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QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA?

QUANDO A MÁQUINA ENTRA NA CLÍNICA, QUEM FICA DO LADO DE FORA? A Loka do Rolê Eu ouvi aquela frase: “Tem gente procurando o computador, o robô, a inteligência artificial para ser seu psiquiatra.” E fiquei pensando que talvez a pergunta esteja ligeiramente errada. Não porque a inteligência artificial não esteja entrando na saúde mental. Ela está. A pergunta errada é imaginar que o fenômeno começa na máquina. Eu quero começar antes. Quero começar no sujeito. No corpo. Na solidão. Na disponibilidade. Na falta de tempo. Na dificuldade de encontrar alguém. Na dificuldade de pagar alguém. Na dificuldade de chegar a alguém. Porque antes de existir o chatbot existia uma pessoa precisando falar. E isso muda tudo. Eu não quero transformar a inteligência artificial em vilã. Isso seria intelectualmente preguiçoso. E a humanidade já produz vilões suficientes sem precisar fabricar um robô com capa preta. Também não quero transformar a IA em salvadora. O problema é just...

A VIDA DEPOIS DA MORTE – Quando o passado não consegue mais virar história

A VIDA DEPOIS DA MORTE Quando o passado não consegue mais virar história Artigo crônico-ensaístico — Mais Perto da Ignorância Resumo Este ensaio parte de um acontecimento particular de morte que, anos depois, retorna à circulação pública por meio de novas notícias, reativação investigativa e produção audiovisual. O acontecimento não é utilizado para determinar a causa da morte, estabelecer diagnósticos retrospectivos ou representar a totalidade da população, da mídia ou das plataformas digitais. Ele funciona como documento situado para tensionar uma operação discursiva possível: a transformação de uma vida interrompida em matéria continuamente disponível para novas interpretações. A hipótese do Mais Perto da Ignorância (MPI) é que, sob condições contemporâneas de circulação digital, a permanência técnica de informações sobre uma pessoa pode não equivaler à preservação de sua historicidade ou de sua alteridade. O passado pode permanecer disponível, reproduzível e reativável ...

A LOKA DO ROLÊ VISITA OS MORTOS: UM PASSEIO PELO TIKTOK, PELO TER, PELO SER E PELA ATENÇÃO QUE NÃO TEM TEMPO PARA EXISTIR

A LOKA DO ROLÊ VISITA OS MORTOS: UM PASSEIO PELO TIKTOK, PELO TER, PELO SER E PELA ATENÇÃO QUE NÃO TEM TEMPO PARA EXISTIR Artigo crônico-ensaístico Resumo Este artigo nasce de uma observação exploratória realizada em transmissões ao vivo de uma plataforma digital de vídeos curtos, posteriormente identificada como TikTok. O acontecimento inicial não é tomado como representação da totalidade da plataforma, nem como evidência suficiente para generalizações sobre homens, mulheres, relacionamentos ou comportamento humano. Trata-se de uma experiência de observação situada, cuja finalidade é interrogar a forma assumida pelo discurso quando inserido em um ambiente caracterizado por circulação acelerada, fragmentação, classificação, performance e mecanismos algorítmicos de distribuição. A investigação parte da experiência auditiva do observador, mas suspende a própria percepção individual como critério de avaliação universal. O eixo de análise desloca-se, então, da intenção ...