólica, por mais sofisticada que seja, existe sem a reprodução biológica da vida. Redes sociais, inteligência artificial e debates ideológicos parecem constituir uma esfera autônoma de significados, mas continuam dependentes de infraestruturas físicas e metabólicas que raramente aparecem no discurso público. A civilização pode discutir algoritmos, identida...