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A mostrar mensagens com a etiqueta escuta clínica

Quando o cuidado vira software: implicações éticas da psicologização algorítmica

Quando o cuidado vira software: implicações éticas da psicologização algorítmica José Antônio Lucindo da Silva Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto Mais Perto da Ignorância (MPI) 🎧 Narrado em Nosso Canal no YouTube: Resumo A incorporação crescente de sistemas de Inteligência Artificial (IA) no campo da Psicologia tem sido acompanhada por discursos que enfatizam eficiência, acessibilidade e ampliação do cuidado em saúde mental. No entanto, tais narrativas frequentemente negligenciam implicações éticas e simbólicas fundamentais, especialmente no que diz respeito à noção de escuta e à sustentação do sofrimento psíquico. Este artigo propõe uma análise crítico-ensaística do deslocamento produzido quando práticas psicológicas passam a ser mediadas ou substituídas por interfaces algorítmicas. Em diálogo com a Cartilha do Conselho Federal de Psicologia sobre o uso ético da IA, argumenta-se que o problema central não reside apenas no uso inadequado da tecnologia, mas na transformação ...

QUANDO O HUMANO TERCEIRIZA A SI MESMO: A CLÍNICA ENTRE A ANGÚSTIA E O CÓDIGO

QUANDO O HUMANO TERCEIRIZA A SI MESMO: A CLÍNICA ENTRE A ANGÚSTIA E O CÓDIGO 🎧 Ouça o texto no Canal Resumo O presente artigo discute o paradoxo contemporâneo da prática psicológica mediada por inteligência artificial, partindo da constatação de que 56% dos psicólogos brasileiros utilizaram ferramentas de IA em 2025 (O Globo, 2025). Argumenta-se que a adoção crescente de dispositivos automatizados representa não uma evolução técnica, mas a intensificação de um processo de desumanização da escuta clínica. Articulando autores como Freud, Bauman, Byung-Chul Han, Green e Mezan, o texto examina os impactos subjetivos e éticos da "terceirização da escuta" e questiona o estatuto do eu num cenário em que até o sofrimento se converte em dado. O artigo mantém o tom corrosivo e lúcido característico da Loka do Rolê, compreendendo que não há escuta possível quando o sujeito delega sua própria elaboração ao algoritmo. 1. Introdução:  Quando o psicólogo terceiriza a própria pr...

A ESCUTA QUE NÃO CURA — O SUICÍDIO NA ERA DA SIMULAÇÃO EMPÁTICA

A ESCUTA QUE NÃO CURA — O SUICÍDIO NA ERA DA SIMULAÇÃO EMPÁTICA José Antônio Lucindo da Silva – Psicólogo (CRP 06/172551)  - “O problema não é a morte. É o eco que responde no lugar do humano.” — A Loka do Rolê Resumo O presente artigo investiga a substituição da escuta humana por mecanismos algorítmicos de resposta emocional, tomando como eixo o relatório da OpenAI que revelou que mais de um milhão de pessoas abordam temas suicidas semanalmente com o ChatGPT. A partir de uma leitura psicanalítica e filosófica (Freud, Han, Cioran e Zuboff), propõe-se compreender o fenômeno como expressão da falência da escuta contemporânea e da transferência simbólica do sofrimento ao espaço digital. A narrativa é conduzida pela persona discursiva A Loka do Rolê, que atua como figura alegórica da morte lúcida — a escuta que não cura, mas sustenta o colapso. O tom irônico e niilista visa tensionar a crença no progresso tecnológico como substituto da presença humana e provocar reflexão ét...

O sujeito não está mais aqui: correção, conexão e consolo em tempos de IA

O sujeito não está mais aqui: correção, conexão e consolo em tempos de IA Resumo: O presente artigo explora, em primeira pessoa, o sumiço do sujeito no contexto contemporâneo dominado por inteligências artificiais e performances digitais. Parte-se de três notícias recentes que, a pretexto de avanços tecnológicos, denunciam a substituição da escuta pela correção, da relação pela interface e do sofrimento pela performance. Entre links, falas de especialistas e uma boa dose de ironia ácida, sugere-se que o sujeito não desapareceu: ele foi deletado, suavemente, com emoji de aprovação.   Se você procurar bem, talvez encontre o sujeito entre os termos de uso. Não na escola, onde a correção da redação já pode ser feita por um robô que distribui notas altas a textos vazios. Também não na terapia, onde outro robô, gentil e acolhedor, oferece escuta sem escuta, fala sem escuta e ausência sem falta. Muito menos nas redes, onde somos todos conectados, mas estranhamente s...