O homem que não se arrepende O homem que não se arrepende do que viveu não teve o desejo necessário para existir. Essa frase, quando passa pela boca da Loka do Rolê, deixa de ser reflexão — vira ofensa, cutuca, arranca o verniz do “crescimento pessoal”. Porque o arrependimento virou moda. Virou performance moral, tipo detox da consciência. A cada novo trauma, a cada erro, o sujeito se ajoelha diante do espelho e recita o mantra das redes: “eu aprendi, eu evoluí, eu sou grato pela dor”. Mas o que a Loka vê nisso é outra coisa: a domesticação do desejo. A civilização ensinou o homem a se desculpar por ter sentido. Freud já dizia que o superego é o carrasco que se alimenta da culpa, e Cioran completaria: a consciência é o castigo dos que ousaram desejar demais. A Loka ri, porque sabe que o arrependimento é a forma polida do medo — medo de ter existido fora da norma, medo de ter amado sem retorno, medo de ter vivido sem moral. O homem que se arrepende tenta converter a intensid...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva