NÃO EXISTE LUTO SEM PERDA — EXISTE ANSIEDADE SEM OBJETO A materialidade sempre vem antes da verborragia. Muito antes de qualquer elaboração sofisticada sobre “luto antecipatório”, existia um dado bruto: algo estava ali. Um corpo. Uma presença. Um objeto investido. Até animais demonstram alteração comportamental quando perdem aquilo que organizava sua circunscrição no mundo. Não há metáfora nisso. Há estrutura. O que me inquieta não é o luto. O luto é compreensível. O que me inquieta é a tentativa de sofrer por algo que ainda não foi perdido. Há três tensões estruturais que atravessam o sujeito: entre ele e o mundo, entre ele e os outros, entre ele e suas próprias pulsões. Quando há perda concreta, o investimento precisa ser retirado. Há trabalho psíquico. Há reorganização. Mas quando se antecipa o luto de algo que ainda não desapareceu, não há retirada real. Não há objeto perdido. Há imaginação operando sobre o vazio. A caneta que eu uso para escreve...
"Mais Perto da Ignorância é um espaço de reflexão crítica sobre os paradoxos da existência contemporânea. Explorando temas como tecnologia, discursividade, materialidade e consumo, inspira-se em autores como Byung-Chul Han, Freud e Nietzsche. O blog questiona narrativas dominantes, desmistifica ilusões e convida ao diálogo profundo. Aqui, ignorância não é falta de saber, mas um confronto com dúvidas e angústias, desafiando verdades superficiais e mercantilizadas.” — José Antonio Lucindo da Silva