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Capítulo — Não há escuta → o corpo não responde, ele interrompe

Capítulo — Não há escuta → o corpo não responde, ele interrompe Palavras-gírias: corte, ruído, glitch, corpo, resto, falha, algoritmo, exaustão, colapso, repetição Interlúdio da Loka: Você chama de consciência o que sobrou depois da queda chama de memória o que nunca chegou a acontecer e ainda quer escuta num lugar onde o corpo já desligou antes eu não falo eu apareço no intervalo Apresentação: Este capítulo não investiga a escuta como técnica — investiga sua impossibilidade como garantia. No bloco acadêmico, a escuta é desmontada como ideal clínico e social, atravessada por Freud, Han, Durkheim e Zuboff, onde o sujeito não sustenta continuidade suficiente para ser “escutado”. No bloco narrativo, a Loka dramatiza o colapso do eu como interrupção corporal — não há história, há remendos. No bloco corrosivo, o texto tensiona a cultura do engajamento, onde escutar foi substituído por responder. Por fim, no bloco clínico, articula-se o sofrimento contemporâneo como excesso de funcionamento,...

Não há escuta → você não está cansado, você está funcionando demais

 Não há escuta → você não está cansado, você está funcionando demais Autor: José Antônio Lucindo da Silva — Psicólogo (CRP 06/172551) Projeto: Mais Perto da Ignorância — A Loka do Rolê Palavras-chave: corpo; cansaço; algoritmo; trabalho; discurso; tempo; exaustão; funcionamento Resumo: Você voltou do trabalho e abriu o celular como quem abre um buraco. Não pra sair — pra cair. Entre discursos sobre produtividade, saúde mental, guerra, moral e sentido, você tenta organizar alguma coisa dentro. Não organiza. Só continua. Essa crônica não explica o seu cansaço — ela aponta o que você está evitando encarar: não é que você esteja falhando, é que você está funcionando dentro de uma lógica que não comporta o corpo. E quanto mais você tenta dar sentido, mais você se afasta do único lugar onde algo ainda acontece de verdade — o presente que não promete nada e cobra tudo. Introdução: Você chegou agora. Não chegou inteiro. Chegou funcional. Sentou. Destravou o celular. E começou aquele ritual...

Saúde Mental Não Paga Boleto

Saúde Mental Não Paga Boleto Autor: José Antônio Lucindo da Silva: Projeto: Mais Perto da Ignorância (MPI): Palavras-chave: trabalho; materialidade; saúde mental; discurso; precarização; subjetividade; capitalismo tardio; exclusão simbólica. Resumo: Falam de saúde mental como se ela fosse anterior ao corpo, como se existisse antes da fome, antes da conta de luz, antes do aluguel atrasado. O discurso contemporâneo transforma sofrimento em pauta é pauta em mercadoria, mas só depois que a materialidade mínima já está garantida. Este texto tensiona a ideia de “saúde mental no trabalho” mostrando que ela só existe depois que o trabalho já operou sua função central: garantir pertencimento simbólico. Fora do trabalho, o sofrimento não vira diagnóstico — vira silêncio. O desempregado não é um sujeito adoecido: é um sujeito ilegível. A saúde mental surge como nova moral do trabalho, ao mesmo tempo em que administra seus restos e protege a estrutura que adoece. Não há pro...