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A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO

A LOKA DO ROLÊ E O NARCISO QUE CHEGOU ATRASADO Eu tenho uma mania que, segundo alguns especialistas da internet, provavelmente precisa ser trabalhada. Eu gosto de desconfiar de frases bonitas. Não é que eu seja contra frase bonita. Eu até gosto. O problema é que frase bonita tem uma capacidade impressionante de esconder cadáver embaixo do tapete. Você olha, acha elegante, compartilha, coloca uma música triste por trás e pronto: nasceu mais uma explicação para uma vida que ninguém teve tempo de viver direito. “Conhece-te a ti mesmo.” Bonito. Parece profundo. Parece antigo. Parece que alguém acendeu uma vela, respirou fundo e descobriu uma verdade escondida dentro da própria alma. Só que eu fico pensando: Conhece-te quando, meu irmão? Porque existe uma pequena inconveniência chamada tempo. E existe outra chamada corpo. E tem uma terceira, que costuma ser ainda mais mal-educada: a vida. A vida não espera você terminar o processo de autoconhecimento. A vida acontece. O aluguel ...

QUEM FARMOU AURA PRIMEIRO? Caráter, aplauso e a velocidade com que uma sociedade esquece aquilo que acabou de ver

  QUEM FARMOU AURA PRIMEIRO? Caráter, aplauso e a velocidade com que uma sociedade esquece aquilo que acabou de ver AUTOR José Antônio Lucindo da Silva PROJETO Mais Perto da Ignorância (MPI) PALAVRAS-CHAVE farmar aura, reconhecimento, caráter, nostalgia, retrotopia, juventude, geração, visibilidade, esquecimento, vínculos digitais, tempo, materialidade, performance, subjetividade, redes sociais, discurso, técnica, pertencimento, narcisismo, escuta RESUMO Existe uma pequena expressão circulando por aí — “farmar aura” — que parece inocente porque, afinal, toda geração inventa suas palavras para não precisar pedir autorização aos adultos. O problema começa quando uma geração anterior utiliza a expressão como prova de que a seguinte teria perdido aquilo que realmente importa: caráter, disciplina, responsabilidade, profundidade. O presente artigo não pretende defender a gíria nem condená-la. Pretende fazer algo menos confortável: perguntar d...