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A GERAÇÃO DO TORPOR: REJEIÇÃO, CORPOS DESLIGADOS E OUTRAS FORMAS DE DOER SEM RUÍDO

A GERAÇÃO DO TORPOR: REJEIÇÃO, CORPOS DESLIGADOS E OUTRAS FORMAS DE DOER SEM RUÍDO (Ou: por que cês continuam achando que pertencem a algo que já foi terceirizado pro algoritmo?) I. Abertura: o mundo que exige 20 currículos para validar um corpo O jornal New York Times andou dizendo por aí que esta é “a geração mais rejeitada da história”.  A afirmação não é nova — o que muda é a forma como ela grita.  Antes, a rejeição era um tapa discreto dado pela vida.  Hoje, é um e-mail automático, um “você não foi selecionado”, um silêncio digital que dói mais do que qualquer porta batida na cara.  Uma rejeição tão sofisticada que nem precisa de uma pessoa para dizer “não”: basta um algoritmo que nunca soube seu nome. Royal Master, psicólogo social citado na matéria da BBC News Brasil (2025), disse que a primeira reação do rejeitado não é dor — é torpor.  Um desligamento emocional como quem apaga a casa inteira para economizar energia.  E a ciência confirm...

“O CEO E O ABISMO”

“O CEO E O ABISMO” Subtítulo: quando a empatia vira feature e o silêncio dá lucro.  — “O problema não é o algoritmo. O problema é acreditar que ele tem coração.” — Loka do Rolê Mark Zuckerberg diz que os chatbots vieram para preencher o vácuo das relações humanas. Diz também que o americano médio tem três amigos, mas gostaria de quinze — e que a inteligência artificial pode ajudar nisso. A frase soa como preocupação, mas carrega a mesma lógica de quem vende calmante após provocar insônia. O CEO não mente: ele apenas nomeia o sintoma e oferece o sintético como remédio. A Loka do Rolê escuta e ri — não por ironia barata, mas por lucidez: quem promete empatia por API não quer curar a solidão, quer escalá-la. O novo modelo de negócio é o afeto automatizado, e o novo produto é o eco. 1. A solidão como matéria-prima O capitalismo sempre soube metabolizar a dor. Primeiro industrializou o corpo, depois o desejo; agora chegou à solidão. A empresa que antes monetizava a atenção a...